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Naica: A caverna dos cristais gigantes




As minas de Naica, na cidade de Chihuahua, no México são as responsáveis por um dos fenômenos mais belos do mundo. Os cristais gigantes em seu interior formam um imenso labirinto semitransparente que deixam qualquer um de boca aberta.

Com 300 metros de profundidade, as minas permaneceram ocultas até 2000, quando foram descobertas por um grupo de mineiros que trabalhavam próximo ao local. Seu interior tem uma temperatura de aproximadamente 45º e umidade de 90%, fazendo com que o calor sufocante de dentro da caverna seja mortal, podendo matar uma pessoa em apenas 30 minutos. Por conta diisso, os cientistas que vão até o local, são obrigados a usar trajes especiais e máscaras de oxigênio e mesmo com esses equipamentos, só podem permanecer na caverna por no máximo 45 minutos.

A caverna tem a dimensão de um campo de futebol e a altura de um prédio de dois andares. Seus cristais medem cerca de 11 metros e podem pesar até 55 toneladas.

Em 2008, o cientista Penny Boston encontrou bactérias dentro das pequenas bolhas de ar que se formam durante o período de crescimento dos cristais. Ao estudar mais profundamente essa bactéria, Penny, constatou que nunca foi visto algo parecido na Terra.

Cientistas continuam explorando as minas, e creem na existência de uma outra caverna, com maior profundidade.

El Monstro: Nasa confirma maior El Nino já registrado

Imagens comparativas obtidas por satélite confirmam que o fenômeno El Niño atual é o maior já registrado. O evento supera o ano de 1997 e pode ser o responsável pela enorme concentração de chuvas na região Sul do Brasil.



Durante o período do El Niño, as águas do oceano Pacífico central e oriental se tornam mais quentes que o normal, produzindo variações climáticas de larga escala na região dos trópicos, com efeitos em praticamente todo o planeta.

Nestas duas imagens, tomadas em 1997 e 2015, vemos dois impressionantes registros da altura do oceano pacífico em sua faixa equatorial. Essa anomalia é uma indicação clara do aumento da temperatura, uma vez que a água expande-se ligeiramente à medida que se aquece e contrai-se quando resfria.

Segundo os dados coletados, a elevação na altura do nível do Pacífico indica uma anomalia térmica de 2,7 graus Celsius na temperatura da zona oriental.

No gráfico, as áreas brancas e vermelhas indicam uma elevação entre 120 e 180 milímetros acima do nível médio na região do Pacífico central, enquanto no oeste do Pacífico equatorial a anomalia se inverte, com os tons roxos e azuis revelando áreas com depressões entre 60 e 150 milímetros.

Uma rápida observação mostra que as áreas em branco e vermelho registradas em 2015 quase dobram quando comparadas a 1997/1998, anos de forte El Nino e marcados por atividades climáticas intensas.


No Brasil
Normalmente, nos anos de El Niño há um forte aumento da concentração de chuvas na região Sul, ao contrário da Amazônia oriental e no Nordeste, onde a seca severa se amplia devido ao enfraquecimento dos ventos alísios que distribuem a umidade.

Assim, os riscos de incêndios florestais aumentam em partes da Amazônia, enquanto as enchentes dominam o cenário no sul do país.

A Região sudeste também apresenta comportamento típico, com o aumento da temperatura média. No entanto, não há um padrão característico no regime de chuvas, embora haja previsão de precipitações acima da média no Estado de São Paulo e também no Estado de Mato Grosso do Sul.

Origem do Texto: http://www.apolo11.com/clima.php?titulo=El_Monstro_Nasa_confirma_maior_El_Nino_ja_registrado&posic=dat_20151021-095145.inc

Cientistas perfuram Antártida em busca da água mais pura e antiga


Invisível a olho nu, o lago Vostok abriga um ecossistema único, repleto de oxigênio com níveis 50 vezes superiores aos de água doce comum. Para estuda-lo, pesquisadores estão perfurando o gelo antártico em uma exploração fundamental para o estudo da mudança climática na Terra.

A expedição russa chegou ao continente gelado em 28 de novembro de 2010 e levou mais de um mês somente para preparar os equipamentos e analisar as mudanças observadas no gelo.
"Já estamos a 3736 metros de profundidade e devem faltar entre 10 e 50 metros para chegar ao lago", disse Valery Lukin, subdiretor do Instituto de Pesquisas Árticas e Antárticas da Rússia, com sede em São Petersburgo. Segundo o cientista, o método empregado para calcular a profundidade se baseia na análise sísmica e na radiolocalização, com margem de erro estimada em 20 metros.
Embora a profundidade exata seja desconhecida, Lukin acredita que a superfície do Vostok seja alcançada nas próximas semanas.
No ano passado, o perfurador superou 70 metros de gelo grosso em menos de um mês, mas os trabalhos tiveram que ser suspensos em novembro, quando o aumento da pressão e a diminuição das temperaturas obrigaram a paralisação das máquinas.
Para os pesquisadores russos, os resultados da exploração do lago Vostok serão fundamentais para o estudo da mudança climática na Terra durante os próximos séculos. Segundo as pesquisas, o local é único e abriga um ecossistema que está repleto de oxigênio com níveis 50 vezes superiores aos de água doce.
"A água do Vostok é provavelmente a mais pura e antiga do planeta", disse Lukin. “Não temos provas concretas, mas dados indicam que a superfície é estéril, embora nas áreas mais profundas possa haver formas de vida adequadas às condições extremas, como os termófilos e extremófilos”.
Lago Vostok
Localizado a cerca de 4 mil metros de profundidade no centro da Antártida, o lago Vostok tem cerca de 300 quilômetros de comprimento por 50 km de largura. Em algumas áreas sua profundidade atinge aproximadamente 1 km.
Sua superfície é de 15690 km quadrados, equivalente ao lago Baikal, localizado na Sibéria e considerado o maior reservatório de água doce do mundo.
Graças ao seu peculiar enquadramento geográfico, o lago permaneceu desconhecido por muito tempo e só foi descoberto em 1957 por cientistas russos, mas apenas em 1996 se descobriu a sua verdadeira extensão.
O lago permanece como uma das últimas zonas por explorar do planeta Terra e devido ao seu isolamento da atmosfera, presume-se que sua água esteja aprisionada há pelo menos 1 milhão de anos.

Arte: Imagem mostra a localização do lago Vostok, abaixo do gelo Antártico. Crédito: Arctic and Antarctic Research Institute, Apolo11.com.


Origem do Texto: http://www.apolo11.com/biociencias.php?titulo=Cientistas_perfuram_Antartida_em_busca_da_agua_mais_pura_e_antiga&posic=dat_20120112-102809.inc

Novas descobertas questionam extinção dos dinossauros


O impacto de um grande asteróide ocorrido há 65 milhões de anos é a teoria que melhor explica a extinção em massa dos dinossauros. No entanto, descobertas recentes no local do impacto mostram que o choque do objeto ocorreu antes do desaparecimento da espécie e pode significar uma mudança na teoria atual. 



A cratera deixada pelo impacto, batizada de Chicxulub, mede aproximadamente 180 quilômetros de diâmetro e foi descoberta em 1978 ao norte de Yucatán, no Golfo México. Assim que os especialistas descobriram traços do impacto logo abaixo da camada geológica correspondente ao período cretáceo-terciário, chamado período K-T, identificaram o local como o do possível choque responsável pela extinção em massa ocorrido neste período.

Novo Estudo
No entanto, diversos cientistas questionam essa interpretação. De acordo com um novo estudo publicado nesta segunda-feira pelo periódico "Journal of the Geological Society", o impacto de Chicxulub não ocorreu no período K-T, mas pelo menos 300 mil anos antes. A conclusão é de um grupo de pesquisadores liderados por Gerta Keller, da universidade de Princeton e seu colega Thierry Adatte, da universidade de Lausanne, na Suíça.
De acordo com Richard Lane, da Fundação Nacional de Ciência, NSF, dos EUA, Keller e seus colegas continuam a acumular dados que permitirão uma nova reflexão sobre a extinção em massa ocorrida no final do período Cretáceo. Os dados coletados até agora mostram que a grande extinção pode não estar ligada ao impacto do asteróide. 



Os estudos feitos próximos à localidade de El Penon mostram que entre quatro e nove metros de sedimentos foram depositados à razão de dois a três centímetros a cada mil anos após o impacto. Segundo Keller, o nível da extinção se localiza somente nos sedimentos acima desse intervalo, indicando que os dois eventos não ocorreram próximos no tempo.
Teoria Atual
Os defensores da teoria atual sugerem que a cratera e a extinção em massa não aparecem nos mesmos registros sedimentários devido aos terremotos e tsunamis que provavelmente ocorreram após o impacto, mas a tese é refutada por Keller. "O problema com essa interpretação é que o complexo do arenito estudado não foi depositado algumas horas ou meses após o impacto, mas durante um longo período de tempo", explicou a cientista.
O estudo também constatou que os sedimentos que separam os dois eventos têm características normais de sedimentação, com túneis criados por criaturas que habitam leito do oceano, erosão e transporte de sedimentos, mas nenhuma evidência de perturbação da estrutura sedimentar. Além disso, os cientistas também encontraram evidências de que o evento de Chicxulub não teve o impacto na biodiversidade como sugerido até agora.
Na localidade de El Penon, por exemplo, os pesquisadores encontraram 52 espécies presentes nos sedimentos abaixo da camada do impacto e contaram as mesmas 52 espécies nas camadas superiores. "Descobrimos que nenhuma espécie foi extinta como resultado do choque", disse Keller.

Erupções Vulcânicas
No entender de Keller a conclusão não deve provocar grandes surpresas. "Afinal, nenhuma outra extinção em massa está associada a um impacto, além disso, não se conhece nenhuma outra cratera gigante que pode ter provocado uma grande extinção".
Descartando a possibilidade do impacto de Chicxulub ter provocado a extinção dos dinossauros, Keller acredita que o evento tenha sido provocado por violentas erupções vulcânicas ocorridas em Deccan Traps, na Índia, que liberaram grandes quantidades de poeira e gases que bloquearam a luz e amplificaram significativamente o efeito estufa. 

Origem do Texto: http://www.apolo11.com/cometa_73p.php?titulo=Novas_descobertas_questionam_extincao_dos_dinossauros&posic=dat_20090427-094059.inc

Algumas notas sobre mudança climática


Com a ocorrência da Conferência sobre o Clima de Copenhagen, é apropriado esclarecer mais uma vez quais coisas já se sabem com certa precisão sobre o clima de nosso planeta mudanças climáticas.
Obviamente, um texto breve não pode substituir estudos detalhados de profissionais em várias disciplinas científicas — climatologia, física atmosférica, química, geologia, astronomia, e economia. No entanto, pode resumir as teses básicas das principais tendências na evolução do clima, nas previsões, e nos seus efeitos reais e projetados.

1. O clima da Terra está em constante mudança. O clima mudou no passado, está mudando agora, e, obviamente, mudará no futuro — contanto que nosso planeta ainda exista.

2. Mudanças climáticas têm em geral natureza cíclica. Há vários horizontes de tempo para os ciclos climáticos — do ciclo anual conhecido por todos a ciclos de 65-70 anos, de 1.300 anos, e de 100.000 anos (os chamados ciclos de Milankovitch).

3. Não há nenhum desacordo fundamental entre cientistas, figuras públicas e governos sobre o fato de que o clima está mudando. Há um largo consenso sobre o clima mudar constantemente. O mito criado por alarmistas do clima de que seus oponentes negam a mudança climática é mera propaganda política.

4. O atual debate entre climatologistas, economistas e figuras públicas não é sobre o fato de que o clima está mudando, mas outras questões. Em particular, desacordos existem sobre:
- os níveis comparativos das temperaturas dos dias de hoje (relativamente às historicamente observadas);
- a direção da mudança climática, dependendo do tamanho do registro;
- a extensão da mudança climática;
- a taxa da mudança climática;
- as causas da mudança climática;
- as previsões de mudança climática;
- as consequências da mudança climática;
- a melhor estratégia para que os seres humanos reajam à mudança climática.

5. Respostas imparciais a muitas dessas questões dependem crucialmente do horizonte de tempo escolhido — se é de 10 anos, 30 anos, 70, 1000 anos, 10.000 anos, ou centenas de milhares ou milhões de anos. Dependendo do horizonte de tempo, as respostas a muitas dessas perguntas podem ser diferentes, até opostas.

6. O atual nível de temperatura global, em perspectiva histórica, não é inédito. A temperatura média da Terra é hoje estimada em cerca de 14,5º Celsius. Na história de nosso planeta, houve poucos períodos em que a temperatura da Terra foi mais baixa do que hoje — no início do período Permiano, no Oligoceno, e durante as glaciações periódicas do Pleistoceno. Pela maior parte dos últimos 500.000 anos, a temperatura do ar na superfície da Terra excedeu em muito a atual, e por cerca de metade desse período esteve em aproximadamente 25ºC graus, dez a mais do que a temperatura atual. Glaciações regulares de períodos frios durante o Pleistoceno duraram aproximadamente 900.000 anos, com uma temperatura mínima cerca de cinco graus abaixo da presente, alternando-se com períodos interglaciais quentes (por 4.000-6.000 anos) com temperaturas 1-3ºC mais altas do que as atuais. Aproximadamente 11.000 anos atrás, o último aumento significativo na temperatura (de aproximadamente 5ºC) começou, e nesse período uma enorme geleira, que cobria uma parte considerável da Eurásia e da América, havia derretido. O aquecimento global teve um papel-chave na aquisição pela humanidade dos segredos da agricultura e na transição para a civilização. Ao longo dos últimos 11.000 anos, houve pelo menos cinco períodos quentes distintos, os chamados "ótimos climáticos", durante os quais a temperatura do planeta esteve 1-3ºC mais alta do que atualmente.

7. O foco da mudança climática depende crucialmente da escolha do horizonte de tempo. Nos último 11 anos (1998-2009), a temperatura global manteve-se estável. Antes disso, nos 20 anos precedentes (1979-1998), aumentou em cerca de 0,3ºC. Antes disso, durante os 35 anos precedentes (1940-1976), a temperatura caiu em cerca de 0,1ºC. Antes disso, nos dois séculos anteriores (1740-1940), a tendêncial geral na temperatura global foi basicamente neutra — com aquecimentos periódicos, seguidos por resfriamentos, e então novamente aquecimentos. Ao longo dos últimos três séculos (desde a virada do século XVIII), a temperatura do Hemisfério Norte aumentou em cerca de aproximadamente 1,3ºC, do vale da Pequena Idade do Gelo nos anos 1500-1740, seguida do ótimo climático contemporâneo, que começou em cerca de 1980. Durante os três séculos que precederam a Pequena Idade do Gelo, a temperatura no hemisfério Norte estava caindo comparada ao seu nível durante o ótimo climático medieval, nos séculos VIII-XIII. Dependendo da janela de tempo escolhida, a tendência de longo prazo da temperatura tem uma trajetória diferente. Em períodos dos últimos 2.000 anos, dos últimos 4.000 anos, e dos últimos 8.000, a tendência foi negativa. Em períodos dos últimos 1.300 anos, dos últimos 5.000 anos, e dos últimos 9.000 anos, foi positiva.

8. A taxa da mudança climática contemporânea é muito mais modesta em comparação com a taxa das mudanças climáticas observadas anteriormente na história do planeta. O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) descreve o aumento de 0,76ºC na temperatura global no último século (1906-2005) como extraordinário. Há motivos para suspeitar que esse valor de temperatura está um tanto exagerado. No entanto, o principal ponto é que aumentos anteriores na temperatura foram maiores do que os da era moderna. Dados comparáveis mostram que o aumento na temperatura, por exemplo, na Inglaterra Central no século XVIII (em cerca de 0,97ºC) foi mais significativo do que no século XX (por 0,90ºC). As mudanças climáticas na Groenlândia Central nos últimos 50.000 anos mostram que houve pelo menos uma dúzia de períodos nos quais a temperatura regional aumentou em 10-13ºC. Dada a correlação entre mudanças na temperatura em altas latitudes e globais, essas mudanças no regime de temperatura na Groenlândia significaram um aumento na temperatura global de 4-6ºC. Essa taxa foi aproximadamente cinco a sete vezes maior do que o real (e talvez um pouco exagerado) aumento de temperatura no século XX.

9. A taxa de atual mudança climática (a velocidade do aquecimento moderno) não é, por padrões históricos, inédita. Segundo dados do IPCC, a taxa de aumento da temperatura nos últimos 50 anos foi de 0,13ºC por década. Segundo dados comparáveis, obtidos por medidas instrumentais, uma taxa mais alta de aumento da temperatura foi observada pelo menos três vezes: no final do séxculo XVII e início do século XVIII; na segunda metade do século XVIII; no fim do século XIX e início do século XX. A taxa centenária de aquecimento no século XX é mais baixa do que do aquecimento do século XVIII, registrado instrumentalmente, e mais lenta do que o aquecimento em pelo menos 13 casos nos últimos 50.000 anos, medidos por métodos paleoclimáticos.

10. Entre as causas da mudança climática na era pré-industrial não havia quase nenhum fator antropogênico — devido ao tamanho modesto da população e às limitadas atividades econômicas da humanidade. Mas o âmbito das flutuações climáticas, suas taxas e valores de pico na era pré-industrial excederam os parâmetros da mudança climática registrada no período industrial.

11. Durante a era industrial (desde o início do século XIX), acredita-se que a mudança climática esteja sob o impacto de ambos os grupos de fatores — de caráter natural e antropogênico. Como a taxa de mudança climática na era industrial é tão menor que de alguns períodos da era pré-industrial, não há base para a afirmação de que fatores antropogênicos já tenham se tornado tão significativos quanto os natural, e muito menos que já os tenham superado.

12. Fatores de mudança climática antropogênicos são bastante diversos e não podem ser restritos somente ao dióxido de carbono. A humanidade impacta o clima local, regional e global construindo edifícios e estruturas, aquecedores, instalações públicas e industriais; desmatando e plantando florestas; arando terra cultivável; represando rios; drenando e irrigando terras; nivelando e pavimento terrenos; conduzindo indústrias; emitindo aerossóis, etc..

13. Não há consenso na comunidade científica sobre o papel do dióxido de carbono na mudança climática. Alguns cientistas acreditam que seja crucial, outros que é secundário a outros fatores. Há também sério desacordo sobre a natureza e direção da possível causalidade entre a concentração de dióxido de carbono na atmosfera e a temperatura: alguns pesquisadores acreditam que o dióxido de carbono provoca um aumento da temperatura, e outros defendem o oposto — que flutuações na temperatura causam mudanças na concentração de dióxido de carbono.

14. Diferentemente do monóxido de carbono (CO), o dióxido de carbono (CO2) é inofensivo aos humanos; diferentemente do aerossol, um substância nociva e perigosa, o dióxido de carbono não polui o meio ambiente. Não tem cor, gosto ou cheiro. Portanto, fotos e vídeos muito divulgados mostrando chaminés de fábricas emitindo fumaça e carros emitindo escapamento para ilustrar o dióxido de carbono são simplesmente enganosos — o CO2 é invisível; o que é visível nessas imagens são poluentes. Também se deve notas que a concentração aumentada de dióxido de carbono no ar tem um impacto positivo sobre a produtividade das plantas, incluindo culturas agrícolas.

15. A relação entre a concentração de dióxido de carbono e mudança climática ainda é tema de intenso debate científico. É verdade que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou de 280 partes por milhão de partículas de ar no início do século XIX para 388 partículas em 2009. Também é verdade que a temperatura global no período aumentou cerca de 0,8ºC. Mas se esses dois fatores estão conectados não está claro. A dinâmica da concentração de CO2 não teve uma correlação boa com as mudanças esperadas na temperatura. Os aumentos rápidos e significativos na temperatura global durante os períodos interglaciais do Pleistoceno, durante o Ótimo Climático Medieval, e no século XVIII, não foram precedidos por um aumento na concentração de dióxido de carbono. Na era industrial, um aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera não foi sempre acompanhado de um aumento na temperatura global. Em 1944-1976, a concentração de CO2 aumentou em 24 unidades — de 308 para 332 partículas — mas a temperatura global caiu em 0,1ºC. Em 1998-2009, a concentração de CO2 aumentou em 21 unidades — de 367 para 388 partículas — mas a tendência de temperatura global ficou estável. Na primeira metade dos anos 1940, a redução da concentração de dióxido de carbono em 3 unidades (comor resultado da destruição em massa causada pela Segunda Guerra Mundial) não impediu a temperatura global de aumentar em 0,1ºC.

16. Até agora, os modelos climáticos globais demostraram eficácia limitada. A natureza complexa do sistema do clima não é refletida com adequação suficiente nos modelos climáticos globais cujo uso recentemente se espalhou pelo mundo. As projeções desenvolvidas com base neles do fim dos anos 1990 ao início dos anos 2000 previam um aumento de 1,4-5,8ºC na temperatura global até o fim do século XXI, com um aumento de 0,2-0,4ºC já na primeira década. Na realidade, nos anos de 1998-2009 a temperatura ficou no máximo estável.

17. Previsões de mudança climática global feitas no início da década por cientistas russos (do Instituto de Pesquisa Ártica e Antártica, o Observatório Geofísico Principal de Voeikov) previram uma queda na temperatura global de 0,6ºC em relação ao pico atingido no fim do século XX até 2025-2030. Até agora, a temperatura na última década não aumentou.

18. As implicações da mudança climática para os seres humanos diferem muito dependendo de sua direção, tamanho e velocidade. Um aumento na temperatura leva, em regra, a um clima mais úmido e ameno, enquanto uma redução da temperatura leva a um clima mais seco e rigoroso. Foi um ótimo climático do Holoceno, com temperaturas 1-3ºC mais altas do que hoje, que contribuiu enormemente para o advento da civilização. As condições para a vida e a atividade econômica nos climas mais quentes são geralmente mais favoráveis que nos ambientes mais frios. Em climas mais quentes, tende a haver mais precipitação do que em áreas mais secas, o custo do aquecimento e o volume de comida exigidos para a sobrevivência humana são menores, os períodos de navegação e vegetação são mais longos, e a produtividades das culturas é maior.

19. Os métodos para "combater o aquecimento global" reduzindo emissões de dióxido de carbono sugeridos por alarmistas do clima não têm justificativa científica na ausência de mudanças extraordinárias ou incomuns no clima na era moderna. Tais medidas, se adotadas, são especialmente perigosas para países de renda baixa e média. Tais medidas efetivamente tirariam esses países do caminho da prosperidade e obstruiria sua capacidade de fechar a lacuna que os separa das nações mais desenvolvidas.

20. O impacto de todos os fatores antropogênicos (não apenas CO2) sobre o clima não está claro quando comparado aos fatores naturais. Portanto, a estratégia mais eficaz para a humanidade na reação a diferentes tipos de mudança climática é a adaptação. Essa é exatamente a forma como a humanidade reagiu às mudanças em maior escala do passado, embora estivesse menos preparada para tais mudanças. Agora a humanidade tem mais recursos para se adaptar, as flutuações climáticas são menores, e temos mais preparo científico, técnico e psicológicopara elas. A adaptação da humanidade às mudanças climáticas é incomparavelmente menos custosa do que outras opções sendo propostas e impostas por alarmistas do clima. A humanidade já se adaptou antes a mudanças climáticas, e continuará a se adaptar enquanto a sociedade e a economia forem livres e vibrantes.

Andrei Illarionov, ex-conselheiro econômico do presidente russo, é senior fellow do Cato Institute.

Fonte: http://www.ordemlivre.org/node/822

Luz solar pode controlar o clima


08 de outubro de 2009
Novos modelos computacionais começam a sugerir como variações na intensidade da radiação solar podem alterar padrões climáticos.
por David Biello
                                                                     Nasa
    Forçante solar: ao contrário do que se pensa, a variabilidade solar pode gerar grande impacto no clima da Terra.
Pequenas mudanças na intensidade do brilho solar podem provocar grandes impactos de médio e curto prazo no clima da Terra. Agora, de acordo com um novo estudo publicado na revista Science, os cientistas estão conseguindo entender os detalhes de como esse processo funciona.

Durante décadas, cientistas observaram que certos fenômenos climáticos ─ oceanos mais quentes, maior quantidade de chuvas tropicais, menos nuvens subtropicais, circulação mais intensa de ventos ─ parecem estar relativamente associados ao ciclo de atividade solar de 11 anos, que provoca marés e refluxos em regiões de manchas solares, resultando em variações na emissão total da radiância solar.

Essa variação é de aproximadamente 0,2 watt/m2 ─ pouco significativa para explicar, por exemplo, o real aquecimento das temperaturas da superfície do mar. Uma série de teorias se propõe a explicar a discrepância: alteração da química do ozônio da estratosfera, aumento de luz solar em áreas sem nuvens, e até raios cósmicos. Mas nenhuma delas isoladamente explica o fenômeno.

Utilizando um modelo computacional que reúne a química do ozônio e a quantidade reduzida nuvens subtropicais quando o Sol é mais intenso, o climatologista Gerald Meehl, do Centro Nacional Americano de Pesquisa Atmosférica (NCAR, na sigla em inglês) em Boulder, Colorado, e colegas reproduziram todos os fenômenos climáticos cíclicos observados quando a luz solar aumentou e diminuiu de intensidade ao longo do último século. “Mesmo que a variabilidade do Sol seja pequena em médias globais, regional ou localmente pode ser muito maior”, explica Meehl. Segundo ele, alterações na quantidade de ozônio estratosférico e na cobertura de nuvens subtropicais “podem se somar e se reforçar mutuamente amplificando esse pequeno sinal forçante”.

Se o modelo estiver correto, o mecanismo deve funcionar da seguinte forma: quando o Sol estiver com intensidade máxima, o ozônio da estratosfera tropical aprisiona ligeiramente mais calor na forma de aumento da radiação ultravioleta, aquecendo as vizinhanças e permitindo maior produção de ozônio. (Temperaturas mais altas facilitam a quebra de moléculas de O2 pela radiação ultravioleta, permitindo assim que os íons livres de oxigênio se prendam a outras moléculas de sua espécie para criar ozônio). Este, por sua vez, também se aquece e o ciclo prossegue, resultando em aproximadamente mais 2% de ozônio, globalmente. Mas essa mudança também começa a afetar a circulação da própria estratosfera, que então muda a circulação das camadas mais baixas da atmosfera ─ a troposfera ─ reforçando certos padrões de vento que afetam o clima a que estamos submetidos.

Enquanto isso, o aumento de radiância durante o máximo solar aquece mais o oceano em áreas já relativamente menos cobertas por nuvens, por causa do ar descendente mais frio. Isso provoca mais evaporação, que é transportada de volta aos trópicos, pela circulação dos ventos, onde desce novamente na forma de chuva, mas também reforça a convecção vertical responsável pela falta de nuvens nos céu subtropical. Esse fenômeno, por sua vez, aumenta ainda mais a pressão descendente nos subtrópicos, resultando em ainda menos nuvens ─ novamente aproximadamente 2% menos de nuvens sobre essas regiões do Pacífico. “O que se faz é simplesmente acelerar todo esse sistema”, observa Meehl.

Mas o modelo não reproduziu exatamente as condições reais. Enquanto as temperaturas da superfície do mar no leste do Pacifico normalmente diminuem de aproximadamente 0,8º C sob Sol ativo, o modelo só conseguiu reproduzir cerca de 0,6º C de resfriamento. O modelo também não conseguiu prever onde as variações realmente acontecem. Provavelmente outros fatores estão contribuindo também, avalia Meehl e até o melhor modelo computacional só chegaria perto das complexas condições reais do clima.

No momento, o Sol está estacionado em um período de atividade extremamente baixa, não como o Mínimo de Maunder, que pode ter sido responsável pela pequena Era do Gelo que congelou a Europa no fim do século 17. E, na segunda metade do século 20, a radiância solar permaneceu relativamente constante enquanto as temperaturas globais aumentaram ─ descartando ser a nossa estrela diretamente responsável pelo aquecimento do planeta.

A pesquisa agora começa a explicar os mecanismos físicos das mudanças na radiância solar que podem ter provocado impactos no planeta. Isso significa que o próximo ágio do ciclo solar e, consequentemente, do brilho solar pode ser condições que propiciem o surgimento do La Niña ─ águas da superfície do oceano anormalmente baixas ─ no Pacifico equatorial. “Sempre que isso acontece, há chances de ocorrer um La Niña fraco ─ como padrão”, prevê Meehl.
 Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/luz_solar_pode_controlar_o_clima.html

Extinção de peso

Teoria propõe que umidade excessiva alterou vegetação e eliminou grandes mamíferos na América do Sul, mas os preservou na África



Dê uma boa olhada nos dois paquidermes desta página, uma anta e um elefante. Apesar da visível diferença de porte, ambos são animais superlativos em seus continentes. Com no máximo 300 quilos e 2 metros de comprimento, a anta é o maior mamífero terrestre da América do Sul. Em seu habitat natural, suas medidas não são igualadas por ninguém. Ainda assim, sua configuração física é tímida perto da exibida por seu vizinho de página. Até 20 vinte vezes mais pesado que seu colega sul-americano, e com pelo menos o triplo do seu tamanho, o elefante é o ser não-marinho mais colossal da África - na verdade, de todo o mundo.

Na savana, a pescoçuda girafa é mais alta, o feroz leão carrega o título de rei dos animais, mas majestoso mesmo é o elefante. Por que o maior mamífero terrestre da América do Sul é tão menor do que o seu congênere africano? Porque aqui, como na maior parte do planeta, a chamada megafauna se extinguiu por completo, de forma ainda não muito bem explicada, em algummomento da história recente, enquanto lá algumas de suas linhagens, como as que geraram os atuais elefantes, girafas e rinocerontes, encontraram formas de se preservar ao longo do tempo. Certo, mas aí vem a verdadeira pergunta: se a América do Sul tinha, há uns 15 mil anos, uma fauna de mamíferos com diversidade e porte semelhantes à da África, por que, afinal, nossa megafauna pereceu e a deles não?

Segundo uma nova teoria, formulada pelo pesquisador Mario de Vivo, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), com a colaboração da bióloga e estudante de doutorado Ana Paula Carmignotto, uma significativa mudança climática pode ter sido o elemento-chave para explicar tanto o desaparecimento da megafauna na América do Sul como a sua razoável preservação na África: a quantidade acima do normal de água que despencou sobre os dois continentes no meio do Holoceno, época geológica (mais quente) iniciada há cerca de 11 mil anos, após o fim da última Era do Gelo, e que se estende até os dias de hoje. Choveu demais, as antigas áreas de savana-cerrado - o habitat por excelência dos grandes e médios mamíferos, geralmente situado em áreas tropicais de umidade moderada para baixa - tornaram-se extremamente densas e fechadas, com muitas árvores, e praticamente viraram extensões das vizinhas florestas tropicais.

Na África, a maioria dos mamíferos de grande porte, geralmente herbívoros que viviam em bandos, conseguiu migrar para novas zonas de vegetação aberta, com poucas árvores e alguma pastagem. Em função da alteração climática, esse tipo de formação vegetal surgiu em áreas hoje desérticas, situadas nas extremidades norte e sul do continente. Aqui os maiores bichos, concentrados na porção centro-norte da América do Sul, não encontraram um ambiente próximo compatível com seu estilo de vida. Faltou savana para eles. "A maioria dos autores costuma dizer que a manutenção de exemplares da megafauna na África se deu por um motivo que não teve nada a ver com o seu desaparecimento na América do Sul", afirma De Vivo. "Discordo dessa visão e acho que os dois processos foram conseqüência da mesma causa, o excesso de umidade que alterou a vegetação em ambos os continentes."

Clima e vegetação - Para bolar sua teoria sobre a megafauna, que será publicada em breve num artigo científico no Journal of Biogeography, professor e aluna da USP fizeram uma detalhada pesquisa multidisciplicar sobre os mamíferos, extintos e vivos, da América do Sul e da África. Também levantaram dados sobre como eram - ou podem ter sido - o clima e a vegetação nesses dois continentes nos últimos 20 mil anos. Grande parte dos trabalhos se deu no âmbito de um projeto temático financiado pela FAPESP e coordenado por De Vivo, que estuda a evolução e a conservação dos mamíferos presentes atualmente no leste do Brasil. O zoólogo é o primeiro a admitir que seu modelo não é perfeito, tampouco é capaz de responder a todas as perguntas sobre a megafauna. Ainda assim, acredita que sua teoria, apesar das limitações, pára em pé. "A explicação faz sentido quando se olha para o passado e o presente dos mamíferos na África e na América do Sul", diz ele.

A lógica do ponto de vista defendido pela dupla da USP baseia-se numa seqüência relativamente simples, mas engenhosa, de deduções e conclusões a partir da análise de uma série de dados e trabalhos sobre as megafaunas sul-americana e africana. De Vivo viu que os maiores mamíferos terrestres de ambos os continentes - aqueles extintos na América do Sul e os de grande porte ainda presentes na África, como elefantes, rinocerontes e girafas - precisam de grandes áreas abertas, com pastagem e sem muitas árvores, para manter o seu modo de vida. "Na África, ainda existem espécies de elefantes e de búfalos que moram dentro da floresta, na verdade em áreas de clareiras no meio da mata fechada", pondera o zoólogo. "Mas esses animais vivem em bandos pequenos e são bem menores do que os típicos elefantes e búfalos da savana." Portanto, se hoje os grandes mamíferos habitam pradarias com árvores esparsas, esse também deve ter sido há alguns milhares de anos o ambiente natural da megafauna.

Até aí não há nada de muito novo. Todos os registros fósseis levam a esse tipo de raciocínio. O passo seguinte foi criar um modelo climático-vegetativo razoavelmente confiável que indicasse onde pode ter havido savanas, ou algo próximo disso, na África e na América do Sul entre o final da época geológica chamada Pleistoceno - mais ou menos entre 20 e 13 mil anos atrás, no auge da última grande glaciação - e o meio do Holoceno, há cerca de 5 mil anos. O único parâmetro encontrado por De Vivo foram os índices de umidade, de pluviosidade, dos dois continentes, um dos fatores, ao lado da temperatura, mais importantes na caracterização do clima - e, por extensão, da vegetação - de uma região durante um período de tempo. Com os indícios pré-históricos sobre a quantidade de chuva que atingiu os dois blocos de terra firme separados pelo Atlântico sul, o pesquisador construiu dois cenários esquemáticos e radicalmente opostos sobre como as variações climáticas podem ter promovido mudanças radicaisem seus tiposdevegetação. Essa é grande contribuição do seu trabalho. 
O primeiro cenário se situa no chamado Último Máximo Glacial, entre aproximadamente 20 mil e 13 mil anos atrás, no final do Pleistoceno. Dentro da Era do Gelo, quando boa parte do globo foi coberta por geleiras, esse é o momento em que, tomando por base os índices contemporâneos de pluviosidade, registrou-se a menor quantidade de umidade na África e na América do Sul. Foi o ápice da estiagem (e do frio). O ambiente extremamente seco garantia a existência de vastas áreas de savana aberta, com árvores esparsas e muitas gramíneas, e de mosaicos de floresta aberta com enclaves de savana na maior parte do território dos dois continentes (veja mapas acima). Se em algumas regiões a seca foi extremamente forte, em outras ainda choveu bastante para manter muita vegetação, mesmo que aberta. Não faltavam, portanto, comida e espaço para a manutenção do estilo de vida da megafauna tanto na África como na América do Sul. "Não é possível precisar qual era o nível exato de umidade no últimoGlacial Máximo", comenta De Vivo. "Mas deve ter chovido anualmente menos do que 1.500 milímetros em muitas áreas."

Hoje áreas com esse índice de pluviosidade não comportam florestas tropicais extremamente densas - e o mesmo deve ter acontecido no passado. Alguns autores acham que o frio e a seca ainda mais intensa dessa fase glacial podem ter sido os responsáveis pela morte da megafauna na América do Norte. Para o pesquisador da USP, isso pode ter sido verdade lá em cima, mas não aqui em baixo. Na verdade, ele pensa justamente o contrário. "Nessa fase, as condições de vida para os grandes mamíferos na América do Sul e na África devem ter sido ótimas, pois deveria haver muitas áreas de savana para esses animais", diz De Vivo. Não se deve esquecer que, devido à sua posição geográfica eminentemente entre os trópicos, os dois continentes austrais foram menos afetados pela glaciação do que, por exemplo, a Europa e a América do Norte, situadas em zonas temperadas.

O segundo cenário localiza-se no Ótimo Climático do Holoceno, entre 8 mil e 3 mil anos atrás. Nesse momento, tudo mudou em relação à fase anteriormente descrita: o clima é úmido como nunca, talvez uns 30% a mais do que hoje, e a vegetação da América do Sul e da África sofre mutações radicais. Segundo De Vivo, é agora que o cerco sobre a megafauna se fecha de vez, em especial aqui. O excesso de umidade transformou a América do Sul, quase de ponta a ponta, num continente com formações vegetais tão densas e fechadas que inviabilizaram a manutenção das maiores linhagens de mamíferos terrestres. Expulsa de seu ambiente original pelo avanço da mata cerrada, a megafauna teve de procurar novas áreas de savana para garantir a sua sobrevivência.

"Mas na América do Sul, ao contrário do que ocorreu na África, não restaram áreas de cerrado-savana próximas aos locais onde viviam os grandes mamíferos", afirma a bióloga Ana Paula Carmignotto. "Nessa fase, a única região com essas características era a Patagônia, no sul da Argentina e Chile, mas essa área era muito fria e de difícil acesso." E os maiores mamíferos não devem ter conseguido fazer a migração e ficaram pelo caminho. Por falta de espaço físico para se mover e de gramíneas para comer, fabulosos animais pereceram em terras sul-americanas. Adeus preguiças gigantes, gliptodontes (que lembravam grandes tatus), mastodontes e tigres-dentes-de-sabre. Sobraram apenas bichos de tamanho médio para baixo, o que explicaria o fato de a modesta anta ser atualmente o maior mamífero do continente.

Salvos pelo Saara - Na outra margem do Atlântico Sul,houve um processo semelhante, mas as conseqüências foram bem menos trágicas. Na África Central, a chuva abundante do Holoceno médio também metamorfoseou as savanas e florestas abertas em matas mais cerradas, impróprias para a vida das espécies que compunham a megafauna. Mas, em compensação, a umidade extra do período conferiu feições mais amenas, de savana, a duas áreas então áridas e semi-áridas do continente, os desertos do Saara, ao norte, e do Kalahari, ao sul. Na prática, sempre segundo o modelo proposto por De Vivo, as extremidades da África serviram de refúgio, durante esse período mais chuvoso, para os mamíferos de maior porte que tinham sido expulsos da porção central do continente pelo avanço da floresta sobre as antigas savanas. "Uma série de pinturas rupestres de até 8 mil anos de idade mostra que o Saara (com áreas de savana) já abrigou populações de girafas", comenta De Vivo. Anos mais tarde, quando a umidade deixou de ser excessiva, e o clima assumiu feições parecidas com as atuais, os desertos que haviam virado savana voltaram a ser desertos e as savanas que haviam se transformado em floresta retornaram à condição de savana. Então, as linhagens sobreviventes de megafauna e de outros mamíferos de porte médio, que haviam encontrado seu oásis nos desertos do Ótimo Climático do Holoceno, puderam retornar ao seu ambiente clássico, as savanas da África Central. Segundo o modelo de Vivo/Carmignotto, é por isso que hoje há elefantes, rinocerontes, girafas, hipopótamos na África - e não na América do Sul.

Não é a primeira vez que um especialista atribui o desaparecimento da megafauna sul-americana a alterações climáticas - e não a outras razões, como a chegada do homem ou de novas doenças ao continente. Isso não quer dizer que as idéias dos pesquisadores da USP sejam exatamente iguais às de outros estudiosos do assunto. Na verdade, pelo menos dois pontos em sua teoria são distintos das demais hipóteses que apontam o clima como maior vilão dessa história. Diferença número um: o momento em que foi dado o golpe final nos grandes mamíferos da América do Sul. Para De Vivo, o último sopro de vida desses animais ocorreu entre 8 e 3 mil anos atrás, no meio do Holoceno, depois do término da última grande glaciação. Para outros autores, a extinção se deu um pouco antes, há mais de 11 mil anos, ainda no Pleistoceno, época geológica que antecedeu ao Holoceno e popularmente é chamada de a Era do Gelo. Diferença número dois: a mudança climática que inviabilizou a vida da megafauna daqui foi o excesso de umidade do meio do Holoceno, época em que vivemos hoje - e não a sua falta do final do Pleistoceno, como advogam outros pesquisadores.  
"Muitos pesquisadores acreditam que foi o período mais seco e frio (do Pleistoceno) que matou a megafauna da América do Norte, mas acreditamos que, na América do Sul, ocorreu justamente o contrário", afirma Ana Paula.As hipóteses formuladas para explicar a extinção da megafauna na maior parte do globo podem ser agrupadas em três grandes categorias, que formam um jogo de palavras em inglês: overkill (os homens caçaram em demasia os bichos), overill (a culpa foi do surgimento de novas e letais doenças) e overchill (o intenso frio seco no fim da última glaciação congelou os bichos). No Brasil, é difícil encontrar quem defenda as duas primeiras teorias. "Já vi 150 mil peças (ossos e artefatos) do Pleistoceno brasileiro e só encontrei indícios de marcas intencionalmente causadas pelo homem em uma delas", diz o paleontólogo Castor Cartelle, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Pontifícia Universidade Católica de Minas (PUC-MG), um dos maiores especialistas em megafauna do país. "Honestamente, essa história de overkill é uma idiotice. Também não conheço nenhum caso histórico de zoonose que tenha eliminado uma espécie (demegafauna) de um continente inteiro."

Paleontólogo aposentado da Universidade Federal do Acre (Ufac), Alceu Ranzi acredita, a exemplo de Cartelle, que o elemento - chave para o sumiço da megafauna sul-americana foi algum tipo de alteração climática, durante o Pleistoceno ou na transição desta época para o Holoceno. "Como a entrada do homem nas Américas (há cerca de 11 mil anos) foi mais ou menos contemporânea à extinção dos grandes mamíferos, alguns pesquisadores dizem que uma coisa levou necessariamente à outra", afirma Ranzi. "A megafauna até pode ter sido alvo de caça, mas não deve ter sido isso que a levou à extinção. Não há cemitério desses bichos cheios de flechas humanas." Anos atrás, Ranzi encontrou camelídeos (guanacos, alpacas, lhamas) de 18 mil anos de idade na Amazônia, uma evidência de que deve ter havido ali, pouco antes do fim do Pleistoceno, um tipo de ambiente mais próximo das savanas do que da atual floresta tropical. Mais ou menos como afirma De Vivo em seu modelo climático-vegetativo para aAmérica do Sul e África.

Os mamíferos surgiram provavelmente há cerca de 220 milhões de anos, no período geológico denominado Triássico Superior, mais ou menos no mesmo momento da pré-história em que apareceram os dinossauros. Seus primeiros exemplares eram animais muito pequenos, de uns poucos centímetros, parecidos com modernos ratos ou esquilos selvagens. Aparentemente comiam insetos e tinham hábitos noturnos. Sua evolução foi lenta e durante aproximadamente 150 milhões de anos viveram aos pés dos grandes répteis. Somente depois do misterioso desaparecimento dos dinossauros, há 65 milhões de anos, no final do período Cretáceo, passaram a assumir formas e tamanhos variados. Com o tempo, os maiores se transformaram em criaturas quase tão avantajadas quanto os colossais répteis que os precederam, como preguiças e camelídeos gigantes, mamutes, mastodontes e gliptodontes, às vezes com alguns metros de altura e toneladas de peso.

A literatura científica mostra que, embora sempre tenham contado com espécies particulares, próprias de seus continentes, a América do Sul e a África tiveram faunas de mamíferos terrestres com semelhante grau de diversidade até um passado relativamente recente. Ao longo de todo o período Terciário (entre 65 milhões e 1,8 milhão de anos atrás) e de boa parte do Quaternário (entre 1,8 milhão de anos atrás até os dias de hoje), havia até, segundo alguns autores, mais formas de mamíferos não-voadores e não-aquáticos aqui do que lá. "A América do Sul tinha 20 ordens de mamíferos (terrestres) e a África, apenas 13", conta De Vivo. Na linguagem dos taxonomistas, uma ordem é uma categoria de classificação de organismos que compreende uma ou várias famílias similares ou intimamente relacionadas de seres vivos. Dentro da ordem dos primatas, por exemplo, figuram várias famílias de mamíferos, como a dos Hominidae (grandes macacos e humanos), dos Callitrichidae (sagüis e micos) e dosLemuridae (lêmures), entre outras. Hoje, a África apresenta 11 ordens de mamíferos terrestres, uma a menos do que a América do Sul.

Por algum motivo, ou mesmo vários, oito ordens desaparecem da margem esquerda do Atlântico Sul, sobretudo as de animais de grande e médio porte que moravam em áreas de vegetação aberta, e somente duas na margem direita. Não por acaso, se for adotado o peso dos animais como um indicador de seu tamanho, a categoria dos mamíferos terrestres com menos de 5 quilos é a única em que há mais espécies na América do Sul do que na África (622 contra 587). Em todas as demais, o continente das girafas e elefantes apresenta mais espécies de animais de sangue quente do que o Brasil e seus vizinhos hispânicos. "Ficamos basicamente com os bichos de floresta, pequenos, e eles com os de savana, maiores", resume De Vivo.
O Projeto
Sistemática, Evolução e Conservação de Mamíferos do Leste do Brasil
Modalidade
Projeto Temático
Coordenador
Mario de Vivo - Museu de Zoologia/USP
Investimento
RS$ 789.083,78

Fonte: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=2430&bd=1&pg=1&lg=

Anomalia Magnética e a Alteração Climática


Seria interessante analisar conjuntamente os seguintes períodos paleoclimáticos e conhecimentos dos nossos antepassados:

1 – O Período Quente Minóico (aprox. 1400 aC), o Período Quente Romano (aprox. 250 aC) e o Ótimo Climático Medieval (aprox. 1000 dC) apresentam-se como fenómenos cíclicos com uma periodicidade de aproximadamente 1200 anos;

2 – O povo Inca (povo pré-colombiano das Américas) dizia que a Via Láctea (Mayu) é responsável pelas chuvas, e que o rio celestial, Mayu, se relaciona com as cheias dos rios da região Inca, atual Peru; e

3 – A teoria proposta por Charles Greeley Abbot – climatologista americano que foi desacreditado em vida – de que a variação da constante solar influencia o estado do tempo (e o clima).

Os períodos quentes observados na Europa obedeceram a um ciclo de cerca de 1200 anos. Desta forma, seria interessante encontrar um fenômeno que também tenha um período de 1200 anos que possa estar relacionado com aquele ciclo.

Será um fenômeno intergaláctico? Será que tal fenômeno é a Anomalia Magnética do Atlântico Sul? Esta anomalia pode diminuir o escudo protetor da Terra contra os prótons do sistema intergaláctico e solar e apresentar precisamente um ciclo de 1200 anos.

Tornar-se-ia necessário analisar o ciclo do posicionamento desta Anomalia – em forma de mancha – sobre a superfície do planeta. A Anomalia está atualmente localizada sobre o Atlântico Sul (especificamente sobre o Continente Americano). A sua velocidade de deslocamento de 0,3 ºW / ano influenciará o clima planetário ou, principalmente, o clima europeu?

O valor 0,3 ºW /ano refere-se ao deslocamento anual da área ou mancha do designado Mapeamento Geográfico da Anomalia do Atlântico Sul de 0,3 graus para oeste. A área demoraria 1200 anos para percorrer 360 graus da esfericidade da Terra. Isto é, as influências (registradas atualmente) decorrentes do posicionamento atual desta mancha seriam as mesmas que foram registradas há 1200 anos atrás, há 2400 anos atrás, etc?
A Anomalia encontra-se visível na fig. 4 do artigo «Um Novo Olhar sobre a Segurança de Sistemas Elétricos».

Admite-se que durante uma explosão solar intensa o número de prótons que caem para a baixa atmosfera é muito superior ao número médio durante um dia calmo de atividade solar. Admite-se ainda que o número que cai sobre a Anomalia Magnética do Atlântico Sul é superior ao do restante do globo.

Poderíamos concluir que a Anomalia age como um funil da massa intergaláctica e que os valores encontrados em seu interior superam os valores do restante do globo. Logo, teremos uma maior ativação de núcleos de condensação de gotas de formação das nuvens devido a esta massa de origem intergaláctica.

E, uma vez que esta anomalia esteja sobre o Pacífico Leste, poder-se-ia dizer que teríamos um evento de El Niño extremamente intenso e por um período longo?

O que ocorre na Europa durante um evento de El Niño? Ou no Pacifico Leste? Ou no atual posicionamento do “núcleo” da Anomalia Magnética do Atlântico Sul?

São tudo interrogações para uma investigação que se apresenta com interesse, a realizar por uma equipa multidisciplinar.

O revide dos céticos do aquecimento



03/03/2008

Com uma plástica impecável e a história bem contada sobre os 30 anos de ativismo ambiental do ex-vice-presidente americano Al Gore, o filme Uma Verdade Inconveniente, vencedor do Oscar no ano passado, promoveu um feito: popularizou a questão do aquecimento global nos quatro cantos da Terra. Mas será o homem o responsável por uma emergência planetária iminente, resultado da emissão de CO2, como propagou Gore, a ponto de causar inundações bíblicas e a varrição de cidades inteiras por furacões furiosos? Um grupo de cientistas dissidentes, os céticos, acha que não – e eles resolveram sair a público para contar outra versão da história.
Até então restritos a aparições pontuais e polêmicas, os céticos não são mais tão poucos – formaram um grupo coeso e estão dispostos a comprar briga com ambientalistas radicais. Prova disso é o evento que começa hoje, em Nova York. Mais de seis dezenas de dissidentes, muitos dos quais notáveis, de instituições de renome, irão reunir-se em uma conferência internacional cuja tema principal é Aquecimento Global: Crise ou Fraude? Desde que o aumento das temperaturas tomou as manchetes, nunca tantos cientistas com idéias contrárias ao IPCC, o painel climático da ONU que ganhou junto com Al Gore o Prêmio Nobel da Paz no ano passado, reuniram-se para debater o tema.
A idéia, de acordo com os organizadores, é expor estudos que desmentem a “tese apocalíptica”, mostrar a seriedade da corrente cética e achar soluções plausíveis para o problema do aquecimento. “Discutir a responsabilidade total ou parcial do homem, e os caminhos a seguir caso nossa presença na Terra estiver interferindo no clima, é muito relevante, pois implica em uma mudança radical de vida para todos os habitantes do globo. O unilateralismo só prejudica”, diz James Taylor, coordenador do evento.
Vistos como os meninos maus do ambientalismo, os céticos são acusados de ligações com a indústria do petróleo, de quem ganhariam gordas mesadas para passar ao mundo a mensagem de que o aquecimento é uma falácia. Eles juram que não beneficiam ninguém. “Mesmo se diminuíssemos drasticamente a emissão de CO2, não atingiríamos as metas de Kyoto. É um fato”, diz Patrick Michaels, da Universidade da Virgínia. “É importante diminuir a emissão de CO2 para melhorar os problemas ambientais imediatos das metrópoles, não para tentar salvar o mundo de um suposto colapso”, diz o dinamarquês Bjorn Lomborg, no livro O Ambientalista Cético.
O futuro do planeta, como aceitamos hoje, vem sendo traçado pelo IPCC desde 1998. O painel reúne uma elite de 2.500 dos principais pesquisadores de mudanças climáticas da atualidade e tem a missão de atualizar as informações sobre o clima. De acordo com o painel, o aumento da temperatura em até 6,8°C até o fim deste século acarretará uma série de catástrofes naturais, como aumento do nível dos mares e disseminação de doenças tropicais.
Os céticos não negam a existência de um aquecimento em curso no planeta – quase todos os cientistas atualmente concordam que as temperaturas na Terra aumentaram 1°C no século passado – nem contestam o efeito estufa. Eles partem do princípio de que o clima está mais quente não por causa do homem, mas devido a um ciclo natural de aquecimento e resfriamento do globo. Esse ciclo obedeceria a forças mais poderosas do que a presença de mais CO2 na atmosfera, como a influência do Sol na Terra. Em um estudo recente, o geólogo Don Easterbrook, da Universidade de Western Washington, mostrou que nos últimos 15 mil anos houve dez períodos de aquecimento mais intensos do que o atual – e esses períodos se alinham com o aumento da intensidade da radiação solar.
A radiação solar, o magnetismo do núcleo da Terra e a órbita do planeta, argumentam os céticos, determinaram o clima por milhões de anos. “O aquecimento é resultado de muitos fatores. A emissão de gases é um deles, mas está longe de ser o mais relevante”, diz Richard Lindzen, do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT). “O homem pode alterar o clima, mas é muita ignorância e presunção supor que sua ação tem mais impacto do que as atividades no núcleo terrestre, por exemplo. Isso moveu placas tectônicas, empurrou os Andes e o Tibete.”
Para o grupo, as catástrofes anunciadas pelo IPCC não passam de alarmismo. “Caminhamos para uma era glacial, mas, pelo amor de Deus, não precisamos prender a respiração por isso”, diz Michaels, da Virgínia. Para os céticos, as medições de computador que projetam tais hecatombes são falhas e excluem muitas variáveis climáticas. O filme de Al Gore, alardeiam os céticos, estimou o aumento dos mares em 2.000%.
Mas, afinal, em quem acreditar? O mundo vai acabar em dez anos se não evitarmos as emissões de CO2, como diz Al Gore? Ou é tudo uma jogada de marketing, como dizem os céticos? “O que propicia essa discussão sem fim sobre o aquecimento global e suas conseqüências é a própria natureza do clima”, diz Lindzen, do MIT. “O sistema climático é complicadíssimo – e mecanismos fundamentais ainda são desconhecidos”, escreveu o dinamarquês Lomborg.
(Fonte: Gabriela Carelli / O Estado de S. Paulo)

Redução de gelo no Ártico causa migração de espécies para o Atlântico


Algumas espécies procedentes do Oceano Pacífico, entre elas uma alga microscópica e a baleia-cinzenta, migraram ao Atlântico por meio do Ártico devido à redução da camada de gelo que formou um corredor marinho pelas águas do norte, revela um estudo europeu publicado na revista científica ‘Nature’.
Os autores do texto constataram a migração da espécie de plâncton ‘Neodenticula seminae‘, considerada extinta no Atlântico Norte há 800 mil anos, o que representa uma alteração da cadeia alimentar marinha.
Embora esta alga microscópica seja fonte de alimento, sua detecção no Atlântico não foi bem recebida pelos cientistas responsáveis pelo projeto Clamer, uma parceria de 17 instituições marinhas de dez países europeus. Eles alertam que qualquer impacto na base da cadeia alimentar poderia, da mesma forma que um terremoto, modificar a atual vida marinha.
Essa descoberta representa “a primeira prova de uma migração por meio do Ártico em tempos modernos” relacionada ao plâncton, segundo os cientistas da Fundação para a Ciência Oceânica Alister Hardy, do Reino Unido.

Biodiversidade – Os especialistas advertem que uma mudança deste tipo pode transformar a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas aquáticos do Ártico e do Atlântico Norte.
Além da ‘Neodenticula seminae‘, o texto indica a presença da baleia-cinzenta no litoral da Espanha e de Israel, uma espécie extinta do Atlântico há três séculos, possivelmente devido ao excesso de caça.
Segundo a pesquisa, os cientistas acreditam que a redução da camada de gelo no Ártico permitiu que a baleia passasse do Pacífico ao Atlântico Norte e chegasse, em seguida, ao Mar Mediterrâneo.
“As migrações são um exemplo de como as condições produzidas pela mudança climática fazem com que as espécies se movimentem ou mudem de comportamento, levando a modificações em ecossistemas que hoje são claramente visíveis”, afirmou o coordenador do projeto Clamer, Carlo Heip, diretor-geral do Real Instituto de Pesquisa Marinha da Holanda.
O estudo destaca que alguns crustáceos microscópicos denominados copépodes também estão usando o ‘corredor’ migratório e ameaçam a provisão de peixes difundidos na culinária internacional, como o bacalhau, o arenque e o carapau.
Segundo a pesquisa, os impactos da migração de copépodes são evidentes, já que a modificação na vida do plâncton está relacionada à queda das reservas de peixes e, consequentemente, de pássaros do Mar do Norte, que se alimentam deles.
A movimentação dos novos crustáceos faz com que as águas do Atlântico e do Mar do Norte se tornem mais temperadas. Em decorrência, uma variedade de copépode denominada “Calanus finmarchicus“, rica e crucial fonte de óleo na região, acaba substituída pela chegada de outras espécies menores e menos nutritivas.
“Mas o maior impacto é claramente negativo, e o alcance da mudança é potencialmente tão grande que, em seu conjunto, constitui um forte sinal de advertência”, adverte Carlo Heip. (Fonte: G1)

Fonte: http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/06/27/71641-reducao-de-gelo-no-artico-causa-migracao-de-especies-para-o-atlantico.html

Tempestade solar pode causar interferências eletromagnéticas

A violenta explosão solar ocorrida nas primeiras horas de terça-feira arremessou ao espaço uma das maiores cargas de massa coronal já registrada. Apesar de não representar qualquer perigo, esperam-se distúrbios de radiopropagação nas faixas de baixa frequência e desvios significativos em bússolas localizadas principalmente no hemisfério norte.




A poderosa explosão ocorreu às 03h17 de terça-feira 07/06/2011 e teve como origem a mancha solar 1226, localizada na borda do disco solar. Devido a essa posição limítrofe, a maior parte das partículas carregadas foi ejetada em direção ao espaço, mas uma pequena parcela deverá atingir a Terra nas próximas 48 horas.


Segundo modelos de previsão de clima espacial, a explosão acelerou as partículas a 1100 km/s e é nesta velocidade que se chocarão contra a magnetosfera da Terra.


A primeira consequência é a possibilidade de auroras boreais nas latitudes mais elevadas, provocadas pela ionização dos átomos de nitrogênio e oxigênio na atmosfera superior. Excitado, o nitrogênio emite fótons no comprimento de luz verde enquanto o oxigênio emite luz no espectro do vermelho.


Com relação às telecomunicações, as principais interferências ocorrem nos comprimentos de onda de frequências muito baixas - VLF - onde operam equipamentos de navegação e orientação de barcos e aeronaves. No entanto, devido à redundância de instrumentos utilizados para orientação e o uso de sistemas inerciais de orientação, esse seguimento é pouco afetado por tempestades solares.


Embarcações que utilizam exclusivamente GPS para orientação poderão também perceber pequenos erros de posicionamento. O motivo é que esses instrumentos baseiam-se no tempo que as ondas eletromagnéticas chegam até o receptor. Durante as tempestades geomagnéticas a ionosfera terrestre se torna mais densa no comprimento de onda utilizado pelo sistema GPS, retardando em alguns microssegundos a recepção dos sinais. No entanto, modelos conhecidos como Ionosferic Delay permitem aos operadores do sistema levar em conta esse atraso, introduzindo correções para que o erro seja minimizado.


Tempestades solares intensas também são responsáveis por danificar equipamentos a bordo de satélites e aumentar o arrasto deles na atmosfera, tornando frequente a necessidade de reposicionamento para que seja mantida a órbita programada.


O setor elétrico também sofre com as perturbações do Sol, que geram correntes elétricas induzidas nas linhas de transmissão. Dependendo da intensidade da tempestade e da região do planeta, as correntes induzidas podem danificar transformadores e em casos mais graves até mesmo explodir equipamentos, principalmente se localizados nas latitudes elevadas. 

Origem do Texto: http://www.apolo11.com/spacenews.php?titulo=Tempestade_solar_pode_causar_interferencias_eletromagneticas&posic=dat_20110608-101932.inc

Ciclos de Milankovitch

A órbita da Terra em volta do Sol, assim como a orientação do seu eixo de rotação, mudam lentamente ao longo do tempo. Como consequência, introduzem variações na radiação solar que a superfície da Terra recebe e são, por isso, responsáveis por algumas das grandes alterações climáticas ocorridas no passado. Novos resultados computacionais da evolução a longo prazo do movimento orbital e rotacional da Terra foram apresentados num artigo na revista Astronomy & Astrophysics, por uma equipa liderada por J. Laskar (Instituto de Mecânica Celeste e Cálculo de Efemérides/Observatório de Paris) e que inclui o astrofísico português Alexandre Correia (Instituto de Mecânica Celeste e Cálculo de Efemérides/Observatório de Paris e Universidade de Aveiro).

Em 1941, o matemático Milankovitch descreveu, na sua teoria da paleoclimatologia, os principais efeitos que os fenómenos astronómicos podem ter no clima da Terra. Em 1976, o trabalho de Hays, Imbrie e Shackleton de medição da variação, ao longo do tempo, do volume de gelo continental com a variação do rácio isotópico de oxigénio nos sedimentos marinhos vieram comprovar a teoria de Milankovitch – a sucessão das Idades do Gelo, durante a época do Plistoceno (entre 10 000 anos e 1,8 milhões de anos atrás), relaciona-se com as alterações periódicas dos parâmetros da órbita e da rotação da Terra.



A Teoria de Milankovitch estabelece que as variações cíclicas da órbita e da rotação da Terra produzem variações na quantidade de energia solar que chega à Terra (insolação). Os três ciclos de Milankovitch são: a variação da excentricidade da órbita da Terra (a forma da órbita da Terra à volta do Sol muda); a variação da obliquidade (o ângulo do eixo da Terra com o plano da sua órbita varia); e a precessão (alteração na direcção do eixo de rotação da Terra). Crédito: Robert Simmon, NASA GSFC.

Texto editado por Bacana

Texto original: http://www.portaldoastronomo.org/noticia.php?id=469#

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Ejeção de Coroa Solar - Vídeo do Observatório Dinâmico Solar




Sete Meses de Sol - Observatório Dinâmico Solar




Autor do Texto: Carlos Francisco Zemek





Efeito El Niño

Uma componente do sistema climático da terra é representada pela interação entre a superfície dos oceanos a baixa atmosfera adjacente a ele. Os processos de troca de energia e umidade entre eles determinam o comportamento do clima, e alterações destes processos podem afetar o clima regional e global.

El Niño representa o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A palavra El Niño é derivada do espanhol, e refere-se a presença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa norte de Peru na época de Natal. Os pescadores do Peru e Equador chamaram a esta presença de águas mais quentes de Corriente de El Niño em referência ao Niño Jesus ou Menino Jesus.

Na atualidade, as anomalias do sistema climático que são mundialmente conhecidas como El Niño e La Niña representam uma alteração do sistema oceano-atmosfera no Oceano Pacífico tropical, e que tem conseqüências no tempo e no clima em todo o planeta. Nesta definição, considera-se não somente a presença das águas quentes da Corriente El Niño mas também as mudanças na atmosfera próxima à superfície do oceano, com o enfraquecimento dos ventos alísios (que sopram de leste para oeste) na região equatorial.

Com esse aquecimento do oceano e com o enfraquecimento dos ventos, começam a ser observadas mudanças da circulação da atmosfera nos níveis baixos e altos, determinando mudanças nos padrões de transporte de umidade, e portanto variações na distribuição das chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias e altas. Em algumas regiões do globo também são observados aumento ou queda de temperatura. A figura abaixo mostra a situação observada em dezembro de 1997, no pico do fenômeno El Niño 1997/98.



Anomalia de temperatura da superfície do mar em dezembro de 1998 mostrada na figura acima. Os tons avermelhados indicam regiões com valores acima da média e os tons azulados as regiões com valores abaixo da média climatológica. Pode-se notar a região no Pacífico Central e Oriental com valores positivos, indicando a presença do El Niño. Dados cedidos gentilmente pelo Dr. John Janowiak - CPC/NCEP/NWS/NOAA-EUA.

Que é o El Niño-Oscilação Sul (ENOS) ?

Talvez a melhor maneira de se referir ao fenômeno El Ninõ seja pelo uso da terminologia mais técnica, que inclui as caraterísticas oceanicas-atmosféricas, associadas ao aquecimento anormal do oceano Pacifico tropical. O ENOS, ou El Niño Oscilação Sul representa de forma mais genérica um fenômeno de interação atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e no Pacifico oeste próximo à Austrália.

Além de índices baseados nos valores da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacifico equatorial, o fenômeno ENOS pode ser também quantificado pelo Índice de Oscilação Sul (IOS). Este índice representa a diferença entre a pressão ao nível do mar entre o Pacifico Central (Taiti) e o Pacifico do Oeste (Darwin/Austrália). Esse índice está relacionado com as mudanças na circulação atmosférica nos níveis baixos da atmosfera, conseqüência do aquecimento/resfriamento das águas superficiais na região. Valores negativos e positivos da IOS são indicadores da ocorrência do El Niño e La Niña respectivamente.

Algumas observações

Evento de El Niño e La Niña tem uma tendência a se alternar cada 3-7 anos. Porém, de um evento ao seguinte o intervalo pode mudar de 1 a 10 anos;

As intensidades dos eventos variam bastante de caso a caso. O El Niño mais intenso desde a existência de "observações" de TSM ocorreu em 1982-83 e 1997-98.

Algumas vezes, os eventos El Niño e La Niña tendem a ser intercalado por condições normais. Como funciona a atmosfera durante uma situação normal e durante uma situação de El Niño?:

El Niño resulta de uma interação entre a superfície do mar e a baixa atmosfera sobre o Oceano Pacifico tropical. O inicio e fim do El Niño e determinado pela dinâmica do sistema oceano-atmosfera, e uma explicação física do processo é complicada Para que o leitor possa entender um pouco sobre isso, propõe-se um "modelinho simples", extraído do livro El Niño e Você, de Gilvan Sampaio de Oliveira.



1) Imagine uma piscina (obviamente com água dentro)

1) Imagine uma piscina (obviamente com água dentro), num dia ensolarado;

2) Coloque numa das bordas da piscina um grande ventilador, de modo que este seja da largura da piscina;

3) Ligue o ventilador;

4) O vento irá gerar turbulência na água da piscina;

5) Com o passar do tempo, você observará um represamento da água no lado da piscina oposto ao ventilador e até um desnível, ou seja, o nível da água próximo ao ventilador será menor que do lado oposto a ele, e isto ocorre pois o vento está "empurrando" as águas quentes superficiais para o outro lado, expondo águas mais frias das partes mais profundas da piscina.


É exatamente isso que ocorre no Oceano Pacífico sem a presença do El Niño, ou seja, é esse o padrão de circulação que é observado. O ventilador faz o papel dos ventos alísios e a piscina, é claro, do Oceano Pacífico Equatorial. Águas mais quentes são observadas no Oceano Pacífico Equatorial Oeste. Junto à costa oeste da América do Sul as águas do Pacífico são um pouco mais frias.

Com isso, no Pacífico Oeste, devido às águas do Oceano serem mais quentes, há mais evaporação. Havendo evaporação, há a formação de nuvens numa grande área. Para que haja a formação de nuvens o ar teve que subir. O contrário, em regiões com o ar vindo dos altos níveis da troposfera (região da atmosfera entre a superfície e cerca de 15 km de altura) para os baixos níveis raramente há a formação de nuvens de chuva. Mas até onde e para onde vai este ar ?

Um modo simplista de entender isso é imaginar que a atmosfera é compensatória, ou seja, se o ar sobe numa determinada região, deverá descer em outra. Se em baixos níveis da atmosfera (próximo à superfície) os ventos são de oeste para leste, em altos níveis ocorre o contrário, ou seja, os ventos são de leste para oeste. Com isso, o ar que sobe no Pacífico Equatorial Central e Oeste e desce no Pacífico Leste (junto à costa oeste da América do Sul), juntamente com os ventos alísios em baixos níveis da atmosfera (de leste para oeste) e os ventos de oeste para leste em altos níveis da atmosfera, forma o que os Meteorologistas chamam de célula de circulação de Walker, nome dado ao Sir Gilbert Walker.

A abaixo mostra a célula de circulação de Walker, bem como o padrão de circulação em todo o Pacífico Equatorial em anos normais, ou seja, sem a presença do fenômeno El Niño. Outro ponto importante é que os ventos alísios, junto à costa da América do Sul, favorecem um mecanismo chamado pelos oceanógrafos de ressurgência, que seria o afloramento de águas mais profundas do oceano.

Estas águas mais frias têm mais oxigênio dissolvido e vêm carregadas de nutrientes e micro-organismos vindos de maiores profundidades do mar, que vão servir de alimento para os peixes daquela região. Não é por acaso que a costa oeste da América do Sul é uma das regiões mais piscosas do mundo. O que surge também é uma cadeia alimentar, pois os pássaros que vivem naquela região se alimentam dos peixes, que por sua vez se alimentam dos microorganismos e nutrientes daquela região.



Circulação observada no Oceano Pacífico Equatorial

Circulação observada no Oceano Pacífico Equatorial em anos sem a presença do El Niño ou La Niña, ou seja, anos normais. A célula de circulação com movimentos ascendentes no Pacífico Central/Ocidental e movimentos descendentes no oeste da América do Sul e com ventos de leste para oeste próximos à superfície (ventos alísios, setas brancas) e de oeste para leste em altos níveis da troposfera é a chamada célula de Walker. No Oceano Pacífico, pode-se ver a região com águas mais quentes representadas pelas cores avermelhadas e mais frias pelas cores azuladas. Pode-se ver também a inclinação da termoclima, mais rasa junto à costa oeste da América do Sul e mais profunda no Pacífico Ocidental. Figura gentilmente cedida pelo Dr. Michael McPhaden do Pacific Marine Environmental Laboratory (PMEL)/NOAA, Seattle, Washington, EUA.

Deve ser notado, na figura acima, que existe uma região chamada de termoclina onde há uma rápida mudança na temperatura do oceano. Esta região separa as águas mais quentes (acima desta região) das águas mais frias (abaixo desta região). Os ventos alísios "empurrando" as águas mais quentes para oeste, faz com que a termoclina fique mais rasa do lado leste, expondo as águas mais frias.

Vamos agora voltar ao nosso "modelinho". Vamos imaginar o seguinte:
Desligue o ventilador, ou coloque-o em potência mínima. O que irá acontecer?

Agora, o arrasto que o vento estava provocando na água da piscina irá desaparecer ou diminuir. As águas do lado oposto ao ventilador irão então refluir para que o mesmo nível seja observado em toda a piscina. O Sol continuará aquecendo a piscina e as águas deverão, teoricamente, estar aquecidas igualmente em todos os pontos da piscina. Certo?

Então vamos correlacionar novamente com o Oceano Pacífico. O ventilador desligado ou em potência mínima, significa neste caso o enfraquecimento dos ventos alísios. Veja que os ventos não param de soprar. Em algumas regiões do Pacífico ocorre até a inversão dos ventos, ficando estes de oeste para leste. Agora, todo o Oceano Pacífico Equatorial começa a aquecer. E como dito anteriormente: aquecimento gera evaporação com movimento ascendente que por sua vez gera a formação de nuvens. A diferença agora é que ao invés de observarmos a formação de nuvens com intensas chuvas no Pacífico Equatorial Ocidental, vamos observar a formação de nuvens principalmente no Pacífico Equatorial Central e Oriental




Padrão de circulação observada em anos de El Niño na região equatorial do Oceano Pacífico. Nota-se que os ventos em superfície, em alguns casos, chegam até a mudar de sentido, ou seja, ficam de oeste para leste. Há um deslocamento da região com maior formação de nuvens e a célula de Walker fica bipartida. No Oceano Pacífico Equatorial podem ser observadas águas quentes em praticamente toda a sua extensão. A termoclina fica mais aprofundada junto à costa oeste da América do Sul principalmente devido ao enfraquecimento dos ventos alísios. Figura gentilmente cedida pelo Dr. Michael McPhaden do Pacific Marine Environmental Laboratory (PMEL)/NOAA, Seattle, Washington, EUA.

Texto original: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-aquecimento-global/efeito-el-nino-2.php