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Celtas: magia, espiritualidade e sabedoria
A cultura celta se difundiu pela Europa e, na atualidade, é tida como referência no mundo mágico e espiritual.
Em entrevista exclusiva, Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa fala sobre a magia e a sabedoria do povo celta.
Os povos celtas estiveram espalhados por quase todo o continente europeu.
Não formaram um império, nem possuíam um governo centralizado.
Não tinham um sistema de escrita e, portanto, a precisão cronológica sobre seu surgimento se baseia em escavações e em muitas pesquisas, datando de 1800 a 1500 a.C., na Europa Central e Ocidental.
Viviam em tribos e, apesar de não possuírem uma etnia homogênea, a língua e a religião representavam o elo entre eles.
Sua cultura é repleta de magia, espiritualidade e culto à natureza.
Acreditavam que as palavras registradas graficamente comprometiam a realidade e a energia dos fatos, podendo criar interpretações incorretas da verdade.
Para os celtas, o mundo estava em constante transformação, noção baseada na experiência de observação e de adoração da natureza; o importante é o presente, o momento, a harmonia e a saúde do corpo e do espírito.
Para falar sobre druidismo, a magia e a espiritualidade dos povos celtas, entrevistamos Ana Elisabeth Cavalcanti da Costa, autora de Sabedoria e Magia dos Celtas – Princípios do Druidismo, seu sétimo livro publicado pela Berkana Editora (dos demais: Runas, O Caminho da Vida; Bruxas de Verdade; Bruxas, Amor e Magia; Conselhos das Bruxas; Oráculo das Bruxas; Tarot Sem Mistério),
Ana Elizabeth se formou em História e Estudos Sociais e há anos vem pesquisando as religiões e a magia dentro dos ciclos da humanidade.
Diz que foi atraída para a cultura celta pelo fato de que quando se fala em magia, principalmente no mundo ocidental, sempre existem referências a esses povos.
Então, teve a idéia de escrever um livro com embasamento histórico e que contivesse as práticas e rituais de magia desse povo.
Fala-se muito a respeito da origem dos celtas, mas quase sempre com algumas contradições.
Qual é, na verdade, a origem do povo celta? De onde eles vieram e onde se estabeleceram?
Os celtas estiveram presentes em praticamente todo o continente europeu, que possui fragmentos de sua cultura.
O seu habitat inicial era o sudoeste da Alemanha, Europa ocidental e central.
Com o domínio da agricultura, tecnologia na cerâmica e no bronze, ao longo de séculos, eles invadiram França, Espanha, Tchecoslováquia, sula da Alemanha, Áustria e Grã-Bretanha.
A sua história se estendeu por cerca de dois mil anos (de 1800 aC até o final do século 1 dC).
A partir de 660 aC, invadiram a Península Ibérica e, até metade do século 2 aC, expandiram para Ucrânia, Grécia, Ásia Menor, Gália e grande parte da Itália.
Quando se fala dos povos celtas, não se fala de um império celta, porque eles viviam em tribos independentes; o poder era dado ao rei, escolhido pelo grupo, e que cuidava do bem-estar da sua comunidade.
Quando uma tribo atingia um número determinado de habitantes, ela se dividia.
Uma parte para outro lugar a fim de organizar uma nova aldeia, seguindo o sinal que era fornecido pelas aves totêmicas, até chegarem às novas terras.
Eles eram organizados política e socialmente em tribos independentes que, ao longo dos anos, foram se espalhando pela Europa.
Não são considerados um povo com etnia homogênea, as possuíam a mesma língua e religião, que servia como um elo entre os membros das diversas tribos, dando-lhes a característica de “celta”.
Qual o papel da magia na sociedade celta?
Como a magia surgiu e se desenvolveu na sociedade celta?
Acredito que tudo foi se desenvolvendo de uma forma espontânea.
Historicamente, foi através da observação da natureza que o homem criou a religião, passou a crer e a confiar em deuses, em energias superiores que pudessem protege-los em situações nas quais se sentia impotente.
O cotidiano celta era repleto de uma magia natural, que acontecia através da forma com que observavam o mundo.
Para os celtas, os mundos físico e espiritual eram um único mundo; não havia separação entre o natural e o sobrenatural.
Eles enalteciam o universo natural, reconheciam seu valor na sua energia.
A sua mitologia e religião estavam centraliza, representando o amor, a morte, a sexualidade e a fertilidade.
O celta percebia que todo homem pertence à grande teia da natureza, e que a vida é uma sucessão de novas experiências e descobertas.
Alguns lugares eram considerados sagrados por possuírem uma energia especial, da mesma forma que algumas épocas do ano (estações) eram festejadas com os famosos sabás.
Pode-se dizer que a magia sempre esteve presente no cotidiano celta e podia ser praticada por qualquer um, apesar da existência dos druidas, sacerdotes organizados num clero.
Alguns autores e pesquisadores se referem à sociedade celta como matriarcal; outros não concordam com esse ponto de vista.
O que você pensa a esse respeito?
Acredito que talvez o melhor termo a ser empregado é a de que a sociedade celta era semipatriarcal.
Você pode achar estranho o termo, mas não é.
Perceba que o povo era dividido em tribos que tinham o seu rei, o seu druida, e que esse povo tinha suas crenças religiosas ligadas à natureza, à Mãe Terra.
Para o celta, a mulher era especial, e muito, porque era associada à Mãe Terra.
As mulheres eram vistas como aspectos vivos da criação, porque vivenciavam todos os meses com o ciclo menstrual, o processo da vida, morte e renascimento, além do poder de gerar vidas.
Vou dar um exemplo: Dergflaith era um dos nomes célticos dado à menstruação, e significava “soberania vermelha”.
O vermelho representava soberania, poder, vida. Pense então nos mantos vermelhos dos reis.
A menstruação tinha conotação de sagrado, porque acreditavam que a mulher se tornava ancorada e enraizada nesse período.
Nos períodos de menstruação, as mulheres se isolavam numa cabana ou se dirigiam à floresta, compartilhavam sobre os problemas da tribo.
Outro ponto que pode ilustrar o poder feminino se refere ao ritual religioso e mágico hieròs-gámos (casamento sagrado), no qual uma mulher que tinha o poder mágico representava a Deusa e concedia aos reis e heróis grandes poderes.
Dentro da sociedade celta, a mulher dominava a religião.
Podia ser uma guerreira e podia escolher o seu parceiro.
Quando ela se casava, trazia para o casamento seus bens, e se eles fossem superiores aos do marido, ela se tornava chefe do casal. Há ainda uma coisa importante para se dizer com relação a concepção de união eterna e fidelidade, nem de traição.
No casamento, previlegiava-se o amor, ao mesmo tempo em que o casamento era visto como um contrato que poderia ser rompido, pois existia o divórcio.
São concepções interessantes para uma época tão distante porque, na verdade, a mulher celta era tudo o que a mulher de hoje “briga” muito por ser.
Como os celtas se relacionam com os elementos da natureza? É uma religião xamânica?
A primeira grande lição que os celtas nos dão é a da observação e do respeito pela natureza.
Levavam sempre em consideração a Roda do Ano (estações), os elementos da natureza, os pontos cardeais, o Sol, a Lua, e valorizavam a energia de tudo o que os rodeava.
Eles reconheciam a energia dos elementos da natureza.
A terra, o ar, o fogo, e a água são representações e formas diferentes de energia, e a partir desses elementos todas as coisas são formadas.
É o que chamamos de energia elemental, seres do mundo espiritual cuja tarefa é dirigir o poder divino para as formas da natureza.
As pedras, por exemplo, eram consideradas como as energias espirituais mais antigas da Terra, e guardavam ensinamentos profundos, que eram revelados quando eram reverenciadas.
Toda a Bretanha, Irlanda e Grã-Bretanha possuem pedras verticais espalhadas por diversas regiões, com tamanhos diversos.
Os celtas se relacionavam com os elementos e com os seres elementais em seu cotidiano e em rituais de magia.
A própria mitologia celta nos dá provas disso quando relata histórias nas quais os heróis se perdem no Outro Mundo, repleto de seres elementais.
A religião celta possui algumas características xamãnicas, pois estava sempre em contato com a natureza e os seus espíritos.
Para eles, por exemplo, os animais possuem dons especiais para a cura e sempre nos dão grandes lições de vida.
Animais totêmicos representavam a tribo e serviam como proteção.
O ogham, alfabeto celta utilizado pelos druidas, é conhecido como alfabeto da árvore, no qual cada letra representa uma árvore com energia e características específicas.
Os druidas, como os xamãs, recebiam revelações por sua interação com o Outro Mundo, praticavam a adivinhação e faziam o uso do tambor, da dança e do cogumelo amanita buscaria em seus rituais.
Qual a relação entre o druidismo e a religião celta em geral com a Wicca, se é que ela existe?
Existe uma forte relação.
Podemos dizer que as raízes da Wicca estão na antiga religião celta e, por conseqüência, no druidismo.
Sua essência básica é centrada na Grande Mãe, a figura do Divino Feminino, mas a tradição Wicca possui uma grande carga de elementos que não faziam parte da religião celta.
Esses elementos vêm da Magia Ritual, Cabala, tradições da maçonaria e até mesmo da Golden Dawn.
Existem boatos de que Crowley, famoso ocultista do século 20, teria “encomendado” ao seu amigo Gardner a criação da Wicca para popularizar a religião Thelêmica, e sabemos que foi através das obras de Gardner que o paganismo foi ressuscitado.
O pentagrama, por exemplo, surge como símbolo de paganismo moderno, e não é um símbolo de origem celta.
Ele era usado na Mesopotâmia por volta de 3.500 a.C. e, através da cultura judaica da cabala, acabou fazendo parte dos rituais da tradição Wicca.
Outro exemplo que posso citar é o uso do athame ou punhal nos rituais wiccanos, como canalizadores de energia, fato desconhecido na religião celta.
Para o celta, a religião e a magia eram algo muito natural, fazia parte do seu cotidiano.
A Wicca, embora tenha raízes celtas, é muito ritualística, especialmente hoje em dia.
Em muitos segmentos wiccanos, percebe-se atualmente, como em outras religiões, um apego muito grande aos rituais e até mesmo um certo grau de fanatismo, e isso não é saudável em nenhuma crença.
O ideal é fazer dos ensinamentos uma base para se ter uma vida saudável e feliz.
Como esses conhecimentos antigos da espiritualidade dos celtas se relacionam com a sociedade atual?
Em que e de que forma eles podem nos ajudar?
Em todos os conceitos celtas encontramos grande lições que podem nos auxiliar a viver melhor.
Um de seus mais sábios conceitos é o de que o tempo está e estará a nosso favor, no oferecendo oportunidades que, muitas vezes, devem ser compreendidas em alguns segundos, mas que podem transformar qualquer coisa.
A filosofia de vida celta era muito simples: observar as grandes lições da Mãe Natureza, o que é uma grande dificuldade para o homem moderno. Para eles, a vida era um eterno movimento cíclico de transformação permanente: nascemos, crescemos, morremos e renascemos.
Há o momento certo para cada coisa: arar a terra, semear, colher.
As estações do ano são a prova da Natureza de que sempre, após um inverno rigoroso, há a chegada da primavera.
Eles nos mostram que é preciso aprender a perder para ganhar depois.
Cada problema ou situação difícil, cada “doença” contém uma bênção para a cura e liberdade.
Os celtas acreditavam que podemos, com responsabilidade e respeito, acionar os planos superiores, o Outro Mundo.
Para, eles, o Outro Mundo, com sua graça de mistérios, está em nosso interior.
Toda pessoa possui dentro de si uma chama, uma fogueira tranqüila, uma alma.
É preciso perceber a sua alma, realizar uma ligação com a sua chama interior, mostrando que é preciso estar sempre ligado à sua própria essência.
Outra coisa muito bonita e importante nos ensinamentos celtas é o valor que eles davam à amizade, coisa rara nas sociedades modernas em que as pessoas sempre se esquivam das outras, por medo de serem “sugadas”.
Para esse povo, uma amizade ultrapassava qualquer fronteira, qualquer plano.
Existe a expressão gaélica que retrata muito o valor que davam à amizade, anam cara (amigo da alma), que O’Donohue retratou de uma forma encantadora em sua obra.
O conceito de amizade deu aos celtas a idéia de companherismo, solidariedade, fidelidade, amizade profunda e especial.
Além de seus conceitos sobre a vida, o universo mágico celta pode nos auxiliar a adquirir mais equilíbrio, tranqüilidade, vigor, prosperidade, coragem, amor em nosso dia-a-dia, através de suas antigas práticas de magia com elementos da natureza.
A natureza está aí: é só acionar a sua energia.
O caminho da espiritualidade ou religiosidade celta pode ser seguido, hoje em dia, individualmente, ou ele necessita um mestre, um facilitador?
A espiritualidade e sua religiosidade podem ser seguidos por qualquer um. Existe muita gente com “espírito celta”, e nem sabe disso. São aquelas pessoas que respeitam a natureza, compreendem os processos e ciclos da vida e possuem amigos.
Eu acredito que aquele que se interessar por sua religião, rituais e práticas de magia podem faze-lo sem medo, porque estará fazendo algo com boas intenções.
O interessante é tentar fazer da magia algo natural em sua vida, da mesma forma que os celtas a viviam.
Concordo com Scott Cunnigham, que afirmou que as práticas de magia podem ser vivenciadas de forma solitária e individual.
Hoje, existem muitas formas de se obter informações sobre as práticas de rituais de diversas tradições.
Cada um deve saber escolher o seu caminho.
Alguns podem trilha-lo solitariamente, outros podem ter um mestre ou um facilitador. Entretanto, acho importante dizer que mesmo que você queira ter um mestre, é preciso procurar pelo conhecimento também em outras fontes.
Eu recebo muita correspondência de gente jovem me fazendo sempre muitas perguntas sobre magia e rituais.
Eu aconselho àqueles que tem curiosidade e gostam do tema, que procurem ler e se informar muito antes de participar de qualquer grupo.
Notas: Extraído da revista Sexto Sentido 44; 34-39
Origem do Texto: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com/2011/12/celtas-magia-espiritualidade-e.html
Os Celtas e os Vikings
Vi estes dois vídeos no YouTube e achei bem interessantes!
Contam um pouco da História Celta e Viking.
Contam um pouco da História Celta e Viking.
Vídeo 1 - Os Celtas
- Origem da Cultura
- Os Druidas
- Os Gauleses e os Romanos
Vídeo 2 - Os Vikings
A formação do Pajé
A palavra tupi-guarani que, entre nós, designa o xamã é pai’é, grafada em português como pajé. Embora exista uma surpreendente uniformidade nos procedimentos dos xamãs, ocorre uma grande diversidade de explicações para o surgimento dos mesmos. Em alguns casos, a explicação é a hereditariedade, ou seja, somente podem ser xamãs os descendentes de um outro.
No caso tupi-guarani, o fator hereditário não é necessário. Acredita-se que se trata de um dom que deve ser descoberto e desenvolvido através do aprendizado. Entre os assurinis, do Rio Tocantins, constatamos a existência de um ritual denominado opetimo (literalmente: comer fumo) que tem como objetivo identificar, entre os jovens, aqueles que têm o potencial de se transformar em um pai’é. Entre cantos e danças, os candidatos fumam um grande charuto de tabaco, engolindo a fumaça. Os que se sentem mal, ou seja, têm ânsia de vômitos, são descartados. Os que desmaiam são os escolhidos. “Omano”, grita o pai’é oficiante do ritual, ou seja: “ele morreu”. É “morrendo” que se faz a viagem para o outro mundo, o que torna possível o contato com os antepassados.
A maior parte do trabalho dos xamãs consiste em efetuar curas através do controle dos espíritos que provocam as doenças e, até mesmo, a morte.
O texto seguinte descreve como uma cura é efetuada:
“Os pajés preferem curar à noite, uma das razões é que assim garantem uma audiência, o que seria difícil durante o dia, quando muitos estão para as roças. O pajé inicia a cura cantando as canções daquele sobrenatural que o seu inquérito leva a considerar como provável. Acompanha a si mesmo, marcando o ritmo da canção como uma batida forte de pé chacoalhando o maracá. Dança em volta do paciente; em geral, a família deste e alguns dos circunstantes o acompanham. A esposa ou um ajudante preparam-lhe os cigarros feitos de folhas de fumo enroladas em fibra de tawari. Um ajudante toma o maracá e o pajé preocupa-se daí por diante com a cura propriamente dita. Chupa repetidas vezes no cigarro para soprar a fumaça em suas mãos ou no corpo do paciente. Afasta-se para um lado e chupa no cigarro até que, meio tonto, recua de súbito e leva as mãos ao peito, o que indica ter recebido o espírito em seu corpo. Sob a influência do espírito o pajé comporta-se de maneira peculiar. Se é espírito de macaco, por exemplo, dança aos saltos, gesticula e grita como esse animal. O transe se prolonga enquanto o espírito está forte. Algumas vezes o espírito ‘vem forte demais’ e ele cai ao chão inconsciente. É durante o transe, enquanto está possuído pelo espírito, que o pajé cura” (cf. Wagley & Galvão, 1961).
É comum que o xamã chupe uma parte do corpo do paciente e, em seguida, mostre um pequeno objeto, que teria retirado de dentro do mesmo. No caso tenetehara, relatado acima, o pajé escondia esse objeto dentro da mão para fazê-lo desaparecer depois.
Mas é na direção dos rituais coletivos que o xamã demonstra o seu prestígio junto ao grupo. Gostaríamos de descrever um ritual a que assistimos entre os suruís, do sudeste do Pará.
O Ahiohaia ocorre na primeira lua cheia, depois da queimada da roça. A providência inicial para a sua celebração é o erguimento de uma casa cerimonial no centro do pátio da aldeia. Ela é toda fechada com folhas de palmeira tendo, apenas, uma pequena porta. Essa casa, que recebe o nome de tokasa (esta mesma palavra significa “tocaia”), é a representação da itakuara (literalmente “buraco na pedra”, caverna onde vivem os karuara). Enquanto durar a lua cheia, os homens, devidamente pintados com tinta de jenipapo, participam de uma dança que se realiza desde o nascer do sol até cerca de duas horas mais tarde. Recomeçam ao entardecer, com a mesma duração, até o pôr-do-sol. Nesse período é interditado aos participantes deixar a aldeia, por qualquer motivo, não podendo banhar-se nos riachos e principalmente entrar na floresta. Somente determinadas pessoas podem participar da caça e ir ao igarapé buscar a água necessária, inclusive, para o banho dos participantes. Acredita-se que o xamã, além de atrair os karuara – uma variedade de seres sobrenaturais –, atrai também as almas dos antepassados das pessoas presentes no ritual. De fato, uma das canções entoadas no início do ritual possuía um estribilho que era precedido pelos nomes de todos os antepassados que ainda constam da memória do grupo. No final do ritual, a casa é desmanchada e o material jogado bem longe no mato.
A enorme dispersão dos povos tupi-guaranis por uma imensa área geográfica, conjugada com um longo isolamento, provocou diferentes transformações em seus sistemas de crenças. Procuramos, neste trabalho, acentuar mais as semelhanças do que o contrário. Mas é preciso alertar o leitor que em muitos pontos ainda existe, por parte dos diversos pesquisadores, uma incompreensão do sistema religioso, o que demanda mais pesquisas. Um desses pontos refere-se à noção de alma. Em sua denominação mais usual, provavelmente referindo-se apenas à alma de um homem vivo, o termo utilizado é owera. Uma outra denominação refere-se aos espíritos dos mortos, asonga. Entre os kaapor, a palavra utilizada para este caso é anhang, que freqüentemente é traduzida como “diabo”. Diferentemente dos karoara, que são espíritos independentes dos homens, os asonga interferem nos sonhos dos vivos, perambulam pela floresta, podem ser vistos, tornando doente quem tiver a infelicidade de encontrá-los. Mas não vagam eternamente pelo mundo: ao contrário, a sua permanência é curta e um dia atingem o “céu”, através da itakuara. Lúcia Andrade (1992), que trabalhou entre os assurinis do Tocantins, obteve as informações que esclarecem a confusão entre owera e asonga:
“[o pajé] aprende as canções nos sonhos com os mortos, com seus espectro-terrestres, denominados asonga. Ao morrer, o ser humano divide-se em espírito-celeste (que se dirige à aldeia dos mortos e com o qual não se tem mais contato) e em espectro-terrestre, que vive na mata e ronda a aldeia […]. Há uma clara identificação entre o asonga e a personalidade do morto; não se trata de uma manifestação repetitiva e impessoal. Os laços de parentesco e amizade parecem inclusive perpetuar-se”.
Utilizamos a palavra “céu” para indicar o local onde vivem as almas dos antepassados e o herói mítico e principal ancestral, Mahyra. Existem divergências a respeito desse local: os suruís e os assurinis referem-se a uma região acima das nuvens, a que se chega através da itakuara. Os guaranis preferem se referir a uma “terra sem males”. Nimuendaju colheu uma descrição entre os apopokuvas:
“Perto da casa de Mahyra está uma grande aldeia. Seus habitantes vivem magnificamente. Para seu sustento diário necessitam apenas de algumas pequenas frutas semelhantes à cuia: ela se planta e se colhe sozinha. Mahyra e seus companheiros no campo de ikawéra têm o nome de karoara. Quando envelhecem não morrem, mas tornam-se novamente jovens. Cantam, dançam e celebram festas sem cessar”.
É difícil definir o que sejam os karoara. Wagley e Galvão (1961) concordam em parte com Nimuendaju:
“Os Tenetehara se referem aos sobrenaturais pela designação genérica de karoara, porém os distingue pelo menos em quatro categorias: criadores ou heróis culturais (Mahira, Mukwani, Tupã e Zurupari); os donos das florestas, das águas e dos rios (Ywan, Maranaywa); os azang, espíritos errantes dos mortos; e os espíritos de animais (piwara)”.
A nossa interpretação, resultante de trabalhos entre suruís e assurinis, nos levou a considerar os karoara como espíritos especiais que podem causar doenças ou mortes. Nas situações de cura, os pai’é os retiram do corpo do doente, podendo também fazer o mesmo com os asonga. Entretanto, outros pesquisadores chegaram a conclusões diferentes. Lúcia Andrade considera que o karoara é uma espécie de força através da qual o pai’é recebe a sua força, desde que ela lhe tenha sido transferida pelo espírito-onça. Segundo Andrade (1992), “possuir a força implica em responsabilidade e perigo. Caso uma série de cuidados não sejam observados o karoara pode matar o seu próprio dono, ou ainda outros indivíduos”. Compete aos pai’é retirar dos homens o karoara, quando este ameaça a sua integridade. É semelhante a explicação de Antônio Carlos Magalhães (1994), que estudou os parakanãs do Tocantins, com a diferença que, nesse caso, o karoara aparece mais como uma força negativa. Em todo caso, torna-se necessário um estudo comparativo mais aprofundado sobre o tema.
por Roque de Barros Laraia
Editado por Bacana
Texto original: http://www.usp.br/revistausp/67/01-laraia.pdf
No caso tupi-guarani, o fator hereditário não é necessário. Acredita-se que se trata de um dom que deve ser descoberto e desenvolvido através do aprendizado. Entre os assurinis, do Rio Tocantins, constatamos a existência de um ritual denominado opetimo (literalmente: comer fumo) que tem como objetivo identificar, entre os jovens, aqueles que têm o potencial de se transformar em um pai’é. Entre cantos e danças, os candidatos fumam um grande charuto de tabaco, engolindo a fumaça. Os que se sentem mal, ou seja, têm ânsia de vômitos, são descartados. Os que desmaiam são os escolhidos. “Omano”, grita o pai’é oficiante do ritual, ou seja: “ele morreu”. É “morrendo” que se faz a viagem para o outro mundo, o que torna possível o contato com os antepassados.
A maior parte do trabalho dos xamãs consiste em efetuar curas através do controle dos espíritos que provocam as doenças e, até mesmo, a morte.
O texto seguinte descreve como uma cura é efetuada:
“Os pajés preferem curar à noite, uma das razões é que assim garantem uma audiência, o que seria difícil durante o dia, quando muitos estão para as roças. O pajé inicia a cura cantando as canções daquele sobrenatural que o seu inquérito leva a considerar como provável. Acompanha a si mesmo, marcando o ritmo da canção como uma batida forte de pé chacoalhando o maracá. Dança em volta do paciente; em geral, a família deste e alguns dos circunstantes o acompanham. A esposa ou um ajudante preparam-lhe os cigarros feitos de folhas de fumo enroladas em fibra de tawari. Um ajudante toma o maracá e o pajé preocupa-se daí por diante com a cura propriamente dita. Chupa repetidas vezes no cigarro para soprar a fumaça em suas mãos ou no corpo do paciente. Afasta-se para um lado e chupa no cigarro até que, meio tonto, recua de súbito e leva as mãos ao peito, o que indica ter recebido o espírito em seu corpo. Sob a influência do espírito o pajé comporta-se de maneira peculiar. Se é espírito de macaco, por exemplo, dança aos saltos, gesticula e grita como esse animal. O transe se prolonga enquanto o espírito está forte. Algumas vezes o espírito ‘vem forte demais’ e ele cai ao chão inconsciente. É durante o transe, enquanto está possuído pelo espírito, que o pajé cura” (cf. Wagley & Galvão, 1961).
É comum que o xamã chupe uma parte do corpo do paciente e, em seguida, mostre um pequeno objeto, que teria retirado de dentro do mesmo. No caso tenetehara, relatado acima, o pajé escondia esse objeto dentro da mão para fazê-lo desaparecer depois.
Mas é na direção dos rituais coletivos que o xamã demonstra o seu prestígio junto ao grupo. Gostaríamos de descrever um ritual a que assistimos entre os suruís, do sudeste do Pará.
O Ahiohaia ocorre na primeira lua cheia, depois da queimada da roça. A providência inicial para a sua celebração é o erguimento de uma casa cerimonial no centro do pátio da aldeia. Ela é toda fechada com folhas de palmeira tendo, apenas, uma pequena porta. Essa casa, que recebe o nome de tokasa (esta mesma palavra significa “tocaia”), é a representação da itakuara (literalmente “buraco na pedra”, caverna onde vivem os karuara). Enquanto durar a lua cheia, os homens, devidamente pintados com tinta de jenipapo, participam de uma dança que se realiza desde o nascer do sol até cerca de duas horas mais tarde. Recomeçam ao entardecer, com a mesma duração, até o pôr-do-sol. Nesse período é interditado aos participantes deixar a aldeia, por qualquer motivo, não podendo banhar-se nos riachos e principalmente entrar na floresta. Somente determinadas pessoas podem participar da caça e ir ao igarapé buscar a água necessária, inclusive, para o banho dos participantes. Acredita-se que o xamã, além de atrair os karuara – uma variedade de seres sobrenaturais –, atrai também as almas dos antepassados das pessoas presentes no ritual. De fato, uma das canções entoadas no início do ritual possuía um estribilho que era precedido pelos nomes de todos os antepassados que ainda constam da memória do grupo. No final do ritual, a casa é desmanchada e o material jogado bem longe no mato.
A enorme dispersão dos povos tupi-guaranis por uma imensa área geográfica, conjugada com um longo isolamento, provocou diferentes transformações em seus sistemas de crenças. Procuramos, neste trabalho, acentuar mais as semelhanças do que o contrário. Mas é preciso alertar o leitor que em muitos pontos ainda existe, por parte dos diversos pesquisadores, uma incompreensão do sistema religioso, o que demanda mais pesquisas. Um desses pontos refere-se à noção de alma. Em sua denominação mais usual, provavelmente referindo-se apenas à alma de um homem vivo, o termo utilizado é owera. Uma outra denominação refere-se aos espíritos dos mortos, asonga. Entre os kaapor, a palavra utilizada para este caso é anhang, que freqüentemente é traduzida como “diabo”. Diferentemente dos karoara, que são espíritos independentes dos homens, os asonga interferem nos sonhos dos vivos, perambulam pela floresta, podem ser vistos, tornando doente quem tiver a infelicidade de encontrá-los. Mas não vagam eternamente pelo mundo: ao contrário, a sua permanência é curta e um dia atingem o “céu”, através da itakuara. Lúcia Andrade (1992), que trabalhou entre os assurinis do Tocantins, obteve as informações que esclarecem a confusão entre owera e asonga:
“[o pajé] aprende as canções nos sonhos com os mortos, com seus espectro-terrestres, denominados asonga. Ao morrer, o ser humano divide-se em espírito-celeste (que se dirige à aldeia dos mortos e com o qual não se tem mais contato) e em espectro-terrestre, que vive na mata e ronda a aldeia […]. Há uma clara identificação entre o asonga e a personalidade do morto; não se trata de uma manifestação repetitiva e impessoal. Os laços de parentesco e amizade parecem inclusive perpetuar-se”.
Utilizamos a palavra “céu” para indicar o local onde vivem as almas dos antepassados e o herói mítico e principal ancestral, Mahyra. Existem divergências a respeito desse local: os suruís e os assurinis referem-se a uma região acima das nuvens, a que se chega através da itakuara. Os guaranis preferem se referir a uma “terra sem males”. Nimuendaju colheu uma descrição entre os apopokuvas:
“Perto da casa de Mahyra está uma grande aldeia. Seus habitantes vivem magnificamente. Para seu sustento diário necessitam apenas de algumas pequenas frutas semelhantes à cuia: ela se planta e se colhe sozinha. Mahyra e seus companheiros no campo de ikawéra têm o nome de karoara. Quando envelhecem não morrem, mas tornam-se novamente jovens. Cantam, dançam e celebram festas sem cessar”.
É difícil definir o que sejam os karoara. Wagley e Galvão (1961) concordam em parte com Nimuendaju:
“Os Tenetehara se referem aos sobrenaturais pela designação genérica de karoara, porém os distingue pelo menos em quatro categorias: criadores ou heróis culturais (Mahira, Mukwani, Tupã e Zurupari); os donos das florestas, das águas e dos rios (Ywan, Maranaywa); os azang, espíritos errantes dos mortos; e os espíritos de animais (piwara)”.
A nossa interpretação, resultante de trabalhos entre suruís e assurinis, nos levou a considerar os karoara como espíritos especiais que podem causar doenças ou mortes. Nas situações de cura, os pai’é os retiram do corpo do doente, podendo também fazer o mesmo com os asonga. Entretanto, outros pesquisadores chegaram a conclusões diferentes. Lúcia Andrade considera que o karoara é uma espécie de força através da qual o pai’é recebe a sua força, desde que ela lhe tenha sido transferida pelo espírito-onça. Segundo Andrade (1992), “possuir a força implica em responsabilidade e perigo. Caso uma série de cuidados não sejam observados o karoara pode matar o seu próprio dono, ou ainda outros indivíduos”. Compete aos pai’é retirar dos homens o karoara, quando este ameaça a sua integridade. É semelhante a explicação de Antônio Carlos Magalhães (1994), que estudou os parakanãs do Tocantins, com a diferença que, nesse caso, o karoara aparece mais como uma força negativa. Em todo caso, torna-se necessário um estudo comparativo mais aprofundado sobre o tema.
por Roque de Barros Laraia
Editado por Bacana
Texto original: http://www.usp.br/revistausp/67/01-laraia.pdf
A controvérsia Tupã - Mahyra
Mahyra é a personagem central de um equívoco que data de cinco séculos: no século XVI, os jesuítas procuraram descobrir uma entidade sobrenatural que pudesse ser comparada ao Deus cristão a fim de facilitar a catequese. E tudo indica que foi Manoel da Nóbrega quem fez a escolha: “Esta gentilidade nenhuma coisa adora, nem conhece Deus, somente aos trovões chamam de Tupane; que é como quem diz coisa divina. E assim nós não temos outro vocábulo mais conveniente para os trazer ao conhecimento de Deus, que chamar-lhe Pai Tupane”. Não há dúvida que a adoção dessa palavra, com esse sentido, constituiu em mais uma dificuldade para as missões jesuíticas.
De um modo geral, Tupã poderia ter sido melhor definido como um demônio, temido por controlar o raio e o trovão e, assim, consequentemente, a morte e a destruição. Dessa maneira os sentimentos indígenas para com essa entidade são mais de medo do que veneração. Durante a nossa permanência entre os kaapor, por ocasião de uma tempestade, acompanhada de muitos trovões e raios, os índios abandonaram as suas casas, armados de arcos ou rifles, e fizeram vários disparos contra o céu, acompanhando esses gestos com imprecações raivosas, numa tentativa de dissimular o medo que Tupã lhes inspira. Quando a natureza se acalmou, um deles voltou para casa para guardar o seu rifle, e me disse sorrindo: “Tupã zangado muito”.
Uma melhor comunicação entre os tupis e os jesuítas teria ocorrido se estes tivessem dado atenção às palavras de frei André Thevet (1941): “Os selvagens fazem menção a um grande senhor, chamando-lhe em sua língua de Tupã, o qual, dizem, lá no alto troveja e faz chover; mas de nenhum modo sabem orar ou venerar, nem tem lugar próprio para isto. E se alguém lhes fala de Deus, como o fiz, escutam admirados e atentos, perguntando se o Deus que se fala não seria talvez o profeta que lhes ensinou a plantar essas grossas raízes, chamadas por eles de hetich [mandioca]”. Thevet referia-se a Mairemonan, o herói mítico dos tupinambás, que lhes ensinou a plantar, utilizar o fogo, fabricar instrumentos, além de fornecer-lhes as normas de seu comportamento social, sendo considerado como o grande antepassado dos tupis. Os tupis da Amazônia o chamam de Mahyra, Bahira, Maira ou Mair.
Do ponto de vista antropológico ele pode ser definido como um herói civilizador, desde que os tupis não têm a ideia de um ser supremo, eterno e criador de todas as coisas, como o Deus cristão. Na mitologia kaapor, Mahyra saiu de um pé de jatobá, em um mundo calcinado por um grande incêndio, plantando novamente tudo o que o fogo queimou. O seu grande feito foi a criação do povo tupi. Tudo começou quando, recém-saído do pé de jatobá, sentiu o desejo sexual. Encontrou, então, uma fruta que lhe lembrou o órgão sexual feminino. Transformou a fruta em uma mulher, com quem teve relações sexuais e gerou dois gêmeos: Kwarahi, o Sol, e Yahy, Lua (para os tupis, Sol e Lua são do gênero masculino). Mahyra, como vimos, não é eterno, mas imortal. Quando envelhece, “faz como as cobras e as aranhas, troca de pele e fica novo novamente” (Ribeiro, 1974).
Uma das funções de um sistema de crença é ser explicativo. Se Mahyra é imortal, por que não o são os seus descendentes? A resposta está contida na continuação do mito da criação. Após ter criado a primeira mulher – nenhuma variação do mito faz menção ao seu nome – ele construiu uma casa e plantou toda uma roça de milho. No dia seguinte, ordenou que a mulher fosse colher o milho. Esta retrucou que não havia tempo suficiente para o milho ter crescido, o que não era verdade. O herói ficou furioso com o comportamento de sua “Eva” e partiu para o outro mundo, deixando na terra a sua mulher, grávida dos seus dois filhos. É interessante notar que a Eva cristã foi punida por ter colhido uma fruta proibida; a “Eva tupi” por não querer colher o milho e obedecer à ordem de Mahyra. Os dois fatos são antagônicos, mas resultaram em uma mesma consequência: a perda da imortalidade por parte dos homens. Coube a Kwarahi e Yahi continuar a obra civilizadora de seu pai, transformando os homens de seres da natureza em seres culturais. Os primeiros homens misturavam-se com os animais, estes falavam como os homens, tinham casas e usavam arma. Uma variante xinguana fala de relações sexuais entre homens e animais. O próprio Mahyra, em uma variante tenetehara, desconfia que Yahi não é seu filho, mas de Mukura (gambá). Foi Mahyra o autor do primeiro ato civilizatório, ao roubar o fogo dos urubus e entregá-lo aos homens. Os gêmeos, seus filhos, tomaram as armas dos animais, destruíram suas casas e roças, dizendo-lhes: “Vocês não são mais gente agora” (cf. Schaden, 1947).
Em todas as religiões indígenas, não se pode esperar uma estrutura que funcione dentro de uma lógica que é nossa. Os tupi guaranis se consideram descendentes de Mahyra, mas não têm uma genealogia mítica para tornar clara essa descendência. Não se preocupam mesmo em explicar com quem os gêmeos, do sexo masculino, se casaram para dar continuidade à estirpe de Mahyra. Ao contrário do texto bíblico que explica que Caim teve que buscar uma esposa ao “leste do Éden”, o mito tupi omite essa informação. Em todo caso, imaginam que outras mulheres deveriam existir, porque o que Mahyra fez foi, apenas, criar os tupis. O mundo já existia antes dele, que saiu de um pé de jatobá em uma terra destruída por um grande incêndio. Mas não é importante saber quem são as mulheres em uma sociedade fortemente patrilineal, pois os filhos descendem apenas do pai. É por tudo isso que até hoje os kaapor exclamam ao verem uma estrela cadente deslocando pelo céu: “Lá vai Mahyra, o nosso avô!”.
por Roque de Barros Laraia
Editado por Bacana
Texto original: http://www.usp.br/revistausp/67/01-laraia.pdf
Uma das funções de um sistema de crença é ser explicativo. Se Mahyra é imortal, por que não o são os seus descendentes? A resposta está contida na continuação do mito da criação. Após ter criado a primeira mulher – nenhuma variação do mito faz menção ao seu nome – ele construiu uma casa e plantou toda uma roça de milho. No dia seguinte, ordenou que a mulher fosse colher o milho. Esta retrucou que não havia tempo suficiente para o milho ter crescido, o que não era verdade. O herói ficou furioso com o comportamento de sua “Eva” e partiu para o outro mundo, deixando na terra a sua mulher, grávida dos seus dois filhos. É interessante notar que a Eva cristã foi punida por ter colhido uma fruta proibida; a “Eva tupi” por não querer colher o milho e obedecer à ordem de Mahyra. Os dois fatos são antagônicos, mas resultaram em uma mesma consequência: a perda da imortalidade por parte dos homens. Coube a Kwarahi e Yahi continuar a obra civilizadora de seu pai, transformando os homens de seres da natureza em seres culturais. Os primeiros homens misturavam-se com os animais, estes falavam como os homens, tinham casas e usavam arma. Uma variante xinguana fala de relações sexuais entre homens e animais. O próprio Mahyra, em uma variante tenetehara, desconfia que Yahi não é seu filho, mas de Mukura (gambá). Foi Mahyra o autor do primeiro ato civilizatório, ao roubar o fogo dos urubus e entregá-lo aos homens. Os gêmeos, seus filhos, tomaram as armas dos animais, destruíram suas casas e roças, dizendo-lhes: “Vocês não são mais gente agora” (cf. Schaden, 1947).
Em todas as religiões indígenas, não se pode esperar uma estrutura que funcione dentro de uma lógica que é nossa. Os tupi guaranis se consideram descendentes de Mahyra, mas não têm uma genealogia mítica para tornar clara essa descendência. Não se preocupam mesmo em explicar com quem os gêmeos, do sexo masculino, se casaram para dar continuidade à estirpe de Mahyra. Ao contrário do texto bíblico que explica que Caim teve que buscar uma esposa ao “leste do Éden”, o mito tupi omite essa informação. Em todo caso, imaginam que outras mulheres deveriam existir, porque o que Mahyra fez foi, apenas, criar os tupis. O mundo já existia antes dele, que saiu de um pé de jatobá em uma terra destruída por um grande incêndio. Mas não é importante saber quem são as mulheres em uma sociedade fortemente patrilineal, pois os filhos descendem apenas do pai. É por tudo isso que até hoje os kaapor exclamam ao verem uma estrela cadente deslocando pelo céu: “Lá vai Mahyra, o nosso avô!”.
por Roque de Barros Laraia
Editado por Bacana
Texto original: http://www.usp.br/revistausp/67/01-laraia.pdf
A origem de Halloween - Dos celtas aos romanos - Samhain
A origem de Halloween: Dos celtas aos romanos
Alguns historiadores rastreiam a origem do Halloween de volta aos povos celtas da Europa pré-medieval. Os celtas da Irlanda, Grã-Bretanha e França dividiram o seu ano em duas metades: a "metade da luz", consistindo em grande parte dos meses de primavera e verão quando os dias são mais longos e as noites mais curtas, e a "metade escura", constituída dos meses do outono e do inverno quando os dias são mais curtos e as noites são mais longas. Anualmente, os celtas celebravam o fim da “metade da luz” com o festival de "Samhain", o qual era observado durante o ciclo lunar de outubro / novembro. Após a conquista romana da Grã-Bretanha, os celtas britânicos adotaram o calendário juliano e fixaram a data da observância do Samhain para 1 de Novembro.
Fantasias e comidas tradicionais eram uma parte tradicional da festa celta. E enquanto Samhain começou estritamente como um festival celta, é provável que os aspectos da religião romana foram incorporados na sua observância ao longo dos quatro séculos de domínio romano na Bretanha (43-410 dC). Por exemplo, Pomona era a deusa romana das árvores e jardins frutíferos. Seu símbolo era uma maçã. Alguns estudiosos acreditam que isto pode explicar como maçãs cristalizadas e brincadeiras com maçãs passaram a ser associadas com o Halloween (Samhain mais tarde recebeu um novo nome – veja abaixo).
A origem de Halloween: De pagão a Cristão
Outros historiadores rastreiam a origem de Halloween de volta à tradição cristã antiga e duradoura de celebrar a vida dos mártires cristãos nos aniversários de suas mortes. Quando o Papa Bonifácio IV reconsagrou o Panteão em Roma no dia 13 de maio de 609 dC, renomeando-o de "Igreja de Santa Maria e dos Santos Mártires", ele estabeleceu esse aniversário como um dia de comemoração/lembrança dos mártires da Igreja. Papa Gregório III depois mudou a data de comemoração para 1 de novembro, quando ele dedicou uma capela na Basílica de São Pedro para "todos os santos". 1 de novembro se tornou o Dia de Todos os Santos. Enquanto Halloween começou como uma comemoração localizada, o Papa Gregório IV estendeu a sua observância para toda a cristandade no século 9 AD.
Enquanto o Cristianismo se espalhava pelo mundo, feriados pagãos ou foram cristianizados, ou foram esquecidos. Samhain foi absorvido pelo Dia das Bruxas (Halloween). Fantasias, presentes e brincadeiras com maçãs foram preservados e incorporados ao novo feriado. Esses costumes continuam sendo uma parte celebrada do Halloween até hoje, muitos séculos depois.
A origem de Halloween: Do sagrado ao secular, do secular ao pagão
A origem do Halloween como uma festa secular em muitas partes do mundo pode ser traçada à herança cristã da Europa. Impérios europeus conquistaram a maior parte do mundo nos séculos que seguiram a Idade da Exploração, permitindo-lhes a exportar a sua fé e festas cristãs para o resto do mundo. Com o Iluminismo do século 18, o secularismo criou raízes na Europa e se espalhou para suas colônias no exterior. Feriados cristãos como o Natal, Páscoa e Halloween foram secularizados em muitas partes do mundo. A celebração da ressurreição de Jesus Cristo foi substituída na cultura popular pelo coelho da Páscoa. “Doces ou Travessuras” obscureceram a memória dos mártires cristãos.
Origem do Texto: http://www.allaboutpopularissues.org/portuguese/origem-de-halloween.htm
Vocabulario - Wiccano e Druidismo
Esta é uma lista de termos wiccanos usados ou derivados da religião Wicca, normalmente usados em suas línguas de origem. O propósito principal desta lista é desambiguar grafias diferentes, definir o conceito em uma ou duas linhas, tornar fácil a localização do conceito que o utilizador esteja procurando e prover um guia centralizado para os conceitos Wiccanos.
Em alguns casos, pode ser difícil separar os conceitos Wiccanos de conceitos específicos da cultura celta, de outras formas de neopaganismo ou magia ritual. Muitos desses conceitos têm um significado específico quando utilizados em relação à Wicca.
Utilizadores devem notar que a língua gaélica (de onde vêm muitos dos termos Wiccanos) não possuía alfabeto próprio e que sua transliteração para o alfabeto romano pode gerar grafias diferentes para o mesmo conceito.
Foram também incluídos nesta lista termos utilizados por religiões próximas à Wicca, como o Druidismo, e que comumente podem ser confundidas com práticas Wiccanas
A
Amuleto - objeto natural que visa atrair sorte ao seu portador.
Asatru - Religião que cultua o Panteão Aesir.
Athame - Instrumento mágico, constitui-se numa pequena adaga ou punhal, quase sempre de dois gumes, normalmente utilizado para representação do elemento Ar, ou do princípio masculino. Algumas tradições utilizam o Athame como representação do elemento Fogo.
B
Banir - mandar embora, retirar, exterminar.
Bastão - Instrumento mágico, normalmente utilizado para representação do elemento Fogo, ou do princípio masculino. Algumas tradições utilizam o Bastão como representação do elemento Ar.
Beltane - Sabbat comemorativo do auge da Primavera
Besom - vassoura mágica.
Bolline - Instrumento mágico, constitui-se em uma faca ou pequena foice, normalmente utilizada para o corte de substâncias utilizadas em feitiçoes e encantamentos.
C
Caldeirão - Instrumento mágico, normalmente utilizado para concocção de poções ou infusões, para a queima de substâncias ou como representação do princípio feminino. Neste último caso, o caideirão deve ter três pés, representando as três 'faces' da Deusa.
Cálice - Instrumento mágico, normalmente utilizado para representação do elemento Água, ou do princípio feminino.
Cornífero, Deus - Representação do Deus, cultuada em alguns ritos wiccanos. Cornífero significa portador de chifres em latim.
Cone de Poder - energia mágica elevada e dirigida a um objetivo dentro dos rituais.
Consagração - ato de tornar algo abençoado, sagrado.
Corpo Astral - a contraparte espiritual do corpo físico.
Cosmogonia - teoria sobre a criação do Universo.
Cosmovisão - visão sobre a criação do Universo.
Coven - Grupo organizado para a prática da Wicca, normalmente com ritos próprios ao Coven.
Covener - membro de um coven.
Coveners - membros de um coven.
Covenstead - lugar onde o coven se reúne para práticas rituais.
Cowan - termo utilizado dentro da comunidade pagã, especialmente entre bruxos, para designar aqueles que não são iniciados nos mistérios da Arte.
D
Diânica - Tradições cujo culto é, em algum grau, mais focado na Deusa que no Deus.
Druidismo - Segmento pagão matrifocal centrado exclusivamente na figura da Deusa.
Deus, O - O Deus Cornífero é o Deus fálico da fertilidade. Geralmente é representado como um homem de barba com casco e chifres de bode. Ele é o guardião das entradas e do circulo mágico que é traçado para o ritual começar. É o Deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas. É o Deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.
Deusa, A - A Deusa é a energia Geradora do Universo, é associada aos poderes noturnos, a Lua, a intuição, aos lado inconsciente, à tudo aquilo que deve ser desvendado, daí o mito da eterna Ísis com o véu que jamais deve ser desvelado. A Lua jamais morre, mas muda de fase à cada 7 dias, representando os mistérios da eternidade e mutação. Por isso a Deusa é chamada de a “DEUSA TRÍPLICE DO CÍRCULO DO RENASCIMENTO”, pois também muda de face, assim como a Lua, e se mostra aos homens de três diferentes formas como: A VIRGEM, A MÃE e A ANCIÃ. Isso não difícil de se entender, pois dentro de Wicca todos os vários Deuses e as múltiplas faces e aspectos da Deusa, nada mais são do que a personificação e atributos da Grande Divindade Universal.
Dragões - Entidades a que alguns praticantes Wiccanos atribuem poderes sobre determinadas áreas de atuação mágica ou natural.
E
Elders - cargo dentro de um coven.
Esbat - Rituais em honra à Deusa, normalmente nas noites de Lua Cheia. Algumas tradições chamam também de Esbat rituais realizados nas demais fases da lua.
Eneagrama - A palavra Eneagrama origina-se do grego, "enneas", que significa "nove" e "grammos" que significa "pontos". É representado por um símbolo que tem uma circunferência com nove pontos e linhas que se interligam, formando uma estrela.
F
Fadas - Entidades a que alguns praticantes Wiccanos atribuem poderes sobre determinadas áreas de atuação mágica ou natural.
Faery Wicca - Nome de uma Tradição. Além disso, diz-se de toda prática Wiccana conectada a Fadas.
G
Grove - Grupo organizado de Covens
I
Imbolc - Sabbat comemorativo do auge do Inverno
L
Lammas - Outro nome para o Lughnasadh
Livro das Sombras - Diário usado por praticantes de magia ritual para registrar rituais, feitiços, e seus resultados, bem como outras informações mágicas.
Litha - Sabbat comemorativo do solstício de Verão
Lughnasadh - Sabbat comemorativo do auge do Verão
M
Mabon - Sabbat comemorativo do equinócio de Outono
N
Neófito - um novato, aquele que se preparar para a iniciação.
Neopaganismo - Nome dado ao conjunto de religiões que buscam recriar, reinstaurar ou reproduzir as antigas religiões pagãs
O
Ostara - Sabbat comemorativo do equinócio da Primavera
P
Pentáculo - Simbolos diversos usados como instrumentos mágicos, podendo ser usado também para a realização de pedidos ou como emblema de fé pela maioria dos Wiccanos.
Pentragrama - É uma estrela de 5 pontas entrelaçadas. É um símbolo de proteção.
Politeísmo - sistema de crença baseado em muitas Divindades.
Postulante - um neófito.
R
Rede - Código de ética fundamental da Wicca
Roda do Ano - Ciclo natural das estações, comemorado nos Sabbats.
S
Sabbat - Festivais sazonais, em honra ao Deus, comemorativos da Roda do Ano.
Samhain - Sabbat comemorativo do auge do Outono
Stregheria - Stregheria, Stregoneria ou Bruxaria Italiana são os nomes dados a Velha Religião (Vecchia Religione) da região da Itália. Culto Pagão com origens nos velhos Mistérios Egeus-Mediterrâneos, a Stregheria é uma Religião Iniciática composta de diversos Clãs (Tradições), na maioria Hereditários e extremamente herméticos. Vale resaltar que Stregheria, ao contrário do que muitos erroneamente pensam, não é Tradição de Wicca.
T
Tradição - Grupo organizado para a prática da Wicca, normalmente com ritos próprios à Tradição. Pode englobar vários Groves, Covens, Círculos e/ou praticantes solitários.
V
Vanatru - Religião que cultua o Panteão Vanir.
Vassoura - Vassoura comum ou especial, consagrada ao uso mágico
Vestuário - Vestimentas utilizadas ritualmente
Y
Yule - Sabbat comemorativo do solstício de Inverno
Fonte do Texto: http://bruxafabiana.blogspot.com/2010/03/vocabulario.html
Em alguns casos, pode ser difícil separar os conceitos Wiccanos de conceitos específicos da cultura celta, de outras formas de neopaganismo ou magia ritual. Muitos desses conceitos têm um significado específico quando utilizados em relação à Wicca.
Utilizadores devem notar que a língua gaélica (de onde vêm muitos dos termos Wiccanos) não possuía alfabeto próprio e que sua transliteração para o alfabeto romano pode gerar grafias diferentes para o mesmo conceito.
Foram também incluídos nesta lista termos utilizados por religiões próximas à Wicca, como o Druidismo, e que comumente podem ser confundidas com práticas Wiccanas
A
Amuleto - objeto natural que visa atrair sorte ao seu portador.
Asatru - Religião que cultua o Panteão Aesir.
Athame - Instrumento mágico, constitui-se numa pequena adaga ou punhal, quase sempre de dois gumes, normalmente utilizado para representação do elemento Ar, ou do princípio masculino. Algumas tradições utilizam o Athame como representação do elemento Fogo.
B
Banir - mandar embora, retirar, exterminar.
Bastão - Instrumento mágico, normalmente utilizado para representação do elemento Fogo, ou do princípio masculino. Algumas tradições utilizam o Bastão como representação do elemento Ar.
Beltane - Sabbat comemorativo do auge da Primavera
Besom - vassoura mágica.
Bolline - Instrumento mágico, constitui-se em uma faca ou pequena foice, normalmente utilizada para o corte de substâncias utilizadas em feitiçoes e encantamentos.
C
Caldeirão - Instrumento mágico, normalmente utilizado para concocção de poções ou infusões, para a queima de substâncias ou como representação do princípio feminino. Neste último caso, o caideirão deve ter três pés, representando as três 'faces' da Deusa.
Cálice - Instrumento mágico, normalmente utilizado para representação do elemento Água, ou do princípio feminino.
Cornífero, Deus - Representação do Deus, cultuada em alguns ritos wiccanos. Cornífero significa portador de chifres em latim.
Cone de Poder - energia mágica elevada e dirigida a um objetivo dentro dos rituais.
Consagração - ato de tornar algo abençoado, sagrado.
Corpo Astral - a contraparte espiritual do corpo físico.
Cosmogonia - teoria sobre a criação do Universo.
Cosmovisão - visão sobre a criação do Universo.
Coven - Grupo organizado para a prática da Wicca, normalmente com ritos próprios ao Coven.
Covener - membro de um coven.
Coveners - membros de um coven.
Covenstead - lugar onde o coven se reúne para práticas rituais.
Cowan - termo utilizado dentro da comunidade pagã, especialmente entre bruxos, para designar aqueles que não são iniciados nos mistérios da Arte.
D
Diânica - Tradições cujo culto é, em algum grau, mais focado na Deusa que no Deus.
Druidismo - Segmento pagão matrifocal centrado exclusivamente na figura da Deusa.
Deus, O - O Deus Cornífero é o Deus fálico da fertilidade. Geralmente é representado como um homem de barba com casco e chifres de bode. Ele é o guardião das entradas e do circulo mágico que é traçado para o ritual começar. É o Deus pagão dos bosques, o rei do carvalho e senhor das matas. É o Deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.
Deusa, A - A Deusa é a energia Geradora do Universo, é associada aos poderes noturnos, a Lua, a intuição, aos lado inconsciente, à tudo aquilo que deve ser desvendado, daí o mito da eterna Ísis com o véu que jamais deve ser desvelado. A Lua jamais morre, mas muda de fase à cada 7 dias, representando os mistérios da eternidade e mutação. Por isso a Deusa é chamada de a “DEUSA TRÍPLICE DO CÍRCULO DO RENASCIMENTO”, pois também muda de face, assim como a Lua, e se mostra aos homens de três diferentes formas como: A VIRGEM, A MÃE e A ANCIÃ. Isso não difícil de se entender, pois dentro de Wicca todos os vários Deuses e as múltiplas faces e aspectos da Deusa, nada mais são do que a personificação e atributos da Grande Divindade Universal.
Dragões - Entidades a que alguns praticantes Wiccanos atribuem poderes sobre determinadas áreas de atuação mágica ou natural.
E
Elders - cargo dentro de um coven.
Esbat - Rituais em honra à Deusa, normalmente nas noites de Lua Cheia. Algumas tradições chamam também de Esbat rituais realizados nas demais fases da lua.
Eneagrama - A palavra Eneagrama origina-se do grego, "enneas", que significa "nove" e "grammos" que significa "pontos". É representado por um símbolo que tem uma circunferência com nove pontos e linhas que se interligam, formando uma estrela.
F
Fadas - Entidades a que alguns praticantes Wiccanos atribuem poderes sobre determinadas áreas de atuação mágica ou natural.
Faery Wicca - Nome de uma Tradição. Além disso, diz-se de toda prática Wiccana conectada a Fadas.
G
Grove - Grupo organizado de Covens
I
Imbolc - Sabbat comemorativo do auge do Inverno
L
Lammas - Outro nome para o Lughnasadh
Livro das Sombras - Diário usado por praticantes de magia ritual para registrar rituais, feitiços, e seus resultados, bem como outras informações mágicas.
Litha - Sabbat comemorativo do solstício de Verão
Lughnasadh - Sabbat comemorativo do auge do Verão
M
Mabon - Sabbat comemorativo do equinócio de Outono
N
Neófito - um novato, aquele que se preparar para a iniciação.
Neopaganismo - Nome dado ao conjunto de religiões que buscam recriar, reinstaurar ou reproduzir as antigas religiões pagãs
O
Ostara - Sabbat comemorativo do equinócio da Primavera
P
Pentáculo - Simbolos diversos usados como instrumentos mágicos, podendo ser usado também para a realização de pedidos ou como emblema de fé pela maioria dos Wiccanos.
Pentragrama - É uma estrela de 5 pontas entrelaçadas. É um símbolo de proteção.
Politeísmo - sistema de crença baseado em muitas Divindades.
Postulante - um neófito.
R
Rede - Código de ética fundamental da Wicca
Roda do Ano - Ciclo natural das estações, comemorado nos Sabbats.
S
Sabbat - Festivais sazonais, em honra ao Deus, comemorativos da Roda do Ano.
Samhain - Sabbat comemorativo do auge do Outono
Stregheria - Stregheria, Stregoneria ou Bruxaria Italiana são os nomes dados a Velha Religião (Vecchia Religione) da região da Itália. Culto Pagão com origens nos velhos Mistérios Egeus-Mediterrâneos, a Stregheria é uma Religião Iniciática composta de diversos Clãs (Tradições), na maioria Hereditários e extremamente herméticos. Vale resaltar que Stregheria, ao contrário do que muitos erroneamente pensam, não é Tradição de Wicca.
T
Tradição - Grupo organizado para a prática da Wicca, normalmente com ritos próprios à Tradição. Pode englobar vários Groves, Covens, Círculos e/ou praticantes solitários.
V
Vanatru - Religião que cultua o Panteão Vanir.
Vassoura - Vassoura comum ou especial, consagrada ao uso mágico
Vestuário - Vestimentas utilizadas ritualmente
Y
Yule - Sabbat comemorativo do solstício de Inverno
Fonte do Texto: http://bruxafabiana.blogspot.com/2010/03/vocabulario.html
Mabon - Sugestão para celebrar o Equinócio de Outono
O ciclo das colheitas marca um período de paz e equilíbrio, quando o dia e a noite se tornam iguais. Agora é tempo de se fazer uma avaliação em tudo o que foi plantado e colhido. Os grãos que foram colhidos no outono serão as sementes da próxima primavera.
Um ciclo que termina para outro começar.
Para celebrarmos o Festival de Outono, sugerimos um ritual que poderá ser feito individualmente ou em grupo. Esta é uma sugestão, igualmente, baseada no Druidismo sob uma ótica Reconstrucionista.
Dedicamos este festival aos Deuses da mitologia galesa.
Prepare o local onde será realizado o ritual com folhas secas, grãos, sementes e o com o que amadureceu recentemente. Você irá precisar de três caldeirões, incensos, água, fósforos, uma vela marrom, uma maçã, cerveja, vinho ou suco de frutas e pão de cereais. Poderá utilizar-se de um sino ou de um pequeno tambor para produzir uma batida xamânica durante o rito.
Coloque os três caldeirões no centro do seu Bosque Sagrado. No caldeirão da esquerda coloque a água, representando o Reino do Mar; no caldeirão do centro a vela marrom, representando o Reino do Céu e no caldeirão da direita os grãos e as sementes representando o Reino da Terra. Defume o local, três vezes no sentido horário. A seguir, entre em contato com os Três Reinos:
"De Norte a Sul, de Leste a Oeste, iniciamos a jornada, abençoados pelo Céu, a Terra e o Mar. O Céu que está acima de nós e representa a magia do fogo sagrado. O Mar que está em torno de nós e representa a inspiração do poço sagrado. E a Terra que está sob nossos pés representa o pilar de sustentação da árvore sagrada. Celebramos as bênçãos da Segunda Colheita, através do Festival do Equinócio de Outono."
Mãe Terra
Iniciamos o ritual honrando a Mãe Terra, fazendo-lhe uma oferenda, que poderá ser um alimento, fruta, bebida, flores ou uma poesia. Coloque suas mãos no chão e diga:
"Mãe Terra, portadora de toda a vida, que percorre a terra verde às nascentes que brotam do teu ventre, nós lhe honramos com a chegada do outono, agradecendo por nos sustentar neste rito sagrado. Mãe Terra, aceitai a nossa eterna gratidão!"
Coloque sua oferenda num prato na frente dos caldeirões. Sugestão: maçã.
Declaração do Propósito
"Estamos reunidos no Bosque Sagrado para celebrarmos o Festival de Equinócio de Outono, através da segunda colheita. Um momento de paz e equilíbrio, onde a estação da luz começa a dar lugar à estação escura do ano. É tempo de agradecer os frutos colhidos, que nossos pensamentos, palavras e ações cultivaram. Este ritual é dedicado aos Deuses galeses Mabon e sua mãe, Modron, Deusa da terra e da fertilidade."
Contato com o caldeirão do centro (Reino do Céu)
"Acendo o fogo sagrado que desperta a criação, a luz verdadeira que queima dentro de nós, mostre-nos o nosso brilho interior!"
Acenda a vela marrom dentro do caldeirão e diga:
“Fogo Sagrado, brilhe dentro de nós!” Repetir 3 vezes.
Contato com o caldeirão da esquerda (Reino do Mar)
"Águas Sagradas que correm debaixo dos nossos pés, poderes das profundezas que fluem de dentro de nós, mostre-nos o caminho que nos leva de volta a Avalon!"
Com o caldeirão da água, molhe os dedos, faça o símbolo do triskle ou da cruz celta na testa e diga:
"Águas Sagradas, fluam de dentro de nós!" Repetir 3 vezes.
Contato com o caldeirão da direita (Reino da Terra)
"Árvore Sagrada, que das raízes da terra se eleva ao céu, sabedoria que cresce forte e perene dentro de nós, mostre-nos a nossa força interior!"
Eleve o caldeirão da terra com os grãos e as sementes até a altura da testa e diga:
"Árvore Sagrada, cresça dentro de nós!" Repetir 3 vezes.
Abrindo os Portões entre os Mundos
"Bem-vindos ao Bosque Sagrado, local que estabeleceremos como sendo o Centro Sagrado dos Mundos. Neste centro sagrado, abriremos agora os portais para o Outro Mundo, onde os nossos antepassados, os espíritos da natureza e os Deuses residem. Assim que os portões se abrirem, peço que as Três Famílias se juntem a nós, abençoando-nos e protegendo-nos durante o ritual do Equinócio de Outono, em troca, aceitem a nossa sincera gratidão!"
Faça uma oferenda às Três Famílias. Sugestão: copo de cerveja.
Invocação a Mabon
Ó grande e poderoso Mabon
Que ao ser libertado,
Trouxe a luz para a escuridão.
Venha a nós como o Portador da Luz
Venha a nós como o Portador da paz
Venha a nós como o Portador das colheitas
Ó grande e poderoso Mabon
Aceite a nossa gratidão!
Faça uma oferenda a Mabon. Sugestão: taça de vinho.
Invocação a Modron
Modron, a Grande Mãe de Mabon
Modron, a Senhora de Avalon
Modron, a Portadora das Colheitas
Grande Mãe, no momento do equilíbrio,
Confiamos nossas vidas aos seus cuidados
Senhora, traga-nos sempre a paz, o amor e a luz
Ó Modron amada, aceite a nossa gratidão!
Faça uma oferenda a Modron. Sugestão: pão de cereais.
Em seguida, faça uma pausa para a meditação e pense sobre os frutos colhidos. Receba as bênçãos dos Deuses através da leitura dos oráculos. Sugestão: runas ou ogham.
Agradecimentos e fechamento dos Portões
Pelas bênçãos dos três mundos e dos Poderosos Seres Brilhantes que nos abençoaram, com alegria em nossos corações, vamos levar a magia do Bosque Sagrado para nossas vidas diárias. Cada vez que adentramos o Outro Mundo, mais fortes e conscientes nos tornamos. Agora nos preparamos para partir dando graças àqueles que nos ajudaram.
A Modron, nós lhe agradecemos... Awen!
A Mabon, nós lhe agradecemos... Awen!
Às Três Famílias, nós lhe agradecemos... Awen!
Aos Três Reinos, nós lhe agradecemos... Awen!
À Mãe Terra, nós lhe agradecemos... Awen!
Agora vamos terminar o que começamos. Deixe que o fogo brilhe na chama, que o bem flua na água, que a verdade cresça na terra e que os portões entre os mundos agora possa ser fechado.
Caminhando com sabedoria, filhos da Terra, declaro que o ritual de Outono está encerrado!
(Ritual baseado nos princípios da Ordem Druídica ADF - Árn Draíocht Féin - A Druid)
Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.
Um ciclo que termina para outro começar.
Para celebrarmos o Festival de Outono, sugerimos um ritual que poderá ser feito individualmente ou em grupo. Esta é uma sugestão, igualmente, baseada no Druidismo sob uma ótica Reconstrucionista.
Dedicamos este festival aos Deuses da mitologia galesa.
Prepare o local onde será realizado o ritual com folhas secas, grãos, sementes e o com o que amadureceu recentemente. Você irá precisar de três caldeirões, incensos, água, fósforos, uma vela marrom, uma maçã, cerveja, vinho ou suco de frutas e pão de cereais. Poderá utilizar-se de um sino ou de um pequeno tambor para produzir uma batida xamânica durante o rito.
Coloque os três caldeirões no centro do seu Bosque Sagrado. No caldeirão da esquerda coloque a água, representando o Reino do Mar; no caldeirão do centro a vela marrom, representando o Reino do Céu e no caldeirão da direita os grãos e as sementes representando o Reino da Terra. Defume o local, três vezes no sentido horário. A seguir, entre em contato com os Três Reinos:
"De Norte a Sul, de Leste a Oeste, iniciamos a jornada, abençoados pelo Céu, a Terra e o Mar. O Céu que está acima de nós e representa a magia do fogo sagrado. O Mar que está em torno de nós e representa a inspiração do poço sagrado. E a Terra que está sob nossos pés representa o pilar de sustentação da árvore sagrada. Celebramos as bênçãos da Segunda Colheita, através do Festival do Equinócio de Outono."
Mãe Terra
Iniciamos o ritual honrando a Mãe Terra, fazendo-lhe uma oferenda, que poderá ser um alimento, fruta, bebida, flores ou uma poesia. Coloque suas mãos no chão e diga:
"Mãe Terra, portadora de toda a vida, que percorre a terra verde às nascentes que brotam do teu ventre, nós lhe honramos com a chegada do outono, agradecendo por nos sustentar neste rito sagrado. Mãe Terra, aceitai a nossa eterna gratidão!"
Coloque sua oferenda num prato na frente dos caldeirões. Sugestão: maçã.
Declaração do Propósito
"Estamos reunidos no Bosque Sagrado para celebrarmos o Festival de Equinócio de Outono, através da segunda colheita. Um momento de paz e equilíbrio, onde a estação da luz começa a dar lugar à estação escura do ano. É tempo de agradecer os frutos colhidos, que nossos pensamentos, palavras e ações cultivaram. Este ritual é dedicado aos Deuses galeses Mabon e sua mãe, Modron, Deusa da terra e da fertilidade."
Contato com o caldeirão do centro (Reino do Céu)
"Acendo o fogo sagrado que desperta a criação, a luz verdadeira que queima dentro de nós, mostre-nos o nosso brilho interior!"
Acenda a vela marrom dentro do caldeirão e diga:
“Fogo Sagrado, brilhe dentro de nós!” Repetir 3 vezes.
Contato com o caldeirão da esquerda (Reino do Mar)
"Águas Sagradas que correm debaixo dos nossos pés, poderes das profundezas que fluem de dentro de nós, mostre-nos o caminho que nos leva de volta a Avalon!"
Com o caldeirão da água, molhe os dedos, faça o símbolo do triskle ou da cruz celta na testa e diga:
"Águas Sagradas, fluam de dentro de nós!" Repetir 3 vezes.
Contato com o caldeirão da direita (Reino da Terra)
"Árvore Sagrada, que das raízes da terra se eleva ao céu, sabedoria que cresce forte e perene dentro de nós, mostre-nos a nossa força interior!"
Eleve o caldeirão da terra com os grãos e as sementes até a altura da testa e diga:
"Árvore Sagrada, cresça dentro de nós!" Repetir 3 vezes.
Abrindo os Portões entre os Mundos
"Bem-vindos ao Bosque Sagrado, local que estabeleceremos como sendo o Centro Sagrado dos Mundos. Neste centro sagrado, abriremos agora os portais para o Outro Mundo, onde os nossos antepassados, os espíritos da natureza e os Deuses residem. Assim que os portões se abrirem, peço que as Três Famílias se juntem a nós, abençoando-nos e protegendo-nos durante o ritual do Equinócio de Outono, em troca, aceitem a nossa sincera gratidão!"
Faça uma oferenda às Três Famílias. Sugestão: copo de cerveja.
Invocação a Mabon
Ó grande e poderoso Mabon
Que ao ser libertado,
Trouxe a luz para a escuridão.
Venha a nós como o Portador da Luz
Venha a nós como o Portador da paz
Venha a nós como o Portador das colheitas
Ó grande e poderoso Mabon
Aceite a nossa gratidão!
Faça uma oferenda a Mabon. Sugestão: taça de vinho.
Invocação a Modron
Modron, a Grande Mãe de Mabon
Modron, a Senhora de Avalon
Modron, a Portadora das Colheitas
Grande Mãe, no momento do equilíbrio,
Confiamos nossas vidas aos seus cuidados
Senhora, traga-nos sempre a paz, o amor e a luz
Ó Modron amada, aceite a nossa gratidão!
Faça uma oferenda a Modron. Sugestão: pão de cereais.
Em seguida, faça uma pausa para a meditação e pense sobre os frutos colhidos. Receba as bênçãos dos Deuses através da leitura dos oráculos. Sugestão: runas ou ogham.
Agradecimentos e fechamento dos Portões
Pelas bênçãos dos três mundos e dos Poderosos Seres Brilhantes que nos abençoaram, com alegria em nossos corações, vamos levar a magia do Bosque Sagrado para nossas vidas diárias. Cada vez que adentramos o Outro Mundo, mais fortes e conscientes nos tornamos. Agora nos preparamos para partir dando graças àqueles que nos ajudaram.
A Modron, nós lhe agradecemos... Awen!
A Mabon, nós lhe agradecemos... Awen!
Às Três Famílias, nós lhe agradecemos... Awen!
Aos Três Reinos, nós lhe agradecemos... Awen!
À Mãe Terra, nós lhe agradecemos... Awen!
Agora vamos terminar o que começamos. Deixe que o fogo brilhe na chama, que o bem flua na água, que a verdade cresça na terra e que os portões entre os mundos agora possa ser fechado.
Caminhando com sabedoria, filhos da Terra, declaro que o ritual de Outono está encerrado!
(Ritual baseado nos princípios da Ordem Druídica ADF - Árn Draíocht Féin - A Druid)
Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.
Publicado por Rowena em 13/3/2011
Website:
www.templodeavalon.com
Brumas do Tempo:
http://brumasdotempo.blogspot.com
E-mail:
rowena@templodeavalon.com
Mabon - Simbolismo e Costumes - Druidismo
Mabon (pronuncia-se Mêibon) é também conhecido como Equinócio de Outono ou Lar da Colheita ou Festival da Segunda Colheita. Dia sagrado no paganismo, em especial na religião Wicca. Celebrado no dia do equinócio de outono, que corresponde a aproximadamente dia 20 de março no hemisfério Sul e no dia 22 de setembro no hemisfério Norte (as datas dos equinócios podem apresentar uma variação de até 3 dias de acordo com o ano).
Este é o dia de ação de graças do paganismo. Data onde os pagãos honram o Deus em seu aspecto de semente e a Grande Mãe em seu aspecto de Provedora.
O nome Mabon veio de um deus Celtas (também conhecido como Angus), o Deus do Amor. Esta é a ocasião ideal para pedirmos por todos aqueles que amamos, além de todos os que estão doentes ou velhos.
Também é costume retirar um tempo para dar uma atenção à sua casa, como consertar objetos estragados, restabelecer os estoques ou simplesmente fazer uma faxina. É comum em algumas tradições realizar uma bênção na casa no dia de Mabon.
As noites já começaram a ficar mais longas, desde o Solstício de Verão; aproxima-se a época da partida do Deus para a Terra do Verão, deixando a sua própria semente no ventre da Deusa, de onde renascerá (mantendo o eterno ciclo do nascer-morrer-renascer).
Plantas e frutos: Flores de acácia, benjoim, madressilva, malmequer, mirra, folhas e cascas de carvalho.
Comidas típicas: Maçãs, nozes, castanhas, amêndoas, milho, amoras pretas, jabuticabas, cravo, além de pães, tortas e outros pratos feitos a partir dos frutos da estação.
Bebidas típicas: Vinhos, cervejas, sidras, além de sucos e outras bebidas preparadas a partir dos frutos da estação (em especial a maçã).
Incensos: cravo, patchouli, mirra, maçã, benjoim e sálvia.
Cores: marrom, verde, laranja e amarela. (Cores outonais no geral).
Pedras: cornalina, lápis-lázuli, safira e ágata amarela.
Origem do Texto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mabon
Simbolismo
Esse sabbat (Sabá no Brasil), que ocorre entre o Primeiro festival da colheita (Lughnasadh) e o Ano novo pagão (Samhain), marca o início do outono, dia santo pagão de descanso da colheita e comemoração, uma época de agradecimento aos Deuses por tudo o que foi colhido e caçado. É uma época de equilíbrio, onde o dia e a noite têm a mesma duração.Este é o dia de ação de graças do paganismo. Data onde os pagãos honram o Deus em seu aspecto de semente e a Grande Mãe em seu aspecto de Provedora.
O nome Mabon veio de um deus Celtas (também conhecido como Angus), o Deus do Amor. Esta é a ocasião ideal para pedirmos por todos aqueles que amamos, além de todos os que estão doentes ou velhos.
Costumes e tradições
É tradição reunir os amigos para um jantar, a fim de celebrar a fartura e comemorar as conquistas.Também é costume retirar um tempo para dar uma atenção à sua casa, como consertar objetos estragados, restabelecer os estoques ou simplesmente fazer uma faxina. É comum em algumas tradições realizar uma bênção na casa no dia de Mabon.
As noites já começaram a ficar mais longas, desde o Solstício de Verão; aproxima-se a época da partida do Deus para a Terra do Verão, deixando a sua própria semente no ventre da Deusa, de onde renascerá (mantendo o eterno ciclo do nascer-morrer-renascer).
Correspondências
Em cada um dos oito sabbats da Roda do Ano na religião Wicca existem correspondências específicas para a composição dos rituais baseadas nos simbolismos de cada época.Plantas e frutos: Flores de acácia, benjoim, madressilva, malmequer, mirra, folhas e cascas de carvalho.
Comidas típicas: Maçãs, nozes, castanhas, amêndoas, milho, amoras pretas, jabuticabas, cravo, além de pães, tortas e outros pratos feitos a partir dos frutos da estação.
Bebidas típicas: Vinhos, cervejas, sidras, além de sucos e outras bebidas preparadas a partir dos frutos da estação (em especial a maçã).
Incensos: cravo, patchouli, mirra, maçã, benjoim e sálvia.
Cores: marrom, verde, laranja e amarela. (Cores outonais no geral).
Pedras: cornalina, lápis-lázuli, safira e ágata amarela.
Origem do Texto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mabon
Mabon - Equinócio de Outono - Druidismo
Por Tamaris Fontanella
Mabon, é o segundo dos três Sabbats da colheita é o Equinócio de Outono.
É celebrado no hemisfério norte por volta de 22 de setembro, e no hemisfério sul por volta de 21 de março.
É época de celebrar o término da colheita de grãos que começou em Lammas, e também época de agradecer, meditar e fazer uma introspecção.
Nesse dia, os Bruxos, realizam cerimônias de iniciação pela Alta Sacerdotisa e pelos Sacerdotes dos covens.
Para os antigos é uma noite mágica, em que as pessoas se juntavam para o fechamento dos antigos negócios do verão e coletar sementes para o Ano Novo.
Nesse momento dia e noite são iguais, é um tempo de equilíbrio e balanço, mas as sombras começam a dominar a luz. Isso está associado com o interior do chifre, um dos símbolos desse Sabbat, e a completação da colheita.
Nesse festival a Deusa lamenta que seu consorte está partindo ao Outro Mundo, mas a mensagem de seu renascimento pode ser entendida em cada semente colhida.
É a fase que o deus se sacrifica para alimentar o seu povo.
O Deus está se preparando para morrer em Samhain e a Deusa se entregando ao seu aspecto de anciã.
É um tempo positivo para caminhar nas florestas, colher plantas e ervas mágicas. Fazer pão de milho e cidra.
É o período perfeito para honrar os Ancestrais e os Espíritos da Terra.
Os Deuses de Mabon são todos aqueles relacionados com o vinho e com a colheita.
É dada muita ênfase à deusa em seu aspecto de Mãe.
Duas lendas estão muito ligadas a Mabon. A primeira refere-se a Mabon e Modron (celta).
Mabom é um antigo Deus Celta que simboliza os princípios masculinos da fertilidade. Em galês significa o Deus da Mocidade, a divina criança. Ele é uma criança do Outro Mundo, nascida de pais terrestres, que desapareceu em sua terceira noite de vida.
Modron significa “Filho da Grande Mãe”, e Mabon vai morar após o seu desaparecimento no mundo mágico de Modron. É um lugar de poder e renovação para que ele nasça novamente através de sua mãe como campeão e filho da Deusa.
Uma segunda lenda (relacionada aos deuses gregos) é uma simbologia da descida da Deusa Perséfone (Deusa das Flores) ao submundo raptada pelo Deus Hades (deus do submundo).
É celebrado no hemisfério norte por volta de 22 de setembro, e no hemisfério sul por volta de 21 de março.
É época de celebrar o término da colheita de grãos que começou em Lammas, e também época de agradecer, meditar e fazer uma introspecção.
Nesse dia, os Bruxos, realizam cerimônias de iniciação pela Alta Sacerdotisa e pelos Sacerdotes dos covens.
Para os antigos é uma noite mágica, em que as pessoas se juntavam para o fechamento dos antigos negócios do verão e coletar sementes para o Ano Novo.
Nesse momento dia e noite são iguais, é um tempo de equilíbrio e balanço, mas as sombras começam a dominar a luz. Isso está associado com o interior do chifre, um dos símbolos desse Sabbat, e a completação da colheita.
Nesse festival a Deusa lamenta que seu consorte está partindo ao Outro Mundo, mas a mensagem de seu renascimento pode ser entendida em cada semente colhida.
É a fase que o deus se sacrifica para alimentar o seu povo.
O Deus está se preparando para morrer em Samhain e a Deusa se entregando ao seu aspecto de anciã.
É um tempo positivo para caminhar nas florestas, colher plantas e ervas mágicas. Fazer pão de milho e cidra.
É o período perfeito para honrar os Ancestrais e os Espíritos da Terra.
Os Deuses de Mabon são todos aqueles relacionados com o vinho e com a colheita.
É dada muita ênfase à deusa em seu aspecto de Mãe.
Duas lendas estão muito ligadas a Mabon. A primeira refere-se a Mabon e Modron (celta).
Mabom é um antigo Deus Celta que simboliza os princípios masculinos da fertilidade. Em galês significa o Deus da Mocidade, a divina criança. Ele é uma criança do Outro Mundo, nascida de pais terrestres, que desapareceu em sua terceira noite de vida.
Modron significa “Filho da Grande Mãe”, e Mabon vai morar após o seu desaparecimento no mundo mágico de Modron. É um lugar de poder e renovação para que ele nasça novamente através de sua mãe como campeão e filho da Deusa.
Uma segunda lenda (relacionada aos deuses gregos) é uma simbologia da descida da Deusa Perséfone (Deusa das Flores) ao submundo raptada pelo Deus Hades (deus do submundo).
Algumas práticas de Mabon
Os druidas honravam o salgueiro, e nesse sabbat, a árvore associada à Deusa e à morte, era utilizada, em forma de corte para seus bastões da sabedoria.
Considerando que esse é um dos dias de equilíbrio do ano (juntamente com Ostara), é tradicional limpar a casa para banir toda a desordem ao seu redor.
As portas são abençoadas para protegerem aqueles que vivem dentro dela.
Muitas festas que celebram a colheita ocorrem em países rurais, o Dia de Ação de graças é uma característica dessa data.
Fazer cornucópias para a prosperidade, bonecas mágicas de maçã, grinaldas para oferecer a generosidade da Deusa, amuletos e vassouras mágicas são algumas práticas relacionadas a esse período.
A mais comum era fazer a Rainha da Colheita (kern baby), chamada na Escócia de a “Virgem do Último feixe da colheita”, que era feita com o último feixe da colheita, colhida pela garota mais jovem da aldeia, e construída pelos ceifeiros enquanto proclamavam: “Nós temos a Kern”.
Os druidas honravam o salgueiro, e nesse sabbat, a árvore associada à Deusa e à morte, era utilizada, em forma de corte para seus bastões da sabedoria.
Considerando que esse é um dos dias de equilíbrio do ano (juntamente com Ostara), é tradicional limpar a casa para banir toda a desordem ao seu redor.
As portas são abençoadas para protegerem aqueles que vivem dentro dela.
Muitas festas que celebram a colheita ocorrem em países rurais, o Dia de Ação de graças é uma característica dessa data.
Fazer cornucópias para a prosperidade, bonecas mágicas de maçã, grinaldas para oferecer a generosidade da Deusa, amuletos e vassouras mágicas são algumas práticas relacionadas a esse período.
A mais comum era fazer a Rainha da Colheita (kern baby), chamada na Escócia de a “Virgem do Último feixe da colheita”, que era feita com o último feixe da colheita, colhida pela garota mais jovem da aldeia, e construída pelos ceifeiros enquanto proclamavam: “Nós temos a Kern”.
Correspondências
Cores: marrom, verde, amarelo, vermelho
Nomes: Mabon, Equinócio de Outono, Alban Elfed, Segundo festival da colheita, dia de Hellih, Equinozio de Autunno.
Deuses: do vinho e da colheita
Ervas: alecrim, calêndula, sálvia, noz, folhas e cascas, visco, açafrão, camomila, folha de amêndoa, frankincenso, rosa, agridoce, girassol, trigo, folhas de carvalho, maçã seca ou sementes de maça.
Pedras: âmbar, peridoto, diamante, ouro, cirtrino, topázio, amarelo, olho-de-gato, aventurina.
Comidas e bebidas sagradas: milho, trigo, pães, nozes, vegetais, maçãs, raízes, cidra e romãs.
Coven – Criando e Organizando seu próprio grupo – Claudyney Prieto
Explorando o Druidismo Celta – Sirona Knight
Grimoire: Ayesha
Grimoire: IDC
Rituais Celtas – Andy Bagggot
Todas as Deusas do Mundo – Claudinei Prieto
Trabalho mágico para covens – Edain McCoy
Wicca – A Feitiçaria Moderna – Gerina Dunwich
Wicca – A Religião da Deusa – Claudiney Prieto
Origem do Texto: http://espacoanima.com/site/index.php?option=com_content&task=view&id=387&Itemid=89
Simbologia Celta - Druidismo
TRISKLE
Entre o Antigo Povo Celta haviam muitos Símbolos de Poder, como hoje no Cristianismo temos a Sagrada Cruz por exemplo.
Um dos mais conhecidos Símbolos de Poder para os Celtas chamava-se "Triskle" ou " Triskelion ".
Este Símbolo é o mais encontrado na Arte Celta que data aproximadamente de 1.800 Anos antes de Cristo.
Triskelion pode ser representado como uma Estrela de 3 Pontas que são geralmente curvas, dando a idéia de Movimento.
Também pode ser representado por 3 Espirais Concêntricas.
O Número 3 dentro da Magia Celta e na Magial Natural de hoje é considerado um Número Poderosíssimo e sempre esteve presente na Magia Celta.
Sua Entidade Maior, a Grande Deusa em sua Tríplice Manifestação ( Donzela, Mãe e Anciã ), também ali estava presente em toda a Manifestação da Vida, a começar pelas Estações do Ano, cuja divisão Primitiva era Primavera, Verão e Inverno.
Triskelion é ainda um Símbolo que pode ser usado como Ornamento, emoldurando outro enfeite qualquer, pois é antes de tudo um Símbolo de Proteção.
Um Brinco com 3 Pedras em Ramos de Flores é uma nítida Alusão ao Símbolo de Proteção Triskelion, Triskele ou Triskle.
ESPIRAIS CELTAS
As espirais celtas são encontradas em vários artefatos e construções e
o seu significado reside na beleza e na simplicidade dos seus traços. Geralmente, representam o equilíbrio do universo dentro de nós, ou seja, o equilíbrio espiritual interior e a consciência exterior.

As espirais formam um padrão que começa pelo centro e se deslocam para fora ou para dentro, conforme a sua configuração. Esses movimentos podem ser observados no sentido horário ou anti-horário.
As espirais com movimentos no sentido horário estão associadas ao Sol e a harmonia com a Terra, ou seja, movimentos que representam a expansão e a atração.
Enquanto que as espirais com movimentos no sentido anti-horário estão associadas à manipulação da natureza e aos encantamentos que visam a interiorização e a transmutação de energias, assim como a proteção.
Os antigos montes de Newgrange, Knowth, Dowth, Fourknocks, Loughcrew e Tara, na Irlanda, são exemplos maravilhosos de espirais celtas, conhecidos como "As Espirais da Vida", que representam de um modo geral o ciclo da vida, da morte e do renascimento... A eternidade da alma!
o seu significado reside na beleza e na simplicidade dos seus traços. Geralmente, representam o equilíbrio do universo dentro de nós, ou seja, o equilíbrio espiritual interior e a consciência exterior.
As espirais formam um padrão que começa pelo centro e se deslocam para fora ou para dentro, conforme a sua configuração. Esses movimentos podem ser observados no sentido horário ou anti-horário.
As espirais com movimentos no sentido horário estão associadas ao Sol e a harmonia com a Terra, ou seja, movimentos que representam a expansão e a atração.
Enquanto que as espirais com movimentos no sentido anti-horário estão associadas à manipulação da natureza e aos encantamentos que visam a interiorização e a transmutação de energias, assim como a proteção.
Os antigos montes de Newgrange, Knowth, Dowth, Fourknocks, Loughcrew e Tara, na Irlanda, são exemplos maravilhosos de espirais celtas, conhecidos como "As Espirais da Vida", que representam de um modo geral o ciclo da vida, da morte e do renascimento... A eternidade da alma!
As Valquírias
As Valquírias de Odin
São os espíritos femininos chamados de Valquírias, que aguardam os guerreiros em Valhala (morada de Odin); e nenhuma descrição dos Deuses da batalha estaria completa sem elas. Nas descrições dos poetas, elas aparecem como mulheres usando armadura e montadas em cavalos, passando rapidamente acima do mar e da terra. Elas levam as ordens de Odin enquanto a batalha se desenrola, dando vitória segundo a vontade dele, e, no fim, conduzem os guerreiros derrotados e mortos a Valhala. Às vezes, porém, as Valquírias são retratadas como as esposas de heróis vivos. Supostamente, as sacerdotisas humanas se transformariam em Valquírias, como se fossem as sacerdotisas de algum culto.
Reconhecemos algo semelhante às Norns, espíritos que decidem os destinos dos homens; as videntes, que eram capazes de proteger os homens em batalha com seus encantamentos; aos poderosos espíritos femininos guardiões apegados a certas famílias, trazendo sorte a um jovem sob sua proteção; e até a certas mulheres que se armavam e lutavam como homens, das quais existe alguma evidencia histórica nas regiões em tomo do Mar Negro. Pode também haver a lembrança das sacerdotisas do Deus da guerra, mulheres que presidiam os ritos sacrificais quando os prisioneiros eram condenados à morte apos a batalha.
Aparentemente, desde tempos remotos, os germanos pagãos acreditavam em ferozes espíritos femininos seguindo os comandos do Deus da guerra, espalhando a desordem, participando de batalhas, agarrando e talvez até devorando os mortos.
O conceito de uma companhia de mulheres associadas a batalhas entre os germanos pagãos é ainda mais enfatizado pelos dois encantamentos que sobreviveram até os tempos cristãos. Um vem de Merseburgo no sul da Germânia, e é um feitiço para abrir as correntes. Ele descreve como certas mulheres chamadas "Idisi" (termo derivado do nórdico antigo, "dísir" - Deusas) se sentavam juntas, algumas travando fechos, outras segurando a equipagem e outras ainda puxando as correntes. Concluindo com estas palavras: "Salta fora das amarras, foge do inimigo".
Pode ser comparado a esse um feitiço em "Old English" contra uma dor súbita. A principio parece um feitiço simples e inócuo, até a dor ser visualizada como sendo infligida pelas lanças de determinadas mulheres sobrenaturais. Nesse ponto, o feitiço assume uma postura heróica.
"Ruidosas eram elas, eis que eram ruidosas,
Cavalgando sobre a colina.
Tinham a mesma e única intenção,
Cavalgando pela terra;
Protege-te agora para escapar desse mal.
Sai pequena lança se aqui tu estás.
Sob o escudo de luz eu me coloquei,
Quando as poderosas mulheres
Preparavam o seu poder
E enviavam suas lanças ferinas"...
Cavalgando sobre a colina.
Tinham a mesma e única intenção,
Cavalgando pela terra;
Protege-te agora para escapar desse mal.
Sai pequena lança se aqui tu estás.
Sob o escudo de luz eu me coloquei,
Quando as poderosas mulheres
Preparavam o seu poder
E enviavam suas lanças ferinas"...
Mais adiante no encantamento são mencionadas armas atiradas pelos Deuses, e a impressão é que temos aqui algo que era originalmente um encantamento de batalha, como o de Merseburgo, que foi passado de geração em geração pelo mundo, até poder ser evocado por razões prosaicas. Uma segunda sugestão de mulheres sobrenaturais em outro encantamento é o termo "sigewif", mulheres da vitória, usado para descrever um enxame de abelhas.
Abrir e fechar correntes e amarras, atirar lanças e o poder de voar são atividades associadas à Odin. Em Hávamál (expressão daquele que é Grande), ele entoa um encantamento para providenciar "correntes para os meus adversários". Provavelmente não são amarras físicas, e sim para a mente, do tipo descrito em Ynglinga Saga (relatos dos antigos reis da Suécia):
"Odin sabia como agir de modo que seus inimigos em batalha ficassem cegos ou surdos ou tomados pelo pânico, e suas lanças não espetassem mais do que varinhas de condão".
Um exemplo vivido dessa condição é encontrado em uma das sagas da Islândia, Hardar Saga (36). O herói Hord estava fugindo de seus inimigos quando subitamente foi dominado pelo que e descrito como "corrente de guerra" (herfjgturr). Ele foi conjurado por meio de magia hostil:
A "corrente de guerra" veio para cima de Hord, e ele livrou-se uma e duas vezes. A "corrente de guerra" atacou uma terceira vez. Em seguida, os homens conseguiram cercá-lo formando um círculo de inimigos, mas ele lutou ate sair do círculo e matou três homens.
Essa atitude não deve ser confundida com pânico em batalha 'pois Hord era um homem excepcionalmente corajoso e um esplêndido guerreiro. Parece, antes, uma espécie de paralisia, como a que se experimenta em um pesadelo. Três vezes ele conseguiu se libertar, mas quando a corrente o atacou pela quarta vez, foi cercado novamente e morto. Vale dizer que um dos nomes das Valquírias é Herfjgturr, "corrente de guerra", a mesma palavra na passagem acima. A interpretação sugerida de um dos nomes das Alaisiagae, Friagabi, como "concedente da liberdade", pode ser relevante nessa conexão.
A literatura nórdica antiga nos deixou um retrato das dignificadas Valquírias montadas em cavalos e armadas com lanças; mas também sobreviveu um quadro diferente, mas rústico, de mulheres sobrenaturais ligadas a sangue e sacrifício. Criaturas fêmeas, às vezes de tamanhos gigantescos, despejam sangue sobre um distrito onde haverá uma batalha; às vezes, elas são descritas carregando cochos de sangue ou montadas em lobos ou são vistas remando um barco em meio a chuva de sangue caindo do céu.
Essas figuras geralmente são augúrios de luta e morte; elas às vezes aparecem para os homens em sonhos, e são descritas mais de uma vez nos versos dos escaldos, nos séculos X e XI. O mais famoso exemplo de uma visão em sonho e mencionado em Njáls Saga(sagas das famílias islandesas), que teria acontecido antes da Batalha de Clontarf, travada em Dublin em 1014. Um grupo de mulheres foi visto tecendo uma tapeçaria tétrica formada das entranhas de homens e pesada com cabeças decepadas. Elas estavam colocando a cena do fundo, que era de lanças cinza, com um carmesim. Eram chamadas pelos nomes das Valquírias. Um poema é citado na Saga, que teria sido recitado por elas, no qual declarariam que são elas que decidem quem deve morrer na batalha iminente:
"Tecemos, tecemos a teia da lança,
Enquanto vai adiante o estandarte dos bravos.
Não deixaremos que ele perca a vida;
As Valquírias tem o poder de escolher os aniquilados...
Enquanto vai adiante o estandarte dos bravos.
Não deixaremos que ele perca a vida;
As Valquírias tem o poder de escolher os aniquilados...
Tudo é sinistro de se ver, agora,
Uma nuvem de sangue atravessa o céu,
O ar esta vermelho com o sangue de homens,
Enquanto as mulheres da batalha entoam sua canção".
Uma nuvem de sangue atravessa o céu,
O ar esta vermelho com o sangue de homens,
Enquanto as mulheres da batalha entoam sua canção".
Esse poema, conhecido como "Darradarljod" ou "Passagem das Lanças", pode não ter sido necessariamente composto a respeito da Batalha de Clontarf; já foi sugerido que alguma outra batalha na Irlanda o teria inspirado. De qualquer forma, temos aqui, em um período relativamente prematuro, um retrato das Valquírias, "mulheres de batalha", que está de acordo com as outras descrições de terríveis criaturas fêmeas decidindo sobre a sorte dos guerreiros em batalha.
Outras figuras que mostram uma grande semelhanca as Valquírias dessa espécie são encontradas nas historias dos povos celtas. São elas, Morrigu e Bobd, mencionadas nas sagas irlandesas. Elas costumavam aparecer no campo de batalha ou às vezes se tomavam visíveis antes de uma batalha. Podiam tomar a forma de aves de rapina e geralmente faziam profecias de guerra e massacre.
A associação dessas mulheres de batalha com as aves de rapina que voam sobre um campo de batalha e interessante. No poema em "Old English, Exodus", o adjetivo para "escolhendo os aniquilados", "welceasig", é usado para descrever o corvo; e um dos mais antigos poemas em nórdico antigo, "Hrafnsmál" é em formato de um diálogo entre um corvo e uma valquíria. O corvo junto ao lobo é mencionado em praticamente todas as descrições de uma batalha em poesia composta em "Old English", e os dois animais eram considerados as criaturas do Deus da guerra, Odin.
Essas notáveis semelhanças entre as figuras de mulheres de batalha sobrenaturais na literatura dos escandinavos e dos germanos pagãos de um lado, e dos povos celtas de outro, são significativas. Conforme o escritor, Charles Donahue, sugeriu que havia uma crença em ferozes espíritos de batalha ligados ao Deus da guerra numa época em que os celtas e germanos viviam em contato próximo, durante o período romano.
Sem dúvida, a figura da valquíria na literatura nórdica se desenvolveu em algo mais dignificado e menos sanguinário como resultado do trabalho de poetas durante um considerável período de tempo. As criaturas alarmantes e terríveis que sobreviveram na literatura apesar desse esforço parecem, no entanto, mais próximas em caráter daquelas que escolhiam os aniquilados, conforme eram visualizadas nos tempos pagãos. (Os Deuses da Batalha)
As Faces da Deusa
A ALMA QUE NOS ALIMENTA...
A característica mais saliente das heroínas femininas épicas apresentarem múltiplas aparências, múltiplos rostos, múltiplos semblantes, geralmente três, tendo em consideração o número simbólico sagrado dos Celtas, o qual tanto se apresenta com a forma de tríade como de triskel, a tripla espiral que, girando à volta de um ponto central, simboliza por excelência o universo em expansão.
As heroínas aparecem, por isto, com inúmeras aparências e nomes, em diferentes épocas e em encarnações sucessivas. Referindo-se em primeiro lugar à tríplice Deusa Brighid, que se diz filha de Dagda, e que vem a ser nem mais nem menos que a Minerva gaulesa de quem fala César, Deusa das técnicas, das ciências e das artes, que os cristãos recuperaram com o vocábulo de Santa Brígida, atribuindo-lhe a fundação do célebre mosteiro de Kildare, antigo lugar de extrema importância do culto druídico.
Ora, esta Brighid é também, com o nome de Boann, a mãe de Oengus, o Mac Oc, que concebeu e deu à luz durante o espaço temporal da noite de Samhain, ou seja, simbolicamente, durante a abolição do tempo, a eternidade. Brighid encama a vida eterna e, o seu nome, derivado de Bo Vinda, “vaca branca”, mostra bem até que ponto se encontra associada a um alimento inesgotável, o leite, elemento indispensável aos povos exclusivamente nómades e pastores, como era o caso dos celtas. A simbologia do seu nome dará os seus frutos e Boann toma-se o rio Boyne (grafia moderna) que fecunda com as suas águas doces um vale verdejante ao redor do qual se situam os grandes outeiros feéricos, que são domínios dos Deuses. E se o nome Brighid (que significa poderosa, alta, luminosa) é extremamente significativo, Boann, representando a riqueza avaliada em cabeças de gado entre os celtas, constitui a alma de uma sociedade onde predominam claramente as tendências ginecocráticas.
O terceiro rosto de Brighid-Boann, o de Morrígane (genitivo de Morrigu ou Morrighan), filha de Ernmas, uma das personagens mais marcantes das tribos da Deusa Dana. O que nela melhor se evidência em particular na narrativa da Batalha de Mag-Tured, é o fato de se tratar de uma divindade guerreira temível para os seus inimigos durante os conflitos, enquanto exortava os guerreiros a combaterem com encabeçamento. O furor guerreiro de que ela dá provas abundantemente desdobra-se num furor sexual desabrido que a transforma senão numa divindade do amor, ao menos numa espécie de Deusa do erotismo. A fúria guerreira e a sexual andam assim a par e nos prolongamentos da epopéia celta encontram-se numerosas mulheres guerreiras que têm poderes mágicos e são especialistas na arte militar, ao mesmo tempo em que são iniciadoras dos futuros heróis, como é o caso, por exemplo, de CuChulainn ou de Finn Mae Cool.
O nome de Morrigane (Morrigu ou Morrighan) que significa grande rainha, evoca o da fada Morgana das lendas arturianas e do ciclo do Graal, tratando-se, em qualquer dos casos, do mesmo arquétipo, ao mesmo tempo guerreiro, sexual e mágico. A Morrigane da epopéia irlandesa toma muitas vezes o aspecto duma gralha, chamando-se então Bobdh.
A analogia com Morgana é evidente, pois ela e as suas companheiras da Ilha de Avalon possuem precisamente o mesmo dom de se metamorfosearem. Além disso, é de crer que a mulher feérica que leva um ramo de macieira de Afallach ao herói Bran, filho de Fébal, antes de levá-lo a empreender uma estranha navegação, seja a própria Morrigane, embora o seu nome não seja pronunciado neste episódio. “Porque não havia de reinar a grande rainha nesta terra bem aventurada de frutos maduros durante todo o ano e onde não existe a doença, a velhice e a morte?” Seja como for, a ilha misteriosa de Ynys Afallach é o equivalente, quer lingüístico quer mitológico, da ilha de Avalon, a fabulosa Insula Pornorum para a qual convergem todos os fantasmas da humanidade sofredora.
Na epopéia celta, no entanto, o amor não é um sentimento isolado, fazendo parte das grandes mutações que se operam no universo, tudo se dirige, por entre as diversas peripécias psicológicas, para uma dimensão cósmica à qual ninguém consegue escapar. O que é posto em relevo é muito menos a natureza fatal da paixão amorosa do que a sua necessidade metafísica. Acima de tudo, procura se transmitir a idéia de que, a existir um Deus, ele só pode ser o amor, pois este constrói o mundo e a mulher, que é iniciadora por essência, é capaz de dar, com o seu amor, um segundo nascimento, o nascimento na eternidade, àquele que escolheu amar.
Existe muito a idéia, formada ao longo dos tempos, de que a epopéia não deixa nenhum espaço para a vida afetiva, para o estudo do comportamento psicológico dos heróis, cuja descrição permanece demasiada, por vezes, ao nível do exterior, estereotipada segundo as normas do gênero. Naturalmente, as personagens das epopéias são arquétipos carregados de significação simbólica, mas não deixam, por isto, de serem dotadas de reações humanas e, por causa disto, de vida interior. Há um aumento das qualidades, aumento que é indispensável para se pôr em destaque as ações fora do comum. E verdade que existe também uma simplificação destinada a inserir as personagens e as ações num determinado quadro acessível a um público que não compreende a profundidade e as sutilezas da psicologia.
Apesar disso, não se deve esquecer que os heróis são humanos, mesmo quando são apresentados como sobre-humanos. E tanto nas narrativas épicas da antiga Irlanda como nas da antiga Bretanha, são seres humanos que descrevem outros seres humanos que, ao atravessarem a vida, tanto passam por situações de incerteza, de angústia e de grande sofrimento como, por outro lado, também são capazes de viver grandes alegrias e de desfrutar de momentos de grande felicidade.
Para que o objetivo se realize, toma-se necessário que se viaje para as estranhas fronteiras do real, aí onde o sonho e a realidade formam duas vertentes duma mesma e única montanha.
Dogon
Dogon é um povo que habita o Mali e o Burkina Faso. Os dogons do Mali são um povo que vive em uma remota região no interior da África Ocidental - são cerca de 200 mil e a sua maioria vive em aldeias penduradas nas escarpas de Bandiagara, ao leste do Rio Níger. Ainda não podem ser qualificados como "primitivos", pois possuem um estilo de vida muito complexo, e não são excelentes candidatos a possuir conhecimentos científicos. Contudo, possuem um conhecimento muito preciso do sistema estelar de Sirius[1] (incluindo pelo menos uma estrela que ainda não foi identificada pelos astrônomos) e dos seus períodos orbitais. Os sacerdotes dogons dizem que sabem desses detalhes, que aparentemente são transmitidos oralmente e de forma secreta, séculos antes dos astrônomos.
Esses conhecimentos foram publicados pela primeira vez em 1950, no "A Sudanese Sirius System", escrito pelos antropólogos franceses Germaine Dieterlen e Marcel Griaule, que viveram muito tempo com os dogons no final dos anos 1940. Os dois cientistas ganharam a confiança dos sacerdotes até o ponto deles lhe confiarem esses notáveis conhecimentos, muito ligados às suas crenças religiosas.
A astronomia Dogon
A origem da vida
Para os dogons, toda a criação está vinculada à estrelas que eles chamam de Po Tolo, que significa "estrela semente". Esse nome vem da minúscula semente chamada de "fonio", que em botânica é conhecida como Digitaria exilis. Com a diminuta semente, os dogons referem-se ao inicio de todas as coisas. Segundo os dogons, a criação começou nessa estrela, qualificada pela astronomia como anã branca, e que os astrônomos modernos chamam de Sirius B, a companheira muito menor da brilhante Sirius A, da constelação Cão Maior.Os dogons sabem que a Po Tolo tem uma enorme densidade, totalmente desproporcional ao seu reduzido tamanho e acreditam que isso deve-se à presença do sagala, um metal extremamente duro e desconhecido na Terra. Continuam descrevendo que as órbitas compartilhadas da Sirius A e da Sirius B formam uma elipse, com a Sirius A localizada em um dos seus focos, sendo uma idéia diferente e mais verossímil que a de Johannes Kepler, do século XVII, que propôs que os corpos celestes se moviam em círculos perfeitos.
Os dogons também dizem que a Sirius B demora 50 anos para completar uma órbita em volta da Sirius A, a astronomia moderna estabeleceu que o seu período orbital é de 50,4 anos. Igualmente intrigante é a sua afirmação de que a Sirius B gira em torno do seu próprio eixo e demora um ano terrestre para terminar este movimento. Alguns astrônomos afirmam que isso é possível, enquanto outros discordam dizendo que esse período de rotação é muito longo para uma estrela tão pequena e densa.
Mas, o que é realmente assustador é o conhecimento que dizem ter sobre o terceiro astro do sistema Sirius, descoberto apenas recentemente pelos astrônomos, já que possui um tamanho irrelevante perto dos dois outros astros do sistema, e por isso levou quase meio século para ser descoberto. Os Dogons chamam este terceiro corpo de Emme Ya, ou "Mulher Sorgo" (um cereal) e dizem que é uma estrela pequena com apenas um planeta em sua órbita, ou um grande planeta com um grande satélite. Os modernos intérpretes dessa tradição chamam esta estrela de Sirius C.
Influências européias
A conclusão de que a informação recebida por Dieterlen e Griaule era conhecida pelos dogons há milhares de anos, e é aceita pelo membro da Royal Astronomical Society, Robert Temple, uma vez que há provas a favor de tal afirmação. Contudo, há um grupo de críticos que não concordam com essa informação. Entre este grupo de cético, estão Carl Sagan, Ian Ridpath, James Oberg e Ronald Story. Segundo eles, os exploradores da Europa e dos Estados Unidos encontraram os dogons há 150 anos e forneceram-lhes informações sobre Sirius, que logo foi incorporada à sua cosmologia.Contudo, em uma entrevista ao programa Horizon da BBC, Germaine Dieterlen não concordou com esse ponto de vista e, para prová-lo, mostrou um esquema feito pelos dogons do sistema Sirius de 500 anos de idade. Além disso, outros pesquisadores argumentam que muitos dos astrônomos dos dogons não eram conhecidos no Ocidente até o século XX.
As migrações gregas
Os pesquisadores afirmam que os conhecimentos sobre o sistema Sirius dos dogons possuem milhares de anos, e tem a seu favor as provas históricas. Supõe-se que os dogons são remotos descendentes dos gregos que colonizaram a parte da África que atualmente constitui a Líbia. Heródoto os chama de Garamantianos, de Garamas, o folho de Gaia, a deusa grega da terra. Os elementos da tradição grega são muito parecidos à preocupação dos dogons com os números. Além disso, durante a sua permanência na Líbia, aqueles gregos expatriados poderiam ter adquirido alguns conhecimentos dos seus vizinhos, os antigos egípcios.Séculos de lenta emigração para o sul levaram os dogons ao Rio Níger, onde se estabeleceram e se misturaram com os habitantes negros locais. Segundo Robert Graves, os últimos restos dessa errante tribo estão agora em uma aldeia chamada Koromantse, também chamada Korienze, a 75 km de Bandiagara.
Visitantes Anfíbios
Para alguns[quem?], isso constitui uma prova irrefutável da antiguidade dos conhecimentos astronômicos dos dogons. Mas a forma como os adquiriram continuam sem respostas. Como um povo que não dispunha de instrumentos óticos poderia conhecer os movimentos e as características da estrela mais brilhante, da sua companheira pouco visível e de um terceiro astro do qual ainda não existem provas cientificas de sua existência?Os dogons explicam os seus conhecimentos astronômicos do sistema Sirius de uma forma muito simples: seus antepassados os adquiriram de visitantes anfíbios extraterrestres, chamados por eles de "nommos", provenientes da estrela Po Tolo (Sirius B). As descrições feitas pelos dogons são muito precisas.
Contam que os nommos chegaram pela primeira vez do sistema Sirius em uma nave espacial que girava em grande velocidade quando descia e que fazia um barulho tão forte quanto o rugido do vento. Também dizem que esta máquina voadora rebateu ao aterrissar como se fosse uma pedra pela superfície da água, semeando a terra com "jorros de sangue". Alguns estudiosos[quem?] dizem que "jorros de sangue" na língua dogon é semelhante a "escape de foguete", o empuxo invertido usado nos veículos espaciais. Os dogons também falam que pode ser interpretada como "nave mãe" colocada em órbita. Isso não é tão estranho quanto parece: A Apollo 11 ficou em órbita lunar enquanto o módulo descia para fazer a primeira alunissagem em julho de 1969.
Tudo isso parece ridículo se não fosse pelo paralelismo com as civilizações que apareceram na época das migrações dos antepassados dos dogons. As representações artísticas dos nommos na forma de réptil assemelham-se ao semideus babilônico Oannes, com rabo de peixe, aos anfíbios dos acadianos conhecidos como Ea, e à representação na arte primitiva egípcia de Ísis em forma de sereia. Todos esses personagens foram, para seus respectivos adoradores, os pais das suas civilizações.
Os seus vínculos com as antigas civilizações do Oriente Médio dependem da aceitação da teoria que diz que seus antepassados teriam viajado até o sul, enquanto a afirmação de que os extraterrestres descreveram-lhes o sistema estelar.
Correspondentes egípcios
A Sirius A era conhecida pelos antigos egípcios como Sothis. Seu ano começava como os "dias do Cão", quando a Sirius, a estrela da constelação Cão Maior, surgia atrás do Sol, por volta do dia 23 de julho. Aparentemente também conheciam a Sirius B porque, nas suas tradições religiosas, a deusa Ísis era símbolo da Sirius A e Osíris, seu consorte, era associado à sua escura companheira.Os antigos rituais vinculam Ísis a Sirius. A câmara do ano novo do templo de Dendera foi construída de forma que a luz da Sirius seja canalizada por um corredor até o interior da câmara.
Isso é um antecedente da cerimônia Sigui que os dogons celebram quando a Sirius pode ser vista pela fresta de uma rocha da aldeia de Yougo Dogorou. Devido ao fato de Osíris ser adorado como o senhor da vida após a morte e as lendas dos antigos egípcios falarem de almas, que voavam a uma mansão imortal junto aos deuses, é possível que considerassem que essa mansão estivesse localizada na Sirius B.
Répteis humanos
Os dogons acreditam que deuses (nommos) vieram de um planeta do sistema Sirius, há 5 ou 6 mil anos. Na linguagem dogons, Nommos significa "associado à água" ; "bebendo o essencial". Segundo as lendas, os anfíbios Nommos viviam na água e os Dogons referem-se a eles como "senhores da água". A arte dogon, sempre mostra os Nommos parte humanos, parte répteis. Lembram o semideus anfíbio Oannes dos relatos babilônicos e o seu equivalente sumério Enki. Os textos religiosos de muitos povos antigos referem-se aos pais de suas civilizações com seres procedentes de algum lugar diferente da Terra. Coletivamente, isso é interpretado por algumas pessoas como a prova da existência de vida extraterrestre que estabeleceu contato com o nosso planeta em um passado distante.Origem do Texto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dogon
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