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Chacras

     Chakras são centros energéticos do corpo. Os seres humanos contêm sete Chakras principais que estão em constante atividade, embora sua presença não seja percebida conscientemente por não meditadores. A palavra sânscrita Chakra é traduzida por roda, círculo ou movimento. As representações pictóricas desses centros de energia são formadas por figuras geométricas e pétalas. São pelos Chakras que transitam e se movem as energias sutis do corpo.

     Os Chakras estão localizados dentro e fora do corpo (duplo etérico); já Kundalinî, energia da vida que ativa os Chakras se mo­vimenta dentro do corpo.

      Normalmente, os Chakras são pequenos, não apresentando mais do que 5 centímetros de diâmetro. Com a prática de mantram, Yoga, meditação, os Chakras aumentam de tamanho e sua luz se expande. Sua aparência pode ser descrita como circular, luminosa, tal qual um pequeno CD girando. Cada um tem uma cor, mantram e elemento que o estimula, seu movimento é ininterrupto, estão associados às glândulas do corpo físico e funcionam como centros de captação, contenção e distribuição de energia para todo o corpo.

      Os sete Chakras estão localizados ao longo da coluna vertebral, dispostos verticalmente e cada Chakra tem funções específicas, mediante o recebimento de energias internas e externas. Temos nesses centros "nós" que impedem a subida de Kundalinî; um fica no muladhara (brahma-granthi), outro no vishnudha (vishnu-granthi) e o último no ajña chakra (rudra-granthi). Eles são conhecidos como granthi e quando são rompidos a energia se eleva. Mesmo com esses bloqueios, que é muito difícil alguém fazer bobagem com Kundalinî, sempre vá devagar em suas práticas.

      Os Chakras inferiores, mais associados á matéria, são o Muladhara, o Swadhistana e o Manipura. O Médio, ou Intermediário é o Anahata, associado aos sentimentos. E os Superiores são o Vishuddha, o Ajña e o Sahashara, que estão associados ao mental e à iluminação. Sua rotatividade obedece ao sentido horário ou anti-horário, dependendo da qualidade energética de cada indivíduo.

     Chakra Sentido Horário
     Quando em rotação horária, o movimento é destrógeno (destro), para direita e se caracteriza por:

Possuir força centrífuga (coloca energia para fora);
ser menos suscetível a influências externas;
não carregar miasmas energéticos;
ser um pólo irradiador (de dentro para fora);
produzir siddhis (intuição).
Quem tem os Chakras em rotação horária é conhecido nos meios ocultistas como pessoa de "corpo fechado".
      Chakra Sentido Anti-horário
     Quando em rotação anti-horária, o movimento é sinestrógeno (sinistro), para a esquerda, com as seguintes características:

Possui força centrípeta (para dentro);
capta energia externa, mantendo o corpo astral "aberto";
estimula a mediunidade e sensitividade;
amplia a sensibilidade ao ambiente;
promove a aptidão para fazer diagnósticos precisos. Quando se trata de um bom médium tem poder de captação (carrega miasmas).
     Quando o Chakra gira no sentido anti-horário, perde-se energia. E quem perde muita energia pode sobreviver da energia alheia, por meio de uma relação de dependência chamada na metafísica de "vampirismo".

      Existem muitas práticas que fazem o Chakra girar em sentido horário ou anti-horário. É importante evitar para não misturar essas práticas.

      O Tantra trabalha para que os Chakras se movimentem cada vez mais depressa. Para isso, é necessário ter consciência e adotar práticas que os estimulem, por meio do método interno ou externo.

      Método interno: por meio desse método, despertamos a Kundalinî com a prática de Yoga, mantram, tai-chi, chi-kun, iai-dô, aikidô ou maithuna. As escolas tântricas trabalham mais com os métodos internos e exclusivamente com os Chakras girando no sentido horário.

      Método externo: consiste no recebimento de passe magnético, de massagem, na aplicação de acupuntura, moxabustão, geoterapia (pedras) ou cromoterapia (cores). Dentre outros métodos.

      Os dois métodos contribuem para o estímulo de todos os Chakras, proporcionando melhor disposição física e mental aos praticantes.

      É importante mantê-los em equilíbrio, utilizando técnicas corporais (Yoga, tai-chi, dança), técnicas mentais (mantram), alimentação equilibrada. Os Chakras influenciam e são influenciados também pelo corpo físico, daí a necessidade destes cuidados.

      Como vimos até aqui, todos os Chakras possuem qualidades energéticas próprias que em desequilíbrio produzem determinadas doenças ou, do contrário, em situação de equilíbrio, conferem ao nosso organismo inúmeros benefícios. Contudo, o sexto Chakra pode ser mais estimulado que os demais pelo mantra Om, pois possui uma força que ajuda e atrai a subida da Kundalinî.

     Conhecendo os Chakras

     MULADHARA CHAKRA
     Significado do nome: Fundação, ou suporte da base.

     Nome ocidental: Chakra Básico.
     Localização: Localizado nos órgãos genitais e na pélvis, relacionado com as gônadas (glândulas sexuais), governa o sistema reprodutor. Este Chakra anima a substância do corpo físico, é a vontade, o poder e o instinto de sobrevivência. É base da montanha, a ligação com a Terra. Concentra as energias da Kundalinî, que uma vez despertadas e controladas progridem coluna acima, seguindo um padrão geométrico similar ao padrão apresentado na dupla hélice das moléculas de DNA, que contêm o có­digo da vida.

      Aspectos a serem compreendidos: Sobrevivência, alimento, conhecimento, auto-realização, valores (segurança financeira, coisas materiais), sexo (procriação), longevidade e prazer.

      Cor: vermelho em brasa para tonificar. É a cor mais quente e densa. Aquece e estimula a circulação. Estimula o fluido da medula espinhal e o sistema nervoso simpático; energiza o ligado, estimulando os nervos e músculos. Vitaliza e organiza o corpo físico. Violeta, azul ou rosa para sedar este Chakra.

      Mantra: Lam (concentrando-se nos genitais).
      Elemento: Terra - o mais denso dos elementos. É uma mistura dos quatro elementos: água, fogo, ar e éter.

      Fase da vida: Desde a união do espermatozóide com o óvulo, até sete ou oito anos.

      Funções: É o Chakra onde nasce e reside a energia kundalínica que se movimenta em espiral, pelas nadis Ida e Píngala, e distribui por todo o corpo do indivíduo o impulso de vida: é também o centro erótico do ser.

      Nadis são correntes, canais, corredores ou filamentos de energia vital que circulam por todo o corpo, alimentando a vida e mo­vimentando os Chakras.

      Semelhantes aos meridianos de acupuntura, seus pontos são chamados na China de tsubos. Seu número é de aproximadamente 72.000.

      As nadis estão intimamente relacionadas aos Chakras. A nadi central é conhecido por Sushumna e encontra-se situada no centro do corpo pela coluna vertebral, que recebe o nome de meru danda. A Sushumna nasce no Muladhara Chakra, e se estende corpo acima, até unir-se ao Sahasrara Chakra (que se situa no alto da cabeça). No espaço fora do meru danda, estão dois outros nadis, denominados Ida e Pingala. Ida é o canal esquerdo, de natureza feminina, lunar, emocional e materna. Por estar associado à procriação e à purificação, também é conhecido como Ganga (o rio sagrado da índia). Pingala é o canal direito, de natureza masculina, solar, racional e dinâmica.

      Algumas pessoas têm dominante a energia (nadi) lunar (emoção) e outras solar (razão). O praticante adiantado consegue manter esses temperamentos equilibrados.

      Todas as nadis do corpo se originam no períneo em forma de um ovo (kanda).

      Todos os sistemas místicos hindus são radicais sobre a importância de manter-se esses canais energéticos absolutamente purificados.

      No capítulo Angas do maithuna trataremos dessa autopurificação, principalmente com alimentação.

     DEFINIÇAO PARA ESTUDO

Sushumna: nadi principal por onde Kundalinî sobe. Está relacionada à medula espinhal.

Ida: canal esquerdo transportador das correntes lunares, natureza feminina visual e emocional, produção de vida, energia materna, respiração esquerda que proporciona estabilidade para a vida. A narina esquerda é aberta durante o dia, equilibra a energia solar criando um equilíbrio para si, tornando-nos mais rela­xados e mais alertas mentalmente.

Píngala: canal direito, transporta correntes solares, natureza masculina, depósito de energia destrutiva, também purificador. A narina do lado direito é de natureza elétrica masculina, verbal e racional. Torna o corpo físico mais dinâmico (eficiente e ativo durante horas noturnas, aumentando a saúde). Quando um ca­sal tem um orgasmo, sem repressão e com consciência, algumas vezes elevam a Kundalinî, nutrindo todos os Chakras por meio de Ida e Píngala.

      SWADHISTHANA CHAKRA
     Significado do nome: Lugar-morada do ser ou o "fundamento de si próprio".
     Nome em Português: Chakra Esplênico Umbilical.
     Localização: Localizado na lombar e abaixo do umbigo no nível do púbis, está relacionado com as glândulas supra-renais, regendo a coluna vertebral e os rins. As supra-renais são constituídas por uma medula interna, coberta por um extrato chamado córtex e são responsáveis pela produção de adrenalina. Rege os rins, sistema reprodutor, sistema circulatório e bexiga. As energias como a paixão, a expansão, sensualidade e a criatividade são manifesta­das por este Chakra.

      Aspectos a serem compreendidos: Poder de seduzir e atrair, criatividade e relacionamento.

      Cor: Laranja - tonifica; é uma cor acolhedora e estimula a alegria. É uma cor social que traz otimismo, expansividade e equilíbrio emocional. Traz confiança, automotivação e senso de comunidade (auxilia a sair do choque). Azul ou verde para sedar.

      Mantra: Vam (concentrando-se abaixo do umbigo).

      Elemento: Água - forma circular - três quartos da Terra são co­bertos de água, três quartos do peso de uma pessoa são de água - a essência da vida. Os sons da água ampliam a vibração desse chakra, permitindo um fluxo sem obstruções.

      Fase da vida: de 8 a 14 anos.

     Funções: Energia de criatividade, purificação e impulso emocional; é o centro da procriação, manifesta-se sexualmente, mas sob o aspecto de sensação e prazer; fantasias e desejos sexuais. Neste Chakra inicia-se a expansão da personalidade.



      MANIPURA CHAKRA
     Significado do nome: Cidade das Gemas ou Cidade das pedras preciosas.

     Nome em Português: Chakra Plexo Solar.

      Localização: Um pouco acima do umbigo. Rege o pâncreas, glândula que possui função exócrina e endócrina e que secreta o suco pancreático, cujas enzimas ajudam a digestão das proteínas, carboidratos e gorduras. A parte endócrina da glândula é formada por pequenos grupos de células chamadas ilhotas de langerhan, produtoras da insulina, que possuem um papel importante no controle do metabolismo da glicose. a área de influência deste Chakra é o sistema digestivo: estômago, fígado e a vesícula biliar, além do sistema nervoso.

      Aspetos a serem compreendidos: Escolhas, dentro do possível, do que você quer. Individualidade, poder pessoal, como você se vê, sua identidade no mundo.

      Cor: Amarelo dourado para tonificar. É ativador dos nervos mo­tores, exercendo influência no sistema nervoso. Estimula a bílis e possui ação vermífuga, diminui a função do baço, porém estimula a função do pâncreas, fígado e vesícula biliar. Fortalece as articulações, o sistema digestivo e linfático. É regenerador dos tecidos, acelerando o processo de cicatrização. Estimula a função peristáltica e o raciocínio lógico. Violeta, azul ou verde para sedar.

      Mantra: Ram - o principal ponto de concentração durante a pro­dução deste som é o umbigo. Traz longevidade.
Elemento: Fogo, auxilia a digestão e a absorção do alimento fornecendo a energia vital.

      Fase da Vida: De 14 a 21 anos.

      Funções: Desenvolvimento do ego e da identidade individual; impulso de liderança; praticidade; trabalho.

        ANAHATA CHAKRA
      Significado do nome: "Intocado" ou "Som não produzido" (batidas do coração).
    
      Nome em português: Chakra Cardíaco.

      Localização: Situa-se na região do tórax e está conectado com a glândula timo, responsável pelo funcionamento do sistema imunológico. É o Chakra do coração, centro energético do amor.

      A elevação das energias do Chakra do plexo solar até o coração acontece em indivíduos que estão desenvolvendo a capacidade de pensar e atuar em termos de coletividade.

      Aspectos a serem compreendidos: amor, compaixão, perdão, verdade e gratidão.

      Cor: Rosa, estimula o amor incondicional e verde é relaxante do sistema nervoso. A cor violeta seda esse centro.

      Mantra: Yam - a concentração deverá estar centralizada no coração, desfazendo qualquer bloqueio na região cardíaca, proporcionando controle sobre o prana e a respiração.

      Elemento: Ar, auxilia o funcionamento dos pulmões e do coração.

      Fases da vida: 21 a 28 anos.

      Funções: Intermedia os Chakras superiores e inferiores; impulso de se ligar à verdade, ao amor; reequilíbrio; altruísmo; compaixão. Este Chakra se expande em todas as direções e dimensões, como uma estrela de seis pontas.

       VISHUDDHA CHAKRA
      Significado do nome: Puro ou "Centro da Pureza".

      Nome em português: Chakra Laríngeo.

      Localização: Sobre a garganta, comunica-se com a glândula tireóide que está relacionada ao crescimento e aos processos oxidativos, e com as paratireóides que controlam o metabolismo do cálcio. Este Chakra governa pulmões, brônquios e voz. Está ligado à inspiração, à comunicação e à expressão com o mundo.

      Aspectos a serem compreendidos: Comunicação interna e externa - esclarecimento que conduz ao estado divino, consciência e crenças (no que você acredita e se apega).

      Cor: Azul, atua como tranqüilizante na aura e regenerador celular. Traz quietude e paz mental, estimula a busca da verdade, a inspiração, a criatividade, a compreensão, a fé (confiança na existência) e está associada à gentileza, ao contentamento, à paciência e à serenidade. Turquesa, estimula a comunicação em público. Para tonificar, laranja e violeta.

      Mantra: Ham - concentra-se na garganta.

      Elemento: Ar, mas num sentido mais sutil, associado ao som. Fases da vida: 28 a 35 anos.

      Funções: Autoconhecimento; felicidade. Segundo o Satchakra Virupana, "quem alcança o conhecimento mediante a concentra­ção constante da consciência neste loto, converte-se num grande sábio e encontra a paz. O indivíduo se eleva e se purifica de todos os carmas; morre-se para o passado e nasce-se novamente para a realização da unidade"

      AJNÃ CHAKRA
      Significado do nome: Autoridade, poder, comando intuitivo.

      Nome em Português: Chakra do 3°- olho ou frontal.

      Localização: Entre as sobrancelhas, relaciona-se com a glândula pituitária.
Aspectos a serem compreendidos: Intuição e a consciência. Capacidade de se observar sem julgamento.

      Cor: Dourado para concentração falta de memória e confiança. Violeta, tranqüilizante, calmante e purificador. Clareia e limpa a corrente psíquica do corpo e da mente, afastando problemas de obsessão mental e psicose.

      Mantra: Om.

      Elemento: Presença de todos os cinco elementos, com três gunas que são manas (mente), buddhi (intelecto), Ahankara e chitta (o ato de ser - o ser).

      Fases da vida: 35 a 42 anos.

     Funções: Austeridade; intuição; serenidade. É o chakra sede da Faculdade do Conhecimento: Buddhi: (conhecimento intuicional), Ahankara (eu), Indriyas (sentidos) e Manas (mente). É representado por um triângulo branco simbolizando a yoni e, no meio, um lingan (órgão masculino). No centro do Chakra está o yantra do som Om, o melhor objeto de meditação.

      “Meditando nesse centro, o praticante W a luz'; como uma chama incandescente. Fulgurante como o Sol matutino, claramente brilhante, reluz entre o 'Céu e a Terra'” Satchakra Nirupana.

       SAHASRARA CHAKRA

      Significado do nome: Chakra das Mil Pétalas.

      Nome em português: Chakra Coronário.

      Localização: No topo da cabeça. E o portal da espiritualidade, do reconhecimento da existência de Deus em nós, no outro e em todo o universo.
Aspectos a serem compreendidos: Iluminação.

     Mantra: Sham.

      Elemento: Todos os elementos, inclusive o éter, em suas forças mais sutis.

      Funções: Iluminação; espiritualidade plena; transcendência; manifestação do Divino. Segundo o Satchakra Nirupana: "O Lotus das mil pétalas é o mais brilhante e mais branco que a lua cheia, tem a sua cabeça apontada para baixo. Ele encanta. Seus filamentos estão coloridos pelas nuanças do Sol jovem. Seu corpo é luminoso, é aqui o objetivo final de Kundalinî após ativar os outros Chakras. O indivíduo que atinge a consciência do sétimo chakra realiza os planos da irradiação (torna-se iluminado como o Sol), das vibrações primordiais, da supremacia sobre o prana, do intelecto positivo, da felicidade, da indolência"

Autor: Otávio Leal
Fonte: Livro - Maithuna - Sexo Tântrico
Editora: Alfabeto

Fonte: http://www.humaniversidade.com.br/boletins/chakras_por_quem_ja_praticou.htm

Hinduísmo - Sankhya



Sankhya (sânscrito: सांख्य, IAST: Sāṃkhya: Enumeração - ontológica) é uma das seis escolas da filosofia ortodoxa indiana.
Kapila (Viveu provavelmente no Séc VII ou VI AC) é considerado o fundador dessa escola, o mais antigo dos sistemas filosóficos da Índia. Entretanto o principal texto, o Sankhya Karika foi escrito por Ishvara Krishna por volta de 200 DC. Atualmente não há nenhuma escola sobrevivente do Sankhya no Hinduísmo, mas a sua influência ecoa no Yoga e no Vedanta.


Metafísica dos Sankhya


O Sankhya pressupõe dois princípios: Purusha e Prakriti. Purusha (mônadas individuais) é consciência pura e Prakriti (Substrato material) é o aspecto dinâmico da consciência, mas inconsciente de si mesma.

O Sankhya defende uma dualidade radical entre consciência (Purusha ) e matéria (Prakriti). Todos os eventos físicos são considerados manifestações da evolução de Prakriti e cada ser senciente é um Purusha aprisionado em um corpo físico que por perda da discriminação fica confinado no Samsara (roda da vida, ciclo de nascimentos e renascimentos ou escravidão), pois se engana em relação à sua própria identidade, acredita que é o próprio corpo físico que na verdade é uma das manifestações de Prakriti.

A característica mais notável do Sankhya é a sua singular teoria da evolução cósmica. Prakriti é a fonte das transformações do mundo, ela é pura potencialidade que evolui por ação dos três gunas em vinte e quatro tattvas ou princípios do ser. Os gunas estão em equilíbrio em prakriti-pradhana (natureza fundamental).


Segundo o Sankhya-Karika, seus atributos são descritos da seguinte maneira:
“Os três gunas tem a natureza da alegria, da impassibilidade e da tristeza, e tem, respectivamente, a função de iluminar, ativar e obscurecer. Sobrepujam-se uns aos outros e são interdependentes, produtivos e cooperativos em suas atividades”.
“A atividade dos três gunas é consciente e intencional:
Sattva é considerado elucidante e iluminante;
Rajas é estimulante e dinâmico;
Tamas é inerte e tem o poder de obscurecer.”

Para Max Muller a melhor maneira de explicar a ação dos gunas é pela comparação com a idéia de dois opostos e do termo médio entre eles, como a tese, a antítese e a síntese de Hegel, manifestando-se na natureza através da luz, da escuridão e do crepúsculo (ou aurora); na ética, através do bem, do mal e do amoral, com muitos outros desdobramentos.

Quando Purusha interage com Prakriti, o equilíbrio primordial rompe-se, e Purusha perde a autoconsciência, desencadeando a ação dos gunas que geram os vinte e quatro tattvas:
Mahat, o grande princípio – é primeiro produto da evolução de Prakriti. Mahat tem a natureza da luminosidade e da inteligência, é conhecido como buddhi - intuição ou cognição - que significa a sabedoria superior.
Ahamkara, o princípio da individuação ou ego (segundo produto da evolução de Prakrit) é responsável pela autoconsciência dos seres vivos e introduz a distinção entre sujeito e objeto.
Manas, a mente inferior ou instintiva - evolui a partir do aspecto sattva de Ahamkara.
Jnana indriya, cinco órgãos sensoriais – audição, visão, tato, paladar e olfato.
Karma indriya, cinco órgãos de ação – fala, manipulação, locomoção, reprodução e excreção.
Tanmatras, cinco essências sutis – as potencialidades dos elementos (Mahabhuta).
Mahabhuta, os cinco elementos - éter, ar, fogo, água e terra. São os componentes do universo físico.

Moksha
Tal como outros grandes sistemas da filosofia indiana, o Sankhya considera a ignorância como a causa da escravidão e do sofrimento (Samsara). De acordo com o Sankhya, o Purusha, embora, pura, eterna e livre consciência, por ignorância, identifica-se com o corpo físico e seus constituintes, sendo então aprisionado no samsara.
O processo de liberação (involução cósmica) é o caminho inverso da evolução de prakriti, e é atingido pelo desenvolvimento das mais altas faculdades de discriminação adquiridas através da meditação e de outras práticas do yoga. O Sankhya, também, afirma que a devoção e o serviço desinteressado a Deus levam à clareza da mente e ao poder de discriminação entre o Eu e o não Eu.


Editado por Bacana
Texto original:  http://mokshadharma.blogspot.com/2008/10/mimansa.html

Hinduísmo - Advaita Vedanta


O hinduísmo possui duas vertentes: a monista e a dualista.
A dualista é Dvaita, "dividida", onde o princípio divino, Deus, é diferente de sua manifestação, o Cosmo.
Já Advaita significa "sem divisão",  e corresponde à vertente monista.
No monismo, tanto Deus como sua manifestação, o Cosmo, são vistos como a mesma coisa.
A versão monista foi desenvolvida principalmente por Adi Shankara, provavelmente no século 8.
Aqui seguem seus principais conceitos:


Brahman
De acordo com Adi Shankara, Deus, o Supremo Espírito Cósmico ou Brahman é o Um, o todo e única realidade. Exceto Brahman, todo o resto é falso, incluindo o universo, os objetos materiais e as pessoas. Brahman é descrito como a infinita, onipresente, onipotente, incorpórea, impessoal realidade transcendente que é o fundamento de todos os seres.
Brahman é muitas vezes descrito como neti neti que significa "não isto, e nem aquilo", pois não pode ser corretamente descrito como isto ou aquilo. É o fundamento disto e daquilo, é o fundamento de todas as forças, das substâncias, de toda a existência, é o indefinido, o fundamento de tudo, o não nascido, a verdade essencial, o imutável, o eterno, o absoluto.
Como pode ser corretamente descrito como algo do mundo material quando ele mesmo é a base da realidade?
Brahman está além dos sentidos, assim como não é possível a um cego descrever corretamente as cores, é indescritível. Ele, embora, não sendo substância, é a base do mundo material, o qual, por sua vez, é uma das suas ilusórias transformações. Brahman não é efeito nem causa do universo. Brahman é a pura autoconsciência, e ilumina tudo como sua infinita fonte de luz.
Devido à ignorância (avidyā), Brahman é confundido com o mundo material e seus objetos. Brahman não possui atributos nem forma (Nirguna Brahman). É auto-existente, é o Absoluto e o Indestrutível (não é objeto de adoração, mas sim de meditação). É impossível descrever Brahman. É melhor caracterizado como "Satchidananda" ("Sat" + "Chit" + "Ananda"), ou seja, Verdade Absoluta, Consciência Absoluta e Eterna Bem-Aventurança).

Atman
Atman ou Self (Alma) é o próprio Brahman. Não se trata de uma parte que finalmente se dissolve em Brahman, mas Brahman em sua totalidade. Agora, os questionadores perguntam, como pode uma alma individual confinada em cada corpo ser o próprio Brahman?
Adi Shânkara explica que Atman (Self) não é um conceito particular. Atman é apenas um e único, é um conceito universal. Realmente, Atman por si mesmo é: Atman Ekaatma Vaadam. A existência de vários Atmans é um conceito falso: Anekaatma Vaadam. Shânkara diz que assim como a mesma lua aparece como várias luas em suas reflexões sobre a superfície ondulada da água, Atman aparece como múltiplos atmans quando é refletido por Maya.
Atman, sendo o implícito observador de todas as modificações, é livre e não é afetado por felicidade ou sofrimento porque está além da experiência. Não é afetado pelo Karma porque não age (Aaptakaama). É incorpóreo e independente.
Quando o reflexo de Atman é contaminado por Avidya (ignorância), Atman torna-se jīva - ser vivo com corpo e sentidos. Cada jiva sente como se fosse uma unidade distinta de Atman, chamado jivatman. O conceito de jiva é apenas relacional. Em nível transcendental, jivatman se transforma em Atman que é idêntico a Brahman.
Shânkara demonstrou a relatividade, e a natureza irreal do mundo objetivo e declarou a verdade do Advaita (Um sem um segundo) através das análises dos três estados de consciência - vigília (vaishvanara), sonho (taijasa), e de sono profundo (prajna). Wikipedia: Atman

Maya
Segundo Shânkara, Māyā é o poder de Brahman de criar ilusões. Através do qual o próprio Brahman pode ser visto como o mundo material composto de formas distintas. Maya tem duas funções principais - uma é a de "ocultar" Brahman da percepção humana ordinária, e a outra é a de apresentar em seu lugar o mundo material. Māyā não pode ser descrito, porém, pode-se dizer que todos os dados sensoriais introduzidos na nossa consciência através dos cinco sentidos são Māyā, pois a realidade fundamental subjacente à percepção sensorial torna-se completamente oculta. Diz-se, também, que Māyā não é completamente real nem completamente irreal e, daí, o indescritível. O seu refúgio é Brahman, mas Brahman não é afetado pelas ilusões de Maya, exatamente como um mago que não é enganado por sua própria magia.
De acordo com as Upanishads apenas Brahman é real, mas nós percebemos o mundo material como real, Shânkara explicou esta anomalia com o conceito do poder de ilusão de Māyā.

Moksha
Liberação ou Moksha (Nirvana do budismo) – O Advaita Vedanta proclama Maya como a causa do sofrimento, e só o conhecimento de Brahman (Jnana) pode destruir Maya. Quando, finalmente, Maya é removido não existe nenhuma diferença entre o Jiva-Atman e Brahman. A pessoa que atinge em vida esse estado (turiya) é chamada Jivan mukti. Enquanto se está em nível fenomenal, pode-se cultuar Deus de qualquer maneira e sob qualquer forma, como Krishna, Ayyappa ou qualquer outra forma, o próprio Adi Shânkara era adepto de culto devocional ou Bhakti. Mas Shânkara reconhecia que, embora os sacrifícios védicos, e os cultos devocionais (puja) pudessem levar ao verdadeiro conhecimento (jnana), eles seriam incapazes de levar a Moksha.

Editado por Bacana